<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457</id><updated>2011-07-30T07:00:10.229-07:00</updated><category term='murilo'/><category term='dpz'/><category term='zuffo'/><title type='text'>blogdosamigosdomurilo</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>59</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-7708871938208817916</id><published>2010-09-27T17:54:00.000-07:00</published><updated>2010-09-27T17:55:03.929-07:00</updated><title type='text'>MURILO FELISBERTO EM DOIS TEMPOS</title><content type='html'>LUIZ CARLOS LISBOA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha convivência com o Murilo conheceu duas épocas e dois cenários diferentes. Ela se iniciou na redação do “Jornal do Brasil” na Avenida Rio Branco, no começo dos anos 60, quando o Alberto Dines resolveu criar o primeiro Departamento de Pesquisa da imprensa brasileira.  Depois de advogar por quatro anos, eu tinha decidido que aquilo que desejava mesmo era escrever, bem ou mal mas escrever, em vez de falar com juízes e fazer arrazoados pelo resto da vida. Fiz um teste com o Dines e comecei como tradutor, de inglês e francês, dos telegramas que as agências de notícias enviavam para o JB. Um dia o Jaime Negreiros, chefe de redação do jornal, sugeriu lá dentro que eu poderia fazer também reportagens e entrevistas. O pessoal do “aquário” concordou e eu comecei minha vida de jornalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele mesmo ano apareceu na redação um sujeito misterioso que ficava sentado numa mesa vazia, observando os repórteres e depois lendo as laudas que chegavam à mesa do Negreiros. Era estranho que o Negreiros permitisse isso. Todo dia almoçávamos, Luís Tápias, Francisco Baker, às vezes o Mauricio Kubrusly e eu, no restaurante do jornal, e com frequência comentávamos a figura pálida que lia atentamente toda lauda datilografada que lhe caía sob os olhos, e que se mantinha arredio, apenas lendo e olhando. Demos a ele o apelido de Kafka porque nos parecia sombrio, esquálido e tímido como o autor de “O Processo”.  Dias depois o Tápias me encontrou no Caderno B, tomando café e batendo papo com o Nonato Masson, e me avisou muito sério: “O Kafka quer falar com você”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A figura pálida estava me esperando na redação. “Vamos tomar um cafezinho?”, ele perguntou e eu concordei, sem dizer que aquele seria o segundo que eu tomaria em quinze minutos. Ele fora convidado pelo Dines a organizar um setor de pesquisa e arquivo no JB, e duas pessoas haviam indicado meu nome para ajudá-lo. Eu era o repórter que tinha a mania de explicar nas entrelinhas cada personagem e paisagem que entravam nas reportagens que fazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os copys cortavam um bocado de coisa das matérias que eu entregava ao Negreiros. Fiquei entusiasmado com o convite e passei a almoçar todos os dias com o Murilo – o Kafka da nossa invenção – para  discutir o que seria meu trabalho. Nos meses que se seguiram eu descobri um sujeito fantástico, brilhante, meio maníaco, muito tímido, louco por música e artes gráficas, e também dado a passageiras depressões que ele jamais comentava com alguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha na minha gaveta do jornal um “Vademecum Médico- Farmacêutico” que um médico que entrevistei me havia dado. &lt;br /&gt;A cada sintoma do Murilo – dor de cabeça, tonteira, nevralgia, lá o que fosse – eu puxava o livro da gaveta e recitava duas ou três linhas. Ele dizia que eu era o seu médico, e sabendo que eu já tinha sido advogado me pespegou o apelido de “Dr. Lisboa”. Os apelidos que o Murilo dava pegavam depressa, não sei porque, alguns para a vida toda. Era engraçado o velho contínuo da redação me chamando de doutor, e ao editor-chefe de você. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os dias, o Departamento de Pesquisa cresceu muito, e vieram o Luís Paulo Horta, a Clotilde Hasselmann (que o Carlinhos Oliveira ia contemplar nos finais de tarde), o Samuel Dirceu e outros tão bons quanto esses, que ficaram até o último dia do Murilo no jornal. A hipocondria do meu chefe era tema de piada no JB daquela época. Um dia em que íamos de táxi assistir, na Sala Cecília Meireles, um concerto de violino, ele me puxou pelo braço e perguntou, em voz baixa para que o motorista não o escutassse: “Dr. Lisboa, sabe me dizer se já soube de algum caso de câncer no coração?” Não, não sabia, respondi sorrindo, e ele ficou casmurro, meio envergonhado da pergunta, até começar o concerto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra época e o outro cenário em que convivi com o Murilo foi em São Paulo, no primeiro ano de vida do “Jornal da Tarde”.  Era também um tempo de euforia, criatividade e sucesso. O jornal do Ruy Mesquita era o assunto do dia no mundo da comunicação no Brasil, e o regente daquela orquestra era o pálido, silencioso e sardento  mineiro de Lavras, o inesquecível Kafka da redação luminosa do JB no  Rio. Primeiro na Major Quedinho, no coração de São Paulo, depois na Marginal do Tietê, Murilo comandou o trabalho entusiasmado de uma geração jovem de jornalistas notáveis. Durante quinze anos, mais ou menos, mantivemos o hábito de interromper nosso trabalho para tomar café, onde houvesse um café decente para tomar. “Vamos para o nosso tradicional?”, ele me perguntava e já ia caminhando para o elevador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilo sorvia seu café numa xícara grande, quase sem açúcar, e não comia nada de acompanhamento. Aí era a sua hora de falar, um dia com encanto quando via uma beleza fugidia na calçada (ele apreciava um tipo de mulher magra e pequenina, que não me impressionava nem um pouco, e brincava que eu era wagneriano porque só gostava das Valquírias), outro dia com a alma pesada, devido à morte de algum conhecido ou por causa de um sintoma novo que o estivesse assombrando naquela tarde. Mas às vezes também ria longamente, e me fazia rir também da vida e do mundo, quando era eu que me queixava dos dias cinzentos de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso último encontro foi surpreendente. Eu estava morando na Rua 100 em Manhattan ed recebi um telefonema do Murilo. Ele estava num hotel bem perto de mim, muito nervoso e com um tornozelo fraturado numa queda no gelo, logo na chegada a Nova York. Fui para lá e já o encontrei mais calmo, até bem- humorado. Jantamos e conversamos até tarde, lembrando os velhos tempos de Jornal do Brasil e de Jornal da Tarde, recordando amigos e amigas da Paulicéia. Conversamos ainda depois por telefone, mas os papos e risadas entre cafezinhos, nunca mais.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu daria hoje para um papo com o Murilo sobre o outro lado, que ele já conhece. Se existe alguma coisa por lá, e isso todo mundo vai conferir um dia, ele deve estar em bom lugar.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Princeton, NJ, outubro de 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-7708871938208817916?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/7708871938208817916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=7708871938208817916&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/7708871938208817916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/7708871938208817916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2010/09/murilo-felisberto-em-dois-tempos.html' title='MURILO FELISBERTO EM DOIS TEMPOS'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-578862220350966706</id><published>2008-12-10T10:54:00.000-08:00</published><updated>2008-12-10T10:57:46.723-08:00</updated><title type='text'>À frente do espelho</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Nirlando Beirão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intrigava a todo mundo, vocês se lembram, aquela caneta de ponta fina deslizando pelo papel, e produzindo traços sorrateiros, enquanto as reuniões de pauta do jornal suscitavam temas como a eleição municipal, o PCC e o novo ataque do Corinthians.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ouvia, digamos assim de esguelha, e até que prestava certa atenção na conversa, mas seus desenhos como que o afastavam dali para um limbo de fantasia, impermeável à crueza e à mediocridade daquela realidade vomitada dia após dia à frente de nós, pobres jornalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As caricaturas do Murilo – algumas delas estão aqui – podiam ser de uma maldade atroz, pontiaguda, mas até na crueldade ele sabia manter a delicadeza. Por alguma razão, nunca fui vítima delas. Acho que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caricaturas o que são, senão o direito de exacerbar detalhes e acentuar traços? O Murilinho adorava fazer isso. Mas, de tanto me confrontar com as caricaturas dele, sutis mas pegajosas, entendi um dia que o Murilinho traduzia, ele próprio, no seu jeito de ser, de vestir, de andar, passos miúdos se esgueirando pelas paredes do mundo, essa qualidade iconográfica da reiteração e da redundância, tão vital ao nosso universo atroz da comunicação imediata. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhem lá: o invariável cashmere clarinho, a calça de sarja, os jornais e revistas debaixo do braço – assim, o invariável caricaturista como se candidata ao jogo de espelho no qual passa a ser, ele, não o desenhista, e, sim, o desenhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como caricatura presume humor, o Murilo acatou a regra da brincadeira, que consiste em rir dos outros, mas também rir de si mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-578862220350966706?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/578862220350966706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=578862220350966706&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/578862220350966706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/578862220350966706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/12/frente-do-espelho.html' title='À frente do espelho'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-7837344747784820588</id><published>2008-11-13T02:15:00.001-08:00</published><updated>2008-11-13T02:17:47.173-08:00</updated><title type='text'>Mais leve que o ar</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Luiz Carlos Secco&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma com que dava beleza às páginas do Jornal da Tarde, Murilo Felisberto ornamentava a vida, prestigiava as amizades, incentivava os companheiros de trabalho, acolhia as boas idéias. Afável, com voz tranqüila e sorriso que viajava entre a timidez e o respeito transmitia paz e confiança a quem dele se acercava. Foi sempre assim em nossa convivência no jornal e, posteriormente, fora dele, era tratado com elegância e me fazia sentir que estava feliz por me encontrar e que nutria admiração pelos trabalhos que realizei ao longo dos anos. Era evidente a sua alegria por encontrar um velho companheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Altamente competente e criativo, era também sofisticado. Creio que não dirigia veículos, mas nutria muita paixão por carros, especialmente pelos belos, como o Duesenberg, um clássico norte-americano dos anos 20 e 30 que marcou época pela exuberância de seu acabamento, pela esportividade marcante, pelas linhas nobres e pelo requinte mecânico. Automóvel desejado por personalidades ilustres, atores e atrizes. O duque de Windsor, os reis Alfonso XIII, da Espanha, e Emmanuel, da Itália, Greta Garbo, Mae West, Clark Gable e Gary Cooper foram alguns entre os famosos a possuir um Duesenberg.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os carros brasileiros, entusiasmou-se pelo Chevrolet Opala quando foi lançado, em 1968. Sua mente criativa imaginou um acabamento diferente para esse produto com carroceria européia e mecânica norte-americana com o qual a General Motors ingressou no campo dos automóveis, depois de muito tempo como mera fabricante de pick-ups e caminhões: branco, com interior inteiramente na mesma cor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilo mantinha o comportamento ameno até nos momentos em que o normal seria agir com rispidez. Lembro-me que idealizei uma reportagem na antiga chácara da Willys, em São Bernardo do Campo, onde a empresa preparou-se para fotografar toda a linha 1967, inclusive o Itamaraty Executivo, primeira limusine brasileira que teve o primeiro exemplar entregue ao então presidente da República Humberto de Alencar Castelo Branco. Pelo forte esquema de segurança que seria montado, imaginei que as fotos somente seriam possíveis com o uso de um helicóptero, idéia que ele aprovou entusiasmado. Naturalmente, o setor de transportes do jornal precisaria tomar as providências para a locação da aeronave. Mas, ao entregar a requisição por ele assinada, recebi um categórico “não” do responsável. Ao saber da negativa, Murilo não perdeu a elegância, nem levantou a voz. Simplesmente levantou-se da cadeira, dirigiu-se ao chefe de transportes e o convenceu, de forma amena, sobre a importância do trabalho para o jornal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a primeira reportagem brasileira do setor automotivo com esse recurso e, como resultado, um vibrante trabalho, que envolveu tentativas de agressão, armas empunhadas e a colisão de uma pick-up Willys na traseira de um Mercury  53, que o fotógrafo Luiz Manuel idolatrava, mas que decidiu colocar no esquema para evitar a presença de veículos do jornal que nos identificassem. A reportagem terminou com uma fuga da equipe do jornal no velho Mercury amarrotado vencendo uma perseguição feita pelos raivosos funcionários da Willys em carros do modelo ainda a ser lançado. Entusiasmado com o trabalho, o próprio Murilo fez o título de uma das páginas da reportagem: “Willys 67 perde sua primeira corrida”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-7837344747784820588?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/7837344747784820588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=7837344747784820588&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/7837344747784820588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/7837344747784820588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/11/mais-leve-que-o-ar.html' title='Mais leve que o ar'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-66839235193460662</id><published>2008-11-13T02:03:00.000-08:00</published><updated>2008-11-13T02:04:02.288-08:00</updated><title type='text'>Bola Virtual: Murilinho, volte aqui. Não volta mais!</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Alberto Helena Jr.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já leu Proust? Pois precisa ler, precisa ler – sentenciou-me com o indicador quase diáfano pautando no ar cada sílaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aimez-vous Brahms? – respondi-lhe, numa alusão ao péssimo romance de Françoise Sagan que ainda fazia um sucesso danado naquele tempo distante, virada dos anos 50 para os 60, pois sabia já de sua paixão por Bach, Vivaldi e seu horror por textos ruins. Um diálogo insólito, feito de referências e insinuações, que marcaria nossos encontros pela vida afora durante os últimos quarenta e tantos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilinho, até então, aos meus olhos, era apenas uma silhueta curiosa, um fiapo de gente, alva, quase transparente, que cortava a noite e as redações sobraçando maços de jornais, revistas e livros, naquele passinho miúdo e rápido, dissimulando assim o gênio do jornalismo brasileiro que se escondia por trás de um meio sorriso cínico com o qual encerrava seus breves e frequentes recitais de assobio, acompanhando do dedinho diáfano no ar, feito batuta de maestro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escale sua Seleção. Se bater com a minha, está contratado. – anunciou muitos anos depois, na mesa do primeiro Giovanni Bruno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse era o teste a que Murilinho me submetia para ver se este ex-crítico de música sabia sobre o futebol o suficiente para voltar ao Jornal da Tarde, agora, em nova função.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recitei nome por nome da minha seleção ideal para a Copa de 70, e fui aprovado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bate com a minha, bate com a minha – ciciou Murilinho, que não falava, ciciava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois se bate com a sua, não deveria nunca me contratar, já você não sabe nem o formato de uma bola de futebol, quanto mais escalar uma Seleção Brasleira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia mesmo, nunca chutou bola, nem de meia. Mas, lia, lia muito, e sabia de tudo o que estava ocorrendo no mundo, em cada seção dos jornais, identificava talentos para o ofício onde ninguém suspeitaria ali estivesse um pingo de bossa para a profissão. Disfarçava, porém, todo esse conhecimento sob um falso véu de alienação, e se divertia muito com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tempos não o via. E eis que, de repente, surpreendo sua silhueta passando ali em frente, abraçado àquela pilha de livros, jornais e revistas, no passo miúdo e rápido. Pra onde vai, Murilo? Espere mais um pouco, o copo ainda está cheio, cara. Volte aqui. Não volta mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-66839235193460662?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/66839235193460662/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=66839235193460662&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/66839235193460662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/66839235193460662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/11/bola-virtual-murilinho-volte-aqui-no.html' title='Bola Virtual: Murilinho, volte aqui. Não volta mais!'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-5134666005841699686</id><published>2008-10-29T10:29:00.000-07:00</published><updated>2008-10-29T10:35:51.783-07:00</updated><title type='text'>Extra! Extra!</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Percival de Souza&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilinho era repórter das Folhas (Manhã, Tarde, Noite), eu contínuo da redação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As máquinas de escrever ficavam embutidas sob a tampa das mesas de madeira. Na hora em que quase todos escreviam, aquele barulho produzia um som incomparável, uma delícia como o cheiro de graxa na rotativa. Eu, adolescente, sabia que havia um time de repórteres de primeira linha no jornal. E Murilo sempre foi símbolo do bom texto, eterno produtor do espetáculo das palavras, esculpindo frases e parágrafos com esmero e capricho. E desenhando, quase solitariamente, naqueles tempos em que Maurício de Souza se empenhava mais nos desenhos do que em ser repórter policial do time comandado por Jarbas Lacerda e suas eternas gravatas borboletas. Havia, também, o chargista oficial da editoria de Política, Orlando Mattos, e o faz-tudo Nelson Coletti, irmão do chefe do Departamento Pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu sonho era ser, algum dia, como um daqueles repórteres que eu tanto admirava: José Hamilton Ribeiro, Neil Ferreira, Ennio Pesce, Roland Marinho Sierra... Comecei a produzir um jornalzinho de circulação interna, que - modéstia à parte - desbancou, numa parede dos fundos, o canto de avisos gerais, piadas e protestos,  chamado "O Boato". Meu jornal trazia as fofocas da redação, tinha informantes nas reuniões dos editores, continha informações obtidas em primeira mão, "furos" até, e de vez em quando tinha o privilégio de contar com um desenho de Murilo Felisberto, que os produzia com certa rapidez, assobiando baixinho. Um contínuo pautava Murilo Felisberto! De repente, voltando de uma viagem a Londres, o diretor das Folhas, José Nabantino Ramos, mandou instalar um sino na redação. O sino tocava pontualmente em horários de reunião e fechamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era réplica de um de redação inglesa. Contamos essa história em nosso jornal. Foi um sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilo, no início dos anos sessenta, trocou as Folhas pelo Jornal do Brasil, onde foi chefiar o Departamento de Pesquisa. O JB era a Bíblia de então. Ficamos felizes por Murilo: jovem e já no jornal-referência da imprensa brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que ele fez um artigo sobre o jornal do futuro. Era um texto agradável, antevendo avanços tecnológicos. Terminava dizendo que o chefe de redação seria uma espécie de robô. E, diariamente, o responsável pela manutenção chamaria o contínuo, no encerramento do expediente, e diria: "Por favor, Percival, não se esqueça de lubrificar o redator-chefe".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos se divertiram com essa história. Passei um telegrama para ele. Os termos: "Contínuo é a PQP". Acontece que estavam começando os anos de chumbo da ditadura militar e aquilo, suspeitou-se, poderia ser uma mensagem subversiva em código, circunstância que eu, já engatinhando no jornalismo, precisei explicar às autoridades competentes de maneira humorada e convincente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossos destinos se encontrariam no Jornal da Tarde, que iríamos fundar em janeiro de 1966. Diretor, Mino Carta; Murilo, secretário de Redação. Era uma nova escola de texto e diagramação. Arte pura em dias memoráveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilo Felisberto tinha, entre outros, um dom especial: intuir aquela que seria uma grande matéria e desenhá-la antecipadamente. Certa vez, perguntou-me se seria possível fazer uma reportagem sobre tipos de crimes que mais acontecem ao longo dos meses do ano. Respondi que não havia pensado nisso, mas iria verificar. Descobri, na Polícia, que  essas características existiam e se refletiam em variáveis de roubos, furtos, assassinatos, brigas, agressões. Murilo ouviu e horas depois me chamou para mostrar uma página desenhada, como título já pronto: "O Calendário do Crime". A arte lembrava mesmo um calendário, de janeiro a dezembro, com desenhos de ladrões, gente empunhando armas, pessoas estiradas no chão. Então, fiz a matéria com as informações necessárias, dentro do tamanho pré-determinado. Teve uma grande repercussão, até mesmo dentro da Polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra reportagem assim, precedida de uma conversa sobre tráfico e consumo de drogas na alta sociedade, provocou um desenho de página anterior à matéria. E o título: "Society Cocaína". Foi tão bom esse título do Murilo que o usei para um livro, que escreveria anos depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizia-se, na redação, que aquele maço de jornais e revistas que ele sempre carregava como marca registrada pessoal, significavam a sua eterna busca por um texto impecável. Passou a circular uma história sobre tempos em que a Rainha - incrível, era este o apelido dele na redação - estava apaixonada por uma musa que, imaginávamos, seria irresistível. Tanto que tínhamos muita curiosidade em descobrir quem seria. E, segundo consta de fonte fidedigna, um amigo mais próximo foi merecedor das confidências de Murilo sobre o palpitar mais forte do coração. Ele teria descrito a moça com o encanto dos olhos, dos cabelos, da voz, da meiguice, as leveza dos movimentos. Arremate da confissão: "...e tem um texto!" Seria assim a mulher perfeita, segundo Murilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por causa do bendito texto, ele contratou, na redação do JT, uma professora da Universidade de São Paulo, cuja tarefa diária era assinalar falhas de estilo, concordâncias se fosse o caso, e análise de texto nas matérias. A professora fazia isso em provas de páginas, todas marcadas implacavelmente com lápis vermelho. Murilo observava atentamente a cada análise crítica. Depois, chamava alguns dos editores e gargalhava de tanto divertir-se com as observações feitas. Diante dela, porém, sempre se mantinha circunspecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em julho de 1972, ele escolheu algumas das reportagens que ele considerou as melhores da história do JT em seus primeiros dois mil números. E concebeu um suplemento, cujo título foi "Jornal da Tarde nº 2001".  Elas foram reproduzidas e ilustradas - uma grande honra para os autores, senti-me orgulhoso de estar entre eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas primeiras páginas históricas foram resultado do seu trabalho em examinar os assuntos principais do dia e definir, então, a capa do jornal. Uma delas era um jogo de camisas. Duas delas: uma de  presidiário, para um industrial, apelidado de "Mau Patrão", condenado judicialmente. "Ponha essa camisa no mau patrão". Outra, de um jogador contratado por um dos times de futebol de São Paulo. "Vista a camisa de seu time nesse jogador".  Uma criatividade incrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a Polícia descobriu o lugar onde se fazia o encontro promovido pela União Estadual dos Estudantes (UNE), tínhamos nas mãos uma cobertura excepcional. O sítio em Ibiúna foi invadido pela Polícia ao amanhecer de um sábado. Tínhamos um repórter lá dentro e uma grande cobertura, de fora. O JT não circulava aos domingos. Fomos em comitiva ao apartamento do Murilo, sugerir que saísse uma edição extra. Ele não se entusiasmou, considerou inviável, argumentou que precisava um pouquinho mais de tempo para que a edição de segunda fosse impecável, imbatível. Seria mesmo. Mas saímos frustrados do apartamento, amaldiçoando a Rainha. Escrevemos sábado e domingo. E foi no domingo, ao me ver escrevendo que ele passou pela minha mesa e sorriu, como se dissesse que aquele tempo a mais era comprovadamente necessário. Provocou: "Eu não disse?" Minha reação foi de xingá-lo baixinho. Mas depois admiti que ele estava certo. O material era muito bom para ser fechado às pressas. E Murilo, atento na redação, demonstrava que sua indiferença era apenas aparente - mais uma vez estava sendo profundamente profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apareceu com seus jornais e revistas no lançamento de meu livro Eu, cabo Anselmo. Disse a ele que o seguinte, Autópsia do Medo, uma biografia do delegado Sérgio Fleury, seria ainda melhor. Ele sussurrou, como se aconselhando: "Calma, calma..." De fato, não me apressei. Segui as instruções da nossa Rainha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilo Felisberto, no meu caso, foi a história de uma amizade de quase cinqüenta anos. Isso mesmo: meio século. De moleque a adulto. De contínuo a repórter. Murilo transformou-se em sua própria notícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando desaparece um jornalista como ele, nós morremos um pouco - não só porque os sinos dobram por todos, mas em razão de que haverá menos criatividade. Menos liberdade. Menos razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento supremo da prestação de contas da vida de Murilo Felisberto, podemos assinalar que o excepcional jornalista buscava ardentemente a perfeição. E conseguiu, tantas vezes, produzir obras que podem ser consideradas respeitas. Assim como se a folha de uma árvore pintada por um pincel que chegara à perfeição ganhasse vida de repente numa tela, encerrando nesse momento o espírito de todas as folhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um jornalista como Murilo Felisberto, através de seus trabalhos realizados com tanta dedicação, arte e paixão pela profissão, encerra em si o espírito de todos os jornalistas do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-5134666005841699686?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/5134666005841699686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=5134666005841699686&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/5134666005841699686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/5134666005841699686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/10/percival-de-souza-murilinho-era-reprter.html' title='Extra! Extra!'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-8178689028482144852</id><published>2008-10-22T04:09:00.000-07:00</published><updated>2008-10-22T04:14:19.525-07:00</updated><title type='text'>De lead em lead</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Moacir Japiassú&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa tarde de março de 1963, quando comuniquei aos colegas do Correio de Minas que Antonio Beluco Marra telefonara para avisar que a Última Hora me aguardava para integrar o copidesque de uma de suas inúmeras edições, Fernando Gabeira me entregou o telefone de um amigo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É o melhor jornalista de São Paulo, pode te ajudar muito”, disse-me. Telefonei, marcamos encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tratava-se de um rapaz magrinho e encurvado, sorridente, mineiro de Lavras, amigo de Gabeira desde os primeiros tempos em Juiz de Fora. Trabalhava na sucursal da Manchete. Eu o encontrei no “Clubinho”, um bar com aparência de bunker que havia na galeria do cine Metrópole e reunia boa parte da fauna paulistana da época. Sobre a mesa do solitário Murilo espalhavam-se jornais e revistas estrangeiros e jaziam, ainda intocados, um copo de vinho e uma fatia de queijo brie. O aparelho de som espalhava pelo salão lotado e ruidoso uns fragmentos da Ária na Corda de Sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilo me recebeu como se tivéssemos estudado juntos no Granbery de Juiz de Fora. Em minutos, éramos velhos amigos. Ele falava baixinho, em meio àquela balbúrdia que desrespeitava os sons de Bach, de modo que, de vez em quando, eu levantava a voz e perguntava: O quê?!?! Quem?!?!, Quando?!?!, Onde?!?!, Como?!?! Por quê?!?! -- e assim, de lead em lead, passamos a construir nossa amizade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossos encontros eram ali ou no João Sebastião Bar, no Sirocco, no Gigetto, onde lhe preparavam uma salada de alface com algumas gotas de vinagre e um fio de azeite. Murilo quase não comia, além da indefectível fatia de queijo com vinho tinto. Apareciam garotas bonitas, que não o interessavam, porque o sóbrio comensal só pensava em jornalismo e garantia que nenhuma delas merecia atenção, porque não sabiam escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa noite apareceu um amigo, cujo nome esqueci; contou que deixara a mulher por uma repórter do Diário Popular. Murilo ergueu o indicador, num gesto muito seu, que anunciava uma sentença recheada de seriedade: “A moça tem bom texto?”, perguntou ao apaixonado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando lhe disse que deixaria São Paulo e a Última Hora para aventurar-me no Rio de Janeiro, pediu-me paciência, pois eu estava há apenas cinco meses na cidade. Estaria mal na UH? Não, estava bem até demais, a trabalhar sob as ordens do José Elias, excelente e honesto editor de política; eu apenas não suportava mais ter que vestir paletó e gravata para ir ao cinema, não agüentava o frio e estava cheio do edifício onde morava com um grupo de companheiros de trabalho, famoso balança-mas-não-cai escondido na Rua Paim, bem atrás do Teatro Maria Della Costa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante alguns meses não nos vimos nem trocamos carta ou nos falamos, numa época em que era preciso esperar horas, dias, semanas por uma mísera linha telefônica. Porém, no final de abril ou maio de 1964, quando respirávamos os poluídos ares do golpe militar, a voz de Murilo me chegou pelo telefone; convidado por Alberto Dines, chefe de Redação do Jornal do Brasil, que apreciava seu trabalho na Manchete, estava de mudança para o Rio. “Vou assumir a editoria de Pesquisa e quero você comigo”, anunciou, para minha alegria, eu que penava na reportagem da sucursal do Diário de S. Paulo. Ia rever o amigo, trabalhar com ele num grande jornal e talvez ganhar, finalmente, um bom salário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilo criou o verdadeiro Departamento de Pesquisa, contratou alguns jovens talentos, batalhou por salários dignos. Foi o menos exigente dos chefes que tive na vida, porque não ligava para horários, falava sempre baixinho, naquele mesmo tom emitido nas mesas de bar, e bastava que lhe entregassem um bom texto para esquecer até ofensas pessoais.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, nosso Quartel General de todas as noites era o Bar Luís, na Rua da Carioca, tradicional abrigo de boêmios que precisavam tomar mais uma ou apenas forrar o estômago com salsichas e maionese de batatas, iguarias mais requisitadas do farto cardápio alemão. Sem contar, é claro, o chope sempre bem tirado e algumas doses de Steinhäger para corrigir o paladar.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início de uma noite de inesquecíveis revelações, Murilo desapareceu da Pesquisa e faltou ao encontro na Rua da Carioca. No dia seguinte, durante o almoço no restaurante do JB, confessou: estava apaixonado por uma donzela que morava na Rua da Matriz, em Botafogo. Teria bom texto? Na verdade, nem jornalista era e o encantamento havia nascido ao primeiro olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então esse homem de 25 anos, que aparentava um pouco mais, talvez pelo andar retraído e a barbicha em formação, entregou-se a arrebatamentos de adolescente, e certa madrugada, embriagado de vinho e paixão, atirou às ondas de Copacabana a aliança que denunciava o noivado já antigo com moça de São Paulo. Foram semanas de justa aflição para ele e os amigos, os quais só enxergavam avisos de perigo naquela via de mão única – não havia correspondência àquele tão repentino desvario.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilo Agostini Felisberto, assim identificado na etiqueta colada à mala de viagem, voltou para São Paulo, casou-se com aquela da aliança ao mar e  aliviou o peito sobre a mesa de trabalho no recém-criado Jornal da Tarde, onde nasceram as mais belas páginas da imprensa brasileira dos anos 60.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando nos encontramos novamente, meses depois de sua volta a São Paulo, Murilo me fez  uma sólida proposta de  trabalho. Eu tentava respirar o irrespirável ar da Bloch Editores, quase aceitei, porém assaltaram-me os enregelados fantasmas de 1963, da Rua Paim e adjacências, e ainda a execrável figura do lanterninha do cinema ordenando-me que vestisse o paletó. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas viagens ao Rio, sempre jantávamos juntos e a conversa nunca estava longe do que ocorria nas redações e oficinas. Uma bela primeira página nos ocupava até à sobremesa. Numa dessas noites, final de 1968, quando repassávamos as melhores capas sobre o AI-5, numa mesa do Antonio’s, acrescentei à conversa um dos poucos temas capazes de, digamos, modificar o cardápio murilista: a paixão pelas mulheres. Disse-lhe que iria me casar com a repórter Marcia Lobo, ex-Jornal do Brasil, agora minha companheira na revista Pais&amp;Filhos; ele ergueu o indicador e aprovou: “Essa tem bom texto”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos meses subseqüentes, ouvi outros convites do amigo, convites que tentavam o casal; havia abrigo no Jornal da Tarde para Marcia e eu. No final de 1969, recebi passagem de avião para conhecer o jornal e os futuros companheiros, entre os quais alguns bons amigos dos tempos do Correio de Minas. Voltei ao Rio disposto à mudança e Marcia  gostou da idéia. Porém, resolvemos pensar e pensar e pensar, até que Jaquito, sobrinho de Adolpho Bloch, fez o favor de me demitir, indignado porque eu, chefe de Redação da revista, dera folga à equipe na sexta-feira da paixão de 1970.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um mês depois estávamos em São Paulo, à véspera da Copa do Mundo, que o JT prometia cobrir com edições especiais e diárias. Fui trabalhar na editoria de esportes; e como, apesar do prometido, não existia vaga para Marcia, ela passou a fazer freelance na editoria de Variedades. Era muito, muitíssimo o trabalho num vespertino que ignorava horários, mas o casal sempre encontrava tempo para a vida de recém-casados. Ao convívio com Murilo, depois do expediente enlouquecido, preferíamos namorar em cenários mais românticos. Habituado aos séquitos, Murilo não gostou.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O divórcio entre Murilo e eu começou com o absenteísmo do outrora preferido. Tudo nos afastava e um dia, depois de séria discussão a respeito de uma reportagem produzida na sucursal do Rio sobre os vinte anos do atentado da Rua Tonelero, deixamos de nos falar. Algum tempo depois, nem nos olhávamos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, o pessoal da Redação achou bastante esquisita minha demissão do jornal, em 1977, a propósito de “contenção de despesas”, medida que atingiu vários companheiros. Marcia Lobo, que algum tempo antes havia conquistado a prometida vaga na Variedades e nada tinha a ver com minha desavença com Murilo, fazia parte da lista. Este foi o detalhe que denunciou o caráter pessoal da demissão e provocou justo desalento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns anos mais tarde, Marcia e eu bebíamos um drinque no bar-restaurante Pirandello, na Rua Augusta, quando Murilo surdiu ao lado de nossa mesa, estendeu a mão e disse, com a voz mais vigorosa do que o normal: “Acho que está na  hora de fazermos as pazes”. Marcia fez que nem ouviu, mas eu, em nome da velha amizade, do muito que fizéramos juntos, em nome de tantos leads e sub-leads, apertei a esquálida mão oferecida.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Éramos amigos novamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-8178689028482144852?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/8178689028482144852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=8178689028482144852&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/8178689028482144852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/8178689028482144852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/10/de-lead-em-lead.html' title='De lead em lead'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-7422577314397827014</id><published>2008-10-22T04:04:00.000-07:00</published><updated>2008-10-22T04:07:41.021-07:00</updated><title type='text'>Eterno Murilo</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Antonio Manoel Alves de Lima&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Do mesmo jeito que ele surgia da mesma forma partia sem ninguém perceber, discretamente, mas desta vez, infelizmente, para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua presença para mim sempre foi excitante, um previlégio de estar perante uma pessoa extremamente inteligente, refinada, tímida mas ao mesmo tempo amorosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que se pode pensar, apesar da crença das "fofocas" que Murilo gostava de estar a par, no fundo era apenas para se dar uma dinâmica aos assuntos corriqueiros do dia a dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo não conheci uma pessoa na minha vida mais discreta, leal e bom conselheiro como Murilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou muito grato a ele, pelo que fez a mim e aos meus irmãos principalmente a Ana Carolina, Alfredo e Meméia e posso dizer isso também pela minha sobrinha Michelle, e pelo meu irmão Jorge, além de me ter dado uma irmã maravilhosa, sua filha legítima Carlota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim e para tantos ele deixará eternas saudades, e posso dizer que sempre ele estará nos meus pensamentos e orações e aquele sorriso NOBRE e MAROTO  que NUNCA MAIS esquecerei.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Com extrema admiração afeto e gratidão à você Murilo, Antonio Manoel, Lorenza, Lavinia e Ottavia ALVES DE LIMA&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-7422577314397827014?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/7422577314397827014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=7422577314397827014&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/7422577314397827014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/7422577314397827014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/10/eterno-murilo.html' title='Eterno Murilo'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-3461831457393202425</id><published>2008-10-21T10:25:00.000-07:00</published><updated>2008-10-21T10:28:45.511-07:00</updated><title type='text'>Querido Murilinho*</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mauricio Kubrusly&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não é qualquer império que tem uma Rainha chamada Murilo. Ou vice versa. Na redação do JT, nós tínhamos. Ainda na rua Major Quedinho, aquela mistura de jornal e rádio com um hotel no meio, a chefia não tinha uma sala exclusiva. E isso, sem querer, ajudou muito - o avesso de tantas empresas, inclusive jornalísticas, com seu espaço dividido em baias e salas estanques.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Estadão, que ficava do outro lado do Corredor do Tempo, oferecia privacidade aos comandantes da redação. Não sentíamos inveja - e até mesmo evitávamos cruzar o tal corredor, com receio de envelhecer alguns meses naqueles segundos. A crença quase unânime era: o retorno ao JT não representava desenvelhecer de imediato. E os idosos não eram bem-vindos no Dia do Acepipe, que marcava início da noite de sexta, quando a alegre equipe da Variedades armava um piquenique junto da porta do banheiro. (As páginas destinadas a artes, espetáculos, comportamento foram se multiplicando - felizmente! - sob o cetro da Rainha e o trabalho avançava pela madrugada). O Dia do Acepipe obedecia a regras: cada um trazia um pratinho de doces ou salgados. No final do convescote, todos votavam, pra eleger os melhores acepipes. Depois da apuração, quem tinha levado o melhor doce ou o melhor salgado ficava liberado de trazer petiscos na sexta seguinte. E o festivo lanchinho era exclusivo, apesar das investidas dos vizinhos, do Esporte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Elazinha gostava de rabiscar desenhos toscos durante as reuniões na mesa da Rainha, num dos cantos da redação. (Lembra que a chefia não tinha sala fechada?) Todos podiam ouvir o que se discutia e decidia, não havia porta pra fechar. A Rainha - de terno, muitas vezes de colete e gravata, um contraste radical com o visual da moçada das várias editorias -  a Rainha desenhava também. A diferença é que ela sabia, era absurdamente informada a respeito de tudo do planeta das artes gráficas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era capaz de levar um tempo espichado antes de optar por esta ou aquela família de letras. O desenho da cada página do JT era uma de suas saudáveis obsessões. Aprendia-se muito acompanhando o seu fazer. E o mesmo valia para títulos, escolha das fotos, ilustrações, a sacada original no jeito de abordar o inevitável lugar comum da rotina de qualquer redação. Afinal, se bobear, o jornal repete, todos os anos, uma manchete  assim: Não faltará peixe na Semana Santa. Todo ano tem Semana Santa e todo dia tem jornal. Mas o império da Rainha não tropeçava nessa preguiça. Afinal, se fazia naquele meio andar um diário que sacudiu a imprensa de todo país. Imagine: era um tempo em que era possível distribuir um jornal à tarde, com notícias da manhã, numa São Paulo com milhões de automóveis a menos. E a Rainha, às vezes, vinha pela manhã apenas para desenhar a primeira página. Mas também sumia durante outro dia. Coisas de majestade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era sofisticadíssima nas leituras, uma revelação por semana.  Quem estava por perto recebia dicas e toques preciosos.  Conversava sobre música clássica com Elazinha, uma paixão comum. Graaande Rainha... que se divertia com a mania de apelidos que tomava a redação do JT. Muitos foram batizados pelo Satã, mestre no apelido irrefutável.  Fernando B. foi uma das vítimas - que acabou se tornando apenas B. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que um ambiente nada ortodoxo assim só era possível a partir do comportamento da chefia. Sorte nossa, que estávamos lá. O jornal chegava às bancas direitinho, já convivendo com ensaios de imitação ali e aqui.  E no meio de uma redação não convencional redação como aquela, o editor chefe não repetia a rotina padrão. Às vezes, não comparecia à reunião de pauta, ou virava a noite, ou mudava toda a diagramação em cima do fechamento na gráfica, ou sumia... temperamental como uma rainha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí, o apelido do querido Murilinho .&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;* sim, muitos de nós o chamávamos assim, no diminutivo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-3461831457393202425?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/3461831457393202425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=3461831457393202425&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/3461831457393202425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/3461831457393202425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/10/querido-murilinho.html' title='Querido Murilinho*'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-5932785852135347260</id><published>2008-10-15T05:01:00.000-07:00</published><updated>2008-10-15T05:03:57.879-07:00</updated><title type='text'>Poucos e bons</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Carmo Chagas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo segundo ano do JT, eu já estava informalmente encarregado do noticiário policial. Informalmente porque o Ulisses, meu editor, não me passou essa função. Aconteceu com o correr de cada dia, de cada fechamento. As matérias policiais vinham naturalmente parar na minha mão. De um ponto em diante comecei a me interessar também pela pauta policial, de modo que conhecia cada assunto desde a origem até a hora de copidescar o texto, fazer as legendas, os títulos, paginar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse processo, num dado momento trabalhei com uma das melhores equipes da reportagem policial de toda a imprensa brasileira. Faço essa afirmação não por mim, claro, mas pelos repórteres integrantes dessa equipe. Estavam lá: Percival de Souza, Octavio Ribeiro, Inajar de Souza, Antônio Carlos Fon e, como setorista no DEIC, Valdir Sanches. Quem conhece a reportagem brasileira confirma o que estou dizendo aqui. Eles compuseram uma das melhores equipes de reportagem policial já reunida por qualquer jornal brasileiro. Esse time ajuda a explicar, muito, o sucesso do JT nos primeiros anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nessa época que me dei conta da importância do trabalho de equipe, em jornalismo. Conversávamos sobre isso, nos bares e botecos das vizinhanças do jornal, em encontros com colegas de outras redações. Um dos temas: quem tinha mais importância para o JT, o Mino Carta ou o Murilo Felisberto? O Mino era o número 1, o chefe da redação. Diagramava a primeira e as páginas mais importantes de cada dia. Comandava a operação com classe e algumas explosões de temperamento italiano. Mostrava a importância da ilustração para a boa edição de uma reportagem. Ensinava o cuidado com o uso exato e adequado dos termos e conceitos: se damos nota 10 para um cantor como o Roberto Carlos, que nota daremos ao ouvirmos um Caruso? Além de exigente, o jornalista precisa ser criterioso ao noticiar, ao analisar, insistia o Mino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Já o Murilo, como número 2, secretário da redação, substituía o Mino nas ausências, também diagramava páginas importantes e insistia na necessidade de escrever direito, além de bonito, de apurar fundo, de trabalhar firme e com dedicação. Mas o grande mérito dele, no comecinho do jornal, tinha sido a formação da equipe. Ele conhecia os ninhos de talentos pelo Brasil. Tendo trabalhado antes no Rio, contava com aquela porosidade que então caracterizava o jornalismo carioca. Porque fora Capital e Corte até muito pouco tempo antes. Porque fora sede do Diário Carioca dos anos 40, matriz do novo jornalismo brasileiro. Porque era sede do Jornal do Brasil, marco maior do novo jornalismo nacional, Bíblia de todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo isso o Rio, mais que São Paulo, sabia na época onde estavam pelo país os jornalistas mais talentosos, os gênios mais promissores. E o Murilo sempre teve a mais fina percepção para localizar os bons valores. A maioria dos integrantes da redação do JT estava ali pelas mãos do Murilo. Então, a gente discutia: quem tem mais importância para o jornal, o Mino ou o Murilo? O que vale mais: dirigir uma redação ou fornecer os talentos dessa redação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Participei de várias dessas tertúlias. Pensei muito sobre essa questão. Cheguei à conclusão de que uma função não existe sem a outra. De nada adianta reunir um timaço, apenas, sem contar com quem mantenha esse grupo unido e entusiasmado. Além do mais, devo registrar que vários dos principais integrantes da equipe estavam ali por obra do Mino. E que o Murilo, além de exímio garimpador de talentos, também contribuía para manter o time.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma outra discussão surgiu diante de mim pela primeira vez, naqueles tempos: o que é mais importante para um jornal, a opinião ou a informação? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem touxe o tema foi o Murilo, numa das ocasiões em que substituiu o Mino durante alguns dias (não me lembro, aliás, de o Mino tirar férias; ficava fora uns quatro ou cinco dias, muito esporadicamente). Além de tocar a edição de cada dia, o Murilo teve também que comparecer a uma reunião de diretoria com a participação do pessoal do Estado. Parece que, em dado momento, alguém disse que faltava ao JT o lastro que uma opinião confere. Aí outra pessoa argumentou que, no caso de um vespertino jovem, com noticiário voltado para a efervescência paulistana, a informação interessava mais. Desse ponto em diante todos passaram a discutir a prevalência entre opinião e informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para nós, safra nova da profissão, não havia o que discutir. A informação em primeiro lugar. Ponto final. De minha parte, naquela época, pensava que a opinião só servia para atrapalhar. Às vezes tocava a mim baixar a página dos editoriais. Morria de vontade de reescrever aquilo tudo. Aqueles períodos longos demais, a enorme distância entre sujeito, verbo e objeto, o estilo tortuoso de expor um ponto de vista, tudo aquilo me parecia torturante para o leitor. Por que tanto meandro, por que tanta cerimônia, em vez de ir direto ao tema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a minha resistência aos editoriais não se devia apenas ao trabalho que às vezes me davam. Na verdade, eu nunca lia editoriais. Nem os do Jornal do Brasil, tão reverenciados em toda roda de jornalistas. Eu estava convencido, também, de que pouquíssimos leitores se davam esse trabalho de ler a opinião de seu matutino ou vespertino.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Sei, hoje, que continuam pouquíssimos os leitores de editoriais. Mas aprendi que os editoriais são escritos exatamente para esses pouquíssimos. Os empresários mais sólidos, os políticos mais perspicazes, os economistas mais consistentes, os intelectuais mais atentos constituem a elite interessada na opinião que vem todo dia impressa na imprensa. Ali se encontram as reações às notícias que mais preocupam, mais entusiasmam. O estilo do texto, para essa gente, conta muito; mas bem menos que a substância, o núcleo do pensamento exposto naqueles textos. A massa de leitores vai atrás das manchetes, das notícias mais quentes de cada dia. Atiram-se com sede à informação. A elite vai atrás das páginas de opinião com a mesma sede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele tempo, porém, nós da nova safra ainda não estávamos prontos para enxergar a importância da opinião. Escutamos como piada o relato do Murilo. Rimos e voltamos para o ofício de trabalhar cada legenda, cada título, cada texto, cada página com o maior esmero, com o maior carinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-5932785852135347260?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/5932785852135347260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=5932785852135347260&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/5932785852135347260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/5932785852135347260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/10/poucos-e-bons.html' title='Poucos e bons'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-5748332998508371349</id><published>2008-10-14T07:03:00.000-07:00</published><updated>2008-10-14T07:10:05.809-07:00</updated><title type='text'>Dez vezes Murilo</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Guilherme Duncan&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu poderia começar assim: “Murilo Felisberto foi um gênio da criação gráfica, um editor de mão cheia, um pauteiro instigante, um sócio da confraria do bom texto, um tituleiro clássico. Sua trajetória profissional, ainda que entremeada por passagens pela Publicidade, brilhou notadamente no Jornalismo, alcançando o ponto mais alto na época em que pela primeira vez dirigiu a redação do Jornal da Tarde, quando consolidou o êxito de uma publicação que iria influenciar mudanças em toda a Imprensa brasileira”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaria correto, Murilo Agostini Felisberto foi tudo isso mesmo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu poderia também acrescentar alguns toques sobre sua personalidade, os desenhos minimalistas que rabiscava, as amizades leais e implicâncias pessoais (a propósito, por conta de uma certa caturrice acabou brigando, definitivamente ou não, com muita gente boa). Depois, viria o relato de seus principais trabalhos e realizações.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma estrutura de texto que agradaria ao próprio, se bem o conheci. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não vou fazer desse jeito. Outros autores podem escrever com maior propriedade nesses termos. Quero simplesmente homenagear o Murilo contando  algumas histórias que possam trazê-lo de volta, ainda que por fugazes momentos, à memória dos leitores que o conheceram. São episódios que lembram um pouco seu humor, suas manias e sua incrível capacidade de conhecer, de nome ou pessoalmente, gente de redações do Brasil e até do Exterior. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Além de tudo, se ele fosse o editor, tenho certeza de que iria escolher também esse formato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quase 45 anos, Murilo já perseguia e obtinha informações sobre o que acontecia e “quem era quem” nas redações. Desculpem se esta é uma história em que o autor aparece bem, mas as coisas se passaram assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fins de 1963 ou início de 1964. A Sucursal do “Jornal do Brasil” em São Paulo, na Barão de Itapetininga, estava recém-formada, com uma jovem e talentosa equipe de redação com Rolf Kuntz, Carlos Brickmann, Miguel Jorge, Laerte Fernandes, Ebrahim Ramadan, Bernardo Lerer, Antônio Carlos Schiavetto, Helio Fabri e certamente outros cujos nomes completos me escapam. Eu também era repórter lá. Na fotografia, Wilson Santos e Manoel Motta.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O JB vivia sua época de ouro. Murilo reinava no famoso Departamento de Pesquisa, no velho prédio da Av. Rio Branco, no Rio. Ele ainda não conhecia pessoalmente a maioria de nós. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilo foi visitar a sucursal. Era uma visita importante, provavelmente a primeira de alguém vindo da redação da Matriz. Imediatamente, formou-se uma rodinha em torno dele. A curiosidade era recíproca. A conversa acabou se encaminhando para o tema que o Murilo iria continuar debatendo nas quatro décadas seguintes: quem era melhor do que quem nas redações. Até que o grupo fez uma pergunta difícil de responder: qual era a melhor sucursal do JB, a de São Paulo ou a de Belo Horizonte? Ele não se fez de rogado diante de nossa presença: na sua opinião, a sucursal de BH era melhor. E explicou o motivo de sua preferência. No final, emendou uma ressalva:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas a equipe de vocês é excelente. Tem um rapaz aí, por exemplo, que está começando agora, mas já li coisas dele, é muito bom. O Guilherme. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era eu, um desconhecido iniciante. Evidentemente, o Murilo não sabia que eu estava presente. Seguiram-se as apresentações, nós dois até meio constrangidos. Foi o mais significativo elogio profissional que recebi na vida.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximadamente uma década passada, na fase Jornal da Tarde, estávamos jantando após o fechamento. Murilo chegou ao restaurante já com aquele sorriso de “rainha”, que indicava novidades. E começou a falar, gesticulando como era seu hábito, com a mão direita balançando em movimentos curtos, o indicador em riste e os outros dedos fechados: &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;- Já souberam como terminou a disputa na redação? &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não tínhamos a menor idéia. Que disputa, que redação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuidadosamente, depositou numa cadeira a pilha de jornais e revistas que  carregava, e contou: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No “New York Times”, ontem. Quem assumiu a Política foi ... (e declinava nome e sobrenome), atual responsável pelo noticiário de Cidade, um grande profissional, vai dar uma melhorada na editoria. Com isso, o comando da redação se fortalece; além de tudo, o ... (citava o nome do editor que caiu) era um cara muito mal humorado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por aí foi, falando com tal autoridade que parecia ter saído há pouco da redação do NYT, cuja sede só podia estar localizada ali perto, na Paulista ou numa daquelas alamedas que descem para os Jardins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem, por acaso, conseguisse bisbilhotar a pilha de jornais e revistas que Murilo freqüentemente carregava, certamente encontraria lá exemplares do “New York Times”, da “New Yorker”, “Graphis”, “Communications Arts”, “Le Monde”, “Time”, “Financial Times”, entre outros, para ficar só na lista das publicações estrangeiras mais compradas por ele (o livreiro Paulo, da Bux, era seu fornecedor). Devia gastar um dinheirão, mas, naquela época ainda distante da Internet, isso o mantinha atualizadíssimo sobre o movimento editorial nos principais centros do primeiro mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai de quem ousasse mexer numa pilha intocada, nem que fosse apenas para ver as capas. Corria o risco de rompimento de relações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse quadro, certa vez (pouparei detalhes, mesmo porque a memória não ajuda) fui testemunha de uma cena de quase terror. Na mesa de um restaurante da moda,  juntou-se a nós um conhecido do Murilo. Uma autoridade pública – municipal, creio eu. Bem falante, expunha com ênfase uma situação qualquer quando, de repente, para ilustrar sua argumentação, sacou de uma caneta e passou a escrever nas margens dos jornais da pilha, colocada sobre a mesa. Lívido, Murilo assistia à cena estupefato, sem qualquer poder de reação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do jantar, já fora do restaurante, é que pudemos perceber que os jornais maculados haviam sido deixados lá. Murilo foi comprar outros exemplares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo em que era capaz de discorrer judiciosamente sobre as qualificações profissionais de colegas, não dispensava o lado frívolo das informações – ou, mais exatamente, uma boa fofoca. Quem estava namorando quem, em que redação, quem era a musa do momento e coisas assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meados dos anos 80, no Rio, numa reunião com diversos participantes, pedi a opinião dele sobre determinada jornalista considerada (por mim também) de muita competência – e que ele conhecia. Sua resposta ao plenário:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Todo mundo diz que são as pernas mais bonitas da redação do JB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois é que falou (bem) do trabalho dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, no meio dessa conversa de saber quem era quem, quem era bom e quem não era, o Murilo costumava fazer uma brincadeira concedendo títulos imaginários de “melhor jornalista”, partindo do princípio de que cada um de seus amigos (ou não) deveria ser o melhor jornalista pelo menos da cidade onde nasceu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele próprio se intitulava o melhor jornalista de Lavras (MG), sua terra natal. Pelo mesmo critério, Fernando Mitre era o melhor jornalista de Oliveira; Carmo Chagas era o melhor de Inhapim; Kleber de Almeida, o melhor de Guanhães; Rolf Kuntz, o de Antonina – e assim por diante. A mim, dizia que eu só não era o melhor jornalista de Campos (RJ), porque tinha na praça o Oldemário Touguinhó – grande repórter, saudoso amigo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns, cuja procedência não era o interior ou em cuja cidade natal habitavam conterrâneos mais famosos, conseguiam o título de “melhor jornalista da rua onde moravam”; outros podiam ser o melhor da rua, mas com restrições: “só do lado par, no trecho que vai da casa dele à esquina”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, durante uma avaliação desse tipo, comentou sobre um casal, ambos jornalistas, naturalmente morando juntos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Fulano, hem? Não consegue ser o melhor jornalista nem na própria casa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 70, um grupo de jovens jornalistas publicou um livro de contos intitulado “Isto o jornal não conta”. Eram diversos autores, quase todos repórteres do próprio JT que o Murilo chefiava, adentrando o perigoso terreno da ficção, cada um contando sua história. Murilo leu (ou, pelo menos, disse que leu) o livro e depois sentenciou, naquele estilo de “cometo uma injustiça mas não perco a piada”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, isto jornal não conta mesmo. O meu, então, nem pensar ...   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um editor do JT sugeriu a contratação de certo repórter prestes a deixar o jornal onde trabalhava. A justificativa era a de que a concorrência estava fortalecendo seu reportariado e era preciso acompanhar esse movimento. Como Murilo desaprovava o indicado, deu uma daquelas respostas típicas de quando queria dizer 'não' sem muitas explicações:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Faz o seguinte: vê se indica esse nome para a concorrência. Se der certo, ele não fica desempregado e nossa equipe pula na frente.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua paixão era sem dúvida o Jornalismo. Numa das vezes em que estava trabalhando em Publicidade, Murilo foi convidado por mim e pelo Ruy Portilho para integrar a Comissão de Julgamento do Prêmio Esso de Jornalismo, em 1996. Ele foi escolhido porque, antes de tudo, era uma autoridade na profissão e, mesmo temporariamente afastado das redações, continuava acompanhando o movimento editorial; além disso, tinha experiência como jurado do Prêmio Esso em anos anteriores, com exemplar atuação.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua resposta nos comoveu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Este convite de vocês foi a melhor notícia que recebi nos últimos tempos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a volta dele, ainda que breve, para uma convivência e um ambiente que certamente o faziam mais feliz.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem se lembrou dessa foi o Fernando Portela, repórter dos bons, escritor/editor pernambuco-paulistano que dá gosto de ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram avisar que determinado repórter, não um dos preferidos do Murilo, contou ter recebido uma proposta de suborno em plena apuração da reportagem que fazia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Murilo, sabia que estão tentando comprar o Fulano de Tal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele, sem tirar os olhos do espelho de página que preparava: “Vende, vende...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10&lt;br /&gt;No período de sua derradeira passagem pelo JT, um dia fui visitá-lo na redação. Encontrei-o inconsolável por causa de uma matéria que havia pautado sobre uma garota de rua que queria ser top model. Não me recordo o motivo dessa moça ter aparecido no noticiário nem seu nome, mas isso não importa muito. A idéia do Murilo era vestir a menina, usando diversos modelos, fotografá-la em locais diferentes da cidade e contar a história. A matéria não foi feita a tempo e um outro jornal se antecipou, publicando algo parecido. O furo derrubava a pauta do Murilo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bill, não existem mais repórteres. Os que estão hoje aí só têm ouvidos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava meio triste, meio zangado. Conversamos mais um pouco, eu disse que era hora de voltar para o Rio, ele me abraçou e entrou na sala para a reunião da tarde. Foi nosso último encontro, quarenta e tantos anos depois daquele elogio do qual jamais me esqueci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Guilherme Duncan, jornalista, integrante da equipe pioneira do JT, atualmente coordenador do prêmio esso de jornalismo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-5748332998508371349?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/5748332998508371349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=5748332998508371349&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/5748332998508371349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/5748332998508371349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/10/dez-vezes-murilo.html' title='Dez vezes Murilo'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-731644222168804015</id><published>2008-09-27T09:26:00.002-07:00</published><updated>2008-09-27T09:31:29.632-07:00</updated><title type='text'>Murilinho, o Magnífico</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Júlio Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ser sincero, eu não fazia parte da corte da “Rainha”, ou seja, daquele grupo da redação do JT mais íntimo do Murilinho. Mas havia entre nós algo em comum: o interesse por São Paulo. Eu, “repórter de cidade” ingênuo, acreditava que o urbanismo e uma boa administração municipal seriam a salvação de todas nossas mazelas. Ele, com uma visão bem mais ampla do mundo, era mais cético – e estava com a razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, Murilinho me perguntou sobre o que eu achava de uma determinada rua nos Jardins onde ficava um apartamento de seu interesse. Eu, prestimoso, passei-lhe algumas informações sobre o zoneamento da região, o que supostamente lhe garantiria um uso permanentemente residencial, por isto e por aquilo, blá-blá-blá. Hoje sei que fui ridículo, dando uma resposta  técnica para uma pergunta que tinha outro sentido. Murilinho, pragmático, queria apenas saber se vidros blindados abafariam o barulho das avenidas próximas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu no sonho, ele na realidade. Penso que o segredo de sua genialidade era justamente esse senso agudo do real, do qual se apossava para dedilhar uma manchete irretocável ou desenhar  mais uma de suas páginas criativas. Com Murilinho, o JT não tinha primeira página: eram “capas”, como se revista fosse. Uma revista diária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inesquecível a valorização que sua criatividade deu a uma reportagem que fiz sobre 200 prédios considerados, na administração Olavo Setúbal, “bens culturais” da cidade. Foram duas páginas centrais, com as fotos de todos os 200 prédios, formando um mosaico que até o prefeito me confessou guardar em seu arquivo como guia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob seu comando, o JT foi o precursor do jornalismo de serviços de lazer e de grandes reportagens sobre temas gerais de São Paulo. Quem não se lembra do “Divirta-se” ? – que ele, inclusive, tentou empreender como revista independente. A “Vejinha” é a sua versão atualizada. Quem não curtia (no sentido figurado da palavra) os textos igualmente curtidos (no sentido correto da palavra) por jornalistas de renome, alguns dos quais viraram autores de best-sellers.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhor do real, Murilinho era um hábil transformador de rotinas. Que o digam aqueles editores que ele submetia de tempos em tempos a uma dança de cadeiras, realocando o titular da Economia para a editoria de Esportes, o de Esportes para a Política,  e assim por diante.  Todos na redação sabiam que a um rodízio sucederia outro, mas o intervalo exato era sempre uma surpresa – essa, aliás, outra característica de Murilinho. Nem todos saiam contentes. Ouso dizer que a prática era mesmo o terror da corte, mas sem dúvida ela ampliou muito a versatilidade dos editores que captaram seu valor e deu a nós, repórteres, a oportunidade de vivenciar diferentes chefias e orientações. “Rainha” era só um apelido folclórico. Na universidade que foi o JT em sua época, o mais correto seria chamá-lo de “Magnífico Senhor Reitor”. Já estou vendo o movimento dos dedos de sua mão direita  ensaiando uma contestação, traída por um sorrissinho que retratava bem o que se passava em seu ego...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Júlio Moreno (“Repórter de Cidades” e Chefe-de-Reportagem de Economia do JT nas décadas de 70 e 80)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-731644222168804015?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/731644222168804015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=731644222168804015&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/731644222168804015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/731644222168804015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/09/murilinho-o-magnfico_4977.html' title='Murilinho, o Magnífico'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-2893939389255932741</id><published>2008-09-24T07:03:00.000-07:00</published><updated>2008-09-24T07:08:59.968-07:00</updated><title type='text'>Aprendiz de feiticeiro</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Vital Bataglia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei dizer ao certo, mas ele não passava dos 55 quilos para seu metro e setenta - se tanto - talvez menos. Tinha os cabelos grisalhos, o que me fazia supor ser bem mais velho do que eu, por isso me surpreendi quando vi o seu necrológico. 67 anos?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Murilo Felisberto era o segundo homem da redação quando fui contratado, ainda no número zero do JT. O primeiro era Mino Carta, com seu salto carrapeta e gravatas estravagantes. Ambos desenhavam um novo jornal. Um deles era técnico, traços fortes, simétricos, títulos em egypcienne, caixa 72 ou 84, o outro, traços finos, títulos em futura light.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos criando um novo paradigma do jornalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, um aprendiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos primeiros dias do jornal, disse ao meu editor que o presidente do Corinthians estava trazendo o jogador Garrincha, do Botafogo, para exames médicos. Se aprovado, seria contratado. As chances de ser aprovado eram iguais a zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mino Carta me chamou. Disse-me para levar uma camisa do Corinthians ao aeroporto de Congonhas, onde Garrincha chegaria com Elza Soares às 9 da manhã. Fui para lá com o fotógrafo Amilton Vieira. Assim que Mané Garrincha desceu do avião eu lhe coloquei a camisa e Amilton fez uma foto linda, ele sorrindo, ajeitando a gola.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;A manchete do JT foi esta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-VEJA MANÉ CORINTHIANO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é preciso dizer que meu texto, assim como o exame médico se tornaram absolutamente dispensáveis depois da foto de página inteira de Garrincha com esse título.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginei que nada poderia ser mais criativo.&lt;br /&gt;Me enganei.&lt;br /&gt;No mês seguinte, fevereiro de 1966, Murilo Felisberto nos chamou.&lt;br /&gt;Queria uma foto especial do casamento de Pelé e Rose. O casamento foi na casa de Pelé, na rua Almirante Cockrane, 123, Embaré. Pelé e Rose no altar, eles de mãos dadas às costas dela, aquele vestido branco, as mãos clarissimas constratando com o dorso da mão de Pelé. Foi a foto de primeira página do Murilo, se bem me lembro de&lt;br /&gt;autoria de Alfredo Rizutti.Estávamos apenas no começo. Quando nasceu a filha deles, Kelly Cristina, o Murilo me chamou e&lt;br /&gt;perguntou-me:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Como ela é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-A cara do pai. Eu respondi.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A manchete do jornal:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Olhos de Pelé, nariz de Pelé, boca de Pelé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, em 1968, Mino Carta saiu do JT para fazer a revista Veja.&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;Anos depois, sairam com o Mu do JT.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então eu entendi que não tinha mais nada para fazer lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a morte do MU, não há mais a menor possibilidade de se refazer a dupla, assim como nunca mais teremos Pelé e Garrincha no mesmo time.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-2893939389255932741?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/2893939389255932741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=2893939389255932741&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/2893939389255932741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/2893939389255932741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/09/aprendiz-de-feiticeiro.html' title='Aprendiz de feiticeiro'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-5027274355189568490</id><published>2008-09-17T11:22:00.001-07:00</published><updated>2008-09-24T12:41:47.705-07:00</updated><title type='text'>Sem perdão</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Eric Nepomuceno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade verdadeira, ao longo dos últimos anos foram poucos os nossos encontros. Nos falávamos por telefone, isso sim, a cada três, quatro meses. Murilo ligava só para perguntar como eu estava, queria saber de Martha, de Felipe, dizer que sentia saudades e disparar um par de malvadezas. Outras vezes, para contar de viagens. Ou para falar de nossos amigos ou de gente que conhecíamos. E então aproveitava, é claro, para largar outro par de malvadezas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os encontros, ultimamente, aconteciam ao acaso, em algumas de minhas poucas idas a São Paulo. E sempre em restaurantes. Comentávamos essa coincidência, combinávamos jantar juntos na próxima vez, e acabou que essa próxima vez não aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não importava: a cada reencontro eu dizia a ele que era como se tivéssemos nos visto uma semana antes. Ou seja, nada mudava ou mudou entre nós, nada nos distanciou, ao longo dos exatos 40 anos de uma relação do mais cálido afeto, de uma amizade sem tréguas. Murilo foi testemunha de meus anos jovens, os decisivos. E jamais deixou de me acompanhar. Eu sabia disso, ele também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era preciso encontrar o Murilo para que ele continuasse a ocupar em minha vida o espaço que ocupou desde sempre.&lt;br /&gt;Murilo, para mim, era uma espécie de joelho. Explico: quase nunca olho para os meus joelhos. Mas caminho graças a eles. Sei que estão onde estão, e isso me basta. Conto com eles para seguir em frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim era o Murilo na minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, é de uma ironia amarga e dolorida perceber, como percebo, que não consigo escrever sobre ele.&lt;br /&gt;Logo eu, que com Murilo aprendi tudo que sei de meu ofício, inclusive a escrever e a viver do que escrevo, não consigo. É como se quisesse guardar nossas histórias só para mim. Talvez porque em silêncio elas permaneçam intactas, inalcançáveis pelo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, vou dizer apenas que ao longo de toda a minha vida profissional, os anos cruciais, os melhores, foram aqueles passados no Jornal da Tarde, entre 1969 e 1976. Éramos todos absurdamente jovens, e sabíamos que estávamos participando, comandados pelo Murilo, de alguma coisa importante, que nos marcaria para sempre. São de lá minhas lembranças mais profundas. As intocáveis, as permanentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quero também dizer que jamais me ocorreu a idéia de algum dia estar escrevendo sobre ele sabendo que, desta vez, Murilo não vai ler o texto para depois demolir tudo com afiada graça e pontaria certeira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca disse ao Murilo o quanto devo a ele. Eu não imaginei jamais o quanto sentiria sua falta, simplesmente porque nunca pensei que essa falta aconteceria alguma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora isso já não importa. Murilo cometeu a indelicadeza suprema de ir embora. E de me deixar um vazio sem limite nem remédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa malvadeza, não vou perdoar jamais. Jamais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Conheci murilo felisberto em 1968, e me orgulho ao dizer que foi amizade à primeira vista. lembro que ele tinha um carrinho esporte, um willys interlagos, que não funcionava nunca mas impressionava as moças. eu brincava dizendo que aquilo não era carro, era um devaneio. Só comecei a escrever para o jornal da tarde em 1970, e só fui contratado em 1971. Em 1973 fui para buenos aires, como correspondente. e, três anos depois, saí do jt e passei a ser correspondente da 'veja' (a daqueles tempos), primeiro em buenos aires, depois em madrid e finalmente, de 1979 a 1982, no méxico e américa central. Portanto, trabalhei com o murilo felisberto, lado a lado, entre meados de 1970 e o começo de 1973. e, à distância, até abril de 1976. De longe, acompanhei a ida do murilo para a dpz, sua breve passagem pelo jornal do brasil, seu retorno ao jt, seu regresso à publicidade, seu afastamento de tudo para se dedicar a ouvir música, ler aquela infinidade de revistas, à sua maneira de tratar com as fragilidades da vida. A partir da minha saída do jt, não tornamos a trabalhar juntos. Com isso, quero dizer que nossa amizade, que permaneceu intacta até o fim, não dependeu, em nenhum momento, de circunstâncias profissionais. Abandonei o jornalismo cotidiano em 1986 (ou fui abandonado por ele) e, desde então, me dedico a viver do que escrevo -- livros, traduções, eventuais trabalhos para documentários, de vez em quando alguma coisa para a imprensa. Ou seja, me dedico a viver de algo que aprendi, em boa parte, com o Murilo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-5027274355189568490?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/5027274355189568490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=5027274355189568490&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/5027274355189568490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/5027274355189568490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/09/sem-perdo.html' title='Sem perdão'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-1003442392848622716</id><published>2008-09-17T11:22:00.000-07:00</published><updated>2008-09-17T13:37:33.977-07:00</updated><title type='text'>Murilo à primeira vista</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Heloisa de Araujo Moreira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti uma mão muito leve no ombro, e alguém falou com um fio de voz: estava observando vocês da minha mesa.  Eram típicos o sussurro, o chegar sorrateiro, a recusa da cadeira oferecida: preferia jantar sozinho, na mesa costumeira do restaurante Spot.  Eu tenho minhas manias - ele explicou, como se precisasse. Voltou para se despedir e saiu andando um pouco encurvado, óculos na ponta do nariz, revistas embaixo do braço, devagar como se anda nas calçadas do interior de Minas Gerais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a última vez que vi Murilo Felisberto. Mas a imagem é a mesma da primeira, quando o conheci no final dos anos 60, estudante ainda, fascinada pelo Jornal da Tarde e pelas noitadas em  cantinas paulistanas escutando conversas de redação. Alguém já o viu andar apressado? Sem revistas ou jornais embaixo do braço? Sem entremear a conversa com sorrisinhos irônicos cheios de significado, carregados da intenção de desarmar o interlocutor?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só bem mais tarde convivi profissionalmente com Murilo, no breve Viver e no JT, onde minha primeira tarefa foi fazer um caderno de Natal.  O convite foi feito noutra mesa, numa madrugada de 1976 em que lamentávamos o fechamento do jornal onde ele tinha investido suas economias. Sem-cerimônia, numa época em que o comércio de luxo era bem mais acanhado, além de presentes convencionais recheei o suplemento com sugestões   extravagantes: colar de diamantes da Tadini, vasos de cristal Gallé, edições de livros raros, bengalas de castão de prata e pince-nez de ouro garimpados em antiquários do centro da cidade. Murilo adorou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempos depois, noutra madrugada, noutra cantina, provocou: pensei muito em te despedir do JT ... você ousou questionar uma ordem minha. Ele se referia a um episódio já antigo, quando eu havia feito uma pergunta para entender uma decisão de redação. Murilo arquivava mágoas e recados escritos em pedaços de laudas. Ora, Murilo, jornalistas perguntam – argumentei, e bebemos mais uma garrafa de vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilo era sofisticado, obcecado pela forma, pela precisão, pelo detalhe. Passou anos fazendo a reforma ideal de um apartamento. Comprou dezenas de CDs  que colecionava sem ter onde tocar, à espera do aparelho de som perfeito. Desencantou-se com uma namorada quando ela cometeu o desatino de pendurar uma vulgar samambaia  na sala. Viajou a Londres (ou foi a Paris?) para passar uma semana trancado no quarto do hotel e ler, ler sem parar, jornais e revistas que não encontrava no Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não sobreviveria muito tempo a essa época de mesmices.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Trabalhei como repórter no Caderno de Variedades do JT entre 1976 e 1982. Fiz duas matérias para o Viver em 1976, que fechou antes das matérias serem publicadas.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-1003442392848622716?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/1003442392848622716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=1003442392848622716&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/1003442392848622716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/1003442392848622716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/09/murilo-primeira-vista.html' title='Murilo à primeira vista'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-3909081169674477598</id><published>2008-09-15T04:26:00.000-07:00</published><updated>2008-09-17T11:36:37.050-07:00</updated><title type='text'>Branco sobre branco</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sandra Abdalla&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Considero que uma das sortes que tive na vida foi  conhecer o Murilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inteligente, curioso , um grande e querido amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo que entrei no Jornal(da Tarde em 1970), o Murilo costumava levar os desenhistas até a sua casa.Toda branca. Ficavamos enlouquecidos com o volume de livros sensacionais, empilhados pelo chão.Enquanto folheavamos aquela maravilha, sem saber por onde começar, ele me perguntou o que eu gostava em música, já que em desenho o meu predileto era o Steinberg e  o dele o André François. Disse que achava o Satie o mais próximo dos que gostam de desenho.Logo depois, o som da "Gymnopedie" invadiu a sala. Fui conferir  qual LP, que também aos montes ficavam encostados nas paredes, estava tocando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá estava o querido Murilim, tocando em seu piano de cauda também branco...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“Conheci o Murilo  em 1969 e fui trabalhar no JT em 1970. Acho que fomos bastante próximos durante todo o tempo.&lt;br /&gt;Mesmo quando ele saiu do jornal mantivemos um contato constante. Acompanhei as mudanças de endereço e reformas que ele fez pela vida. O Murilo foi uma pessoa de que gostei muito.Toda novidade que eu via quando viajava , tinha certeza que ele também se interessaria. Infelizmente nesta última viagem não deu tempo para a gente se encontrar e trocar figurinhas. É uma pessoa que faz falta.”&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-3909081169674477598?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/3909081169674477598/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=3909081169674477598&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/3909081169674477598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/3909081169674477598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/09/branco-sobre-branco.html' title='Branco sobre branco'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-1351616114167466167</id><published>2008-09-11T11:51:00.001-07:00</published><updated>2008-09-11T11:56:45.933-07:00</updated><title type='text'>Murilo</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Marcos Magaldi&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa, como é difícil escrever sobre um amigo de mais de trinta anos!&lt;br /&gt;O que falar? Outro dia, pensando no assunto, vi que não tinha nenhuma foto dele. Por falar nisto, apesar de termos trabalhado mais de trinta anos juntos e, em alguns momentos, com convivência praticamente diária, nunca fiz uma foto do Murilo.&lt;br /&gt;Que engraçado....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu o conheci quando entrei no Jornal em 1973  mas, naquela época, ele era uma figura distante, editor chefe do JT, com quem, nós fotógrafos, tínhamos pouco contato. Quando saí do jornal em 1979, depois de uma fracassada greve dos jornalistas, fui trabalhar com ele na Revista Senhor Vogue, que ele estava editando naquela ocasião. Nunca conheci ninguém com o faro jornalístico dele. Basta lembrar que, já naquela época, a revista publicou a primeira grande matéria com o Lula, um ótimo perfil do Tancredo, sem esquecermos também da reportagem feita com ACM, muito antes de qualquer órgão de imprensa pensar no assunto. Quando escuto falar que o Murilo era apenas um bom diretor de arte, vejo como ele nem sempre foi compreendido na sua trajetória de homem de imprensa. Criador de títulos e seções dentro do JT, que até hoje são inesquecíveis, Murilo era também um ótimo coordenador de colaboradores, trabalhando muitíssimo bem com equipes de 200 ou mesmo de 15 pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de sua saída da revista, em 1980, acabou se revelando também um excelente homem de criação em publicidade, onde foi responsável pela formação de uma geração de diretores de arte e redatores, até hoje seus discípulos fiéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalhamos muito tempo juntos e hoje me parece curioso como pessoas tão diferentes como nós dois, pudessem conviver de maneira produtiva, mas era o que acontecia. Simplesmente nos entendíamos. Aprendi com ele a gostar de maneira quase obsessiva de revistas, não importando muito o gênero de publicação, apenas sua qualidade editorial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilo também adorava informação de qualquer natureza, desde a fofoca mais trivial ,até o furo jornalístico internacional. Lia uma quantidade oceânica de publicações, mas nunca nutriu grande afeto pela tecnologia, ou pela Internet e só recentemente o vi falando em usar computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um homem de fases,  quando reformou seu apartamento na praça Buenos Aires durante vários anos, ficou fanático por arquitetura e vivia com revistas especializadas de baixo do braço, para lá e para cá. É claro que o resultado não poderia ser mais impressionante, já que sua preocupação com detalhes chegava às raias da insanidade. Nesta ocasião conheci uma outra faceta do Murilo. Seu gosto por piano (Chegou a ter alguns ao mesmo tempo) e por música de câmara, além do seu enorme conhecimento de som. Com o tempo, virou inclusive um grande “audiófilo”, comprando uma aparelhagem inigualável, da qual tinha um inegável orgulho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive com ele uma semana antes de se internado, num almoço onde ele era convidado mais uma vez par dirigir uma publicação. Não mostrou especial interesse, dizendo que estava retirado, que sua época terminara. Não me pareceu justo, mas infelizmente neste caso não era uma “boutade”. Nos despedimos rapidamente e não mais estive com ele. Talvez tenha sido melhor assim. De qualquer forma, ele fará muita falta...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-1351616114167466167?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/1351616114167466167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=1351616114167466167&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/1351616114167466167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/1351616114167466167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/09/murilo.html' title='Murilo'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-120443038847968031</id><published>2008-09-10T07:03:00.003-07:00</published><updated>2008-09-10T07:06:22.661-07:00</updated><title type='text'>Nosso parquinho de diversões</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Gabriel Manzano Filho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Americanos morrem no Vietnã, a ditadura acaba de cassar três deputados, o Corinthians em crise pega o Santos de Pelé e tudo isso é tão corriqueiro, tão enfadonho que ao chegar à redação, ali pelo meio-dia, Murilinho já vem de cara fechada e imaginando como será possível fazer um jornal diferente no dia seguinte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não entra na redação, ele se infiltra, como dizíamos naqueles anos 70.  O passo miúdo, ombros encolhidos, jornais debaixo do braço, olhando de esguelha, corre direto pra sua sala lá no fundo. Se vier assobiando a 40 de Mozart, aqueles famosíssimos primeiros compassos,  e sorrir para os dois primeiros que encontrar, é sinal de que o dia vai começar bem para todos. Mas se passar em silêncio e se tiver debaixo do braço o Jornal da Tarde do dia, dobrado e com um título ou texto circulado em vermelho, dentro de dez minutos vai sobrar uma bronca daquelas para alguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo coisa grave, ele nem chama: manda recado. Como punição complementar, poderá ficar alguns dias sem falar com o vilão que lhe estragou o café da manhã. Manda a justiça que se diga: às vezes essa sibéria se estendia por semanas, e ai de quem não tivesse estrutura emocional para resistir. Murilo vivia o jornal com tal intensidade, os erros o incomodavam de tal modo que lhe parecia justo cobrar caro dos seus autores. "Não liga não, é o jeito dele", diziam uns para os outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vistos assim de longe, aqueles bons anos, tão repletos de maus momentos, mais parecem um terrível vestibular do qual, hoje, a gente se orgulha. Não era medo de desemprego, essa praga ainda não existia. Era outro medo, o de ser expulso daquele divertidíssimo parque de diversões, com seu obsessivo campeonato de inteligência em que o melhor lead, a melhor piada ou o trocadilho mais criativo valiam gloriosos minutos de fama ao seu autor. Uns como estrelas, outros como aprendizes, jogávamos num time dos sonhos do qual nem o Ato 5, as cassações ou o terrorismo conseguiam nos tirar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se às vezes faltava ao Murilo paciência para a diversidade, vamos relembrar o poeta: tudo valia a pena porque a vida, definitivamente, não era pequena. Havia, no ar, naquela redação, um permanente lobby contra a banalidade e em defesa da inteligência. Ali aprendemos todos, quase brincando, a arte de fazer perguntas, de inventar pautas inéditas todo dia, de só gostar de um texto depois de tê-lo mudado cinco ou dez vezes.  Até o ambiente em volta colaborava: eram tempos do Santos de Pelé, dos Beatles e de Cassius Clay, dos festivais, da seleção de 70 no México... ou seriam os nossos olhos que achavam tudo em volta tão especial? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi esse o outro lado da moeda, e não foi pouco. Olhando em volta, hoje, tantos daqueles jornalistas tão bem-sucedidos,  fico me perguntando quanto desse sucesso seria inevitável por força de talentos individuais. E quanto dele só aconteceu porque, naquela dourada década inicial do JT, implantada por Mino Carta - até que ele saísse para fazer a Veja, em 1968 - e mantida em estado de permanente inspiração pelo Murilo, todos se acostumaram a trabalhar sonhando e a fazer do esforço máximo uma rotina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Gabriel foi pesquisador, redator e sub-editor do JT entre 1966-1968 e 1970-1975&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-120443038847968031?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/120443038847968031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=120443038847968031&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/120443038847968031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/120443038847968031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/09/nosso-parquinho-de-diverses_7026.html' title='Nosso parquinho de diversões'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-3669574485771885644</id><published>2008-09-09T14:50:00.000-07:00</published><updated>2008-09-09T14:52:40.374-07:00</updated><title type='text'>Dez anos</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Simone Pessine Buhrer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corpo frágil e judiado pela vida, precisando de colo, cuidados e disciplina; mente sábia, generosa e amiga.&lt;br /&gt;Um grande desafio que se tornou aprendizado de 10 anos.&lt;br /&gt;Disciplinar e cuidar de um corpo físico frágil, comandado por uma mente forte e completa, essa experiência muito me acrescentou e só tenho a agradecer.&lt;br /&gt;Meu pai, meu amigo e meu querido paciente..... &lt;br /&gt;Saudades e eterno carinho.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;Simone é fisioterapeuta e atendeu o Murilo desde 1997.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-3669574485771885644?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/3669574485771885644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=3669574485771885644&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/3669574485771885644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/3669574485771885644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/09/dez-anos.html' title='Dez anos'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-3129944232728377091</id><published>2008-09-08T13:16:00.000-07:00</published><updated>2008-09-08T13:17:37.779-07:00</updated><title type='text'>Puro Espírito</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Renato Pompeu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mu não era simplesmente uma pessoa; era uma essência, tanto no sentido de ser uma forma abstrata e perfeita, de alma das coisas, como também no sentido de ser um perfume, um halo, uma aura que banhava as pessoas e que dele emanava. O conheci por volta de 1960, na redação das então Folhas, ele com 20, eu com 18 anos, e me impressionaram já o seu físico espirtualizado, esbelto, frágil, de ossos delicados, cabelos já grisalhos, seu rosto talhado como o de uma estátua, e sua alma de criador, ansioso pela beleza, que já então se destacava nos diagramas e nos temas que escolhia para o jornal. Ele já era então o líder espiritual da revolução jornalística que iria empolgar São Paulo a partir dos meados dos anos 1960. Como puro espírito, Mu estava sempre acima das mesquinhas condições materiais - eu, como jovem esquerdista, nem cheguei a considerar alienação o seu desinteresse pelas questões sociais: na verdade, ele estava mais preocupado do que os esquerdistas com as misérias da condição humana, só que tinha mais lucidez e, ao invés de lutar em vão para modificá-las, como nós, se fechou numa redoma de pura beleza e encanto, onde não havia feiúras. Dele emanava só beleza, só felicidade - foi sua contribuição para mudar o mundo. Tínhamos em comum a amizade da hoje professora de Ciência Política da USP Maria Hermínia Tavares de Almeida, na qual eu via uma militante trotskista - e ele, um anjo barroco. Ele tinha razão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-3129944232728377091?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/3129944232728377091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=3129944232728377091&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/3129944232728377091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/3129944232728377091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/09/puro-esprito.html' title='Puro Espírito'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-4082414998497257148</id><published>2008-09-06T14:43:00.000-07:00</published><updated>2008-09-06T14:58:30.090-07:00</updated><title type='text'>Meu tipo inesquecível</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Luiz Paulo Horta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilo Felisberto: quem o conheceu bem, não vai esquecê-lo facilmente.&lt;br /&gt;No meu caso, esse encontro aconteceu no “velho” Jornal do Brasil da avenida Rio Branco - prédio histórico dos primeiros tempos da avenida (na sua época, a mais alta estrutura de ferro da América Latina).&lt;br /&gt;O prédio ainda tinha uma aura; e, ao mesmo tempo, naqueles começos da década de 60, era cenário de uma experiência que estava revolucionando a imprensa brasileira. Logo logo, tornou-se o jornal das pessoas inteligentes, o grande jornal do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse contexto é que Alberto Dines teve a idéia de criar um Departamento de Pesquisa, encarregado de dar uma certa profundidade ao noticiário do dia-a-dia; e Murilo foi o seu primeiro e mais brilhante chefe. Ele tinha gosto pela notícia; mas também gostava de virá-la pelo avesso, de descobrir o que estava por trás dos fatos. Assim começamos nós, redatores, a trabalhar nessa linha;e a inspiração vinha do Murilo. Porque ele era a menosconvencional das criaturas: miúdo, branquinho, andandorente às paredes, era o contrário do jornalista barulhento e superficial. Tinha o gosto mais fino, em música como em literatura. Gostava do Octeto de Schubert, e daquele romance sombrio que é “Judas, o Obscuro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia alguma coisa, nele, de uma Minas Gerais eterna, descobrindo diamantes numa atmosfera de segredos e mistérios. Ele ia buscar seus diamantes nos colegas de profissão. Tinha um olho infalível para quem pudesse ir além do prosáico; e dava tudo por um bom texto. Podia ser incrivelmente minucioso - sem nunca perder a visão do conjunto. Com ele, fizemos textos detalhistas e textos panorâmicos (lembro de um, sobre a “grande sociedade” proposta por Lyndon Johnson, que ele editou com um talento gráfico que logo se tornaria proverbial).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um mineiro que se aclimatara em São Paulo, trabalhando nos inícios da “Folha”, e que resolvera experimentar o Rio. Não ficaria muito tempo por aqui - tendo sido convocado para o pontapé inicial do “Jornal da Tarde”. Acho que ele curtiu o Rio, num momento em que o nosso meio tinha muita riqueza humana. Mas também acho que era muito sol para ele, muita luminosidade. Acabaria voltando para São Paulo, sem que, por isso, o nosso contato diminuísse. Tínhamos muito o que conversar em matéria de música. Lembro que, no início, ele se contentava com o sistema de som mais rudimentar - uma vitrolinha portátil. Depois, foi sofisticando cada vez mais, e teve o prazer de mostrar aos amigos sistemas de som caríssimos que ele importava dos Estados Unidos. Era a sua maneira de ser, sempre em busca do melhor. Mas esses rasgos de sofisticação não o tornaram menos sensível à aventura humana. Era verdadeiro amigo dos amigos; e tinha um fôlego inesgotável para as conversas onde a amizade se desdobra e se exercita. Acima de tudo, ele era um original, até na maneira de olhar - levemente irônica, inquisitiva, atenta aos detalhes. Ele tinha algumas perguntas a fazer à vida - e não sei se encontrou as respostas. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O “eterno feminino” fazia parte do seu mundo - e, nesse terreno, ele nunca deixou de ter boas companhias. Mas também preservava os seus espaços particulares, e talvez por isso, nesse mesmo terreno, não tenha construído ligações definitivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os “espaços” do Murilo eram toda uma história - os apartamentos que ele reformava infindavelmente, vastos espaços, muitas vezes brancos, onde ele expandia seu talento de “designer”, e onde dificilmente faltava um piano. Em busca do raro, do extraordinário, ele chegou a descobrir um piano fascinante, sobretudo pela forma, que ele também mandou reformar. Sabia tocar um pouco, sempre planejava tocar mais - sonho que talvez não realizou pelo excesso de oferta na área do disco. É compreensível que gostasse de Schubert - esse músico tão raro, tão fora das normas, que morreu tão cedo. No lirismo delicadíssimo de Schubert, encontro um paralelo para o modo como o Murilo tratava a vida - na ponta dos dedos, fugindo de tudo o que fosse vulgar, feio, desagradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele foi um artista também do ponto de vista da vida de todos os dias; artista até a medula. E conviver com ele era descobrir sempre novas formas de ver a vida, de entender as pessoas. Ele foi o “meu tipo inesquecível”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-4082414998497257148?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/4082414998497257148/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=4082414998497257148&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/4082414998497257148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/4082414998497257148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/09/meu-tipo-inesquecvel.html' title='Meu tipo inesquecível'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-7725401495699838158</id><published>2008-09-04T04:24:00.000-07:00</published><updated>2008-09-04T04:27:46.215-07:00</updated><title type='text'>Murilinho, o Magnífico</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Julio Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ser sincero, eu não fazia parte da corte da “Rainha”, ou seja, daquele grupo da redação do JT mais íntimo do Murilinho. Mas havia entre nós algo em comum: o interesse por São Paulo. Eu, “repórter de cidade” ingênuo, acreditava que o urbanismo e uma boa administração municipal seriam a salvação de todas nossas mazelas. Ele, com uma visão bem mais ampla do mundo, era mais cético – e estava com a razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, Murilinho me perguntou sobre o que eu achava de uma determinada rua nos Jardins onde ficava um apartamento de seu interesse. Eu, prestimoso, passei-lhe algumas informações sobre o zoneamento da região, o que supostamente lhe garantiria um uso permanentemente residencial, por isto e por aquilo, blá-blá-blá. Hoje sei que fui ridículo, dando uma resposta  técnica para uma pergunta que tinha outro sentido. Murilinho, pragmático, queria apenas saber se vidros blindados abafariam o barulho das avenidas próximas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu no sonho, ele na realidade. Penso que o segredo de sua genialidade era justamente esse senso agudo do real, do qual se apossava para dedilhar uma manchete irretocável ou desenhar  mais uma de suas páginas criativas. Com Murilinho, o JT não tinha primeira página: eram “capas”, como se revista fosse. Uma revista diária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inesquecível a valorização que sua criatividade deu a uma reportagem que fiz sobre 200 prédios considerados, na administração Olavo Setúbal, “bens culturais” da cidade. Foram duas páginas centrais, com as fotos de todos os 200 prédios, formando um mosaico que até o prefeito me confessou guardar em seu arquivo como guia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob seu comando, o JT foi o precursor do jornalismo de serviços de lazer e de grandes reportagens sobre temas gerais de São Paulo. Quem não se lembra do “Divirta-se” ? – que ele, inclusive, tentou empreender como revista independente. A “Vejinha” é a sua versão atualizada. Quem não curtia (no sentido figurado da palavra) os textos igualmente curtidos (no sentido correto da palavra) por jornalistas de renome, alguns dos quais viraram autores de best-sellers.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhor do real, Murilinho era um hábil transformador de rotinas. Que o digam aqueles editores que ele submetia de tempos em tempos a uma dança de cadeiras, realocando o titular da Economia para a editoria de Esportes, o de Esportes para a Política,  e assim por diante.  Todos na redação sabiam que a um rodízio sucederia outro, mas o intervalo exato era sempre uma surpresa – essa, aliás, outra característica de Murilinho. Nem todos saiam contentes. Ouso dizer que a prática era mesmo o terror da corte, mas sem dúvida ela ampliou muito a versatilidade dos editores que captaram seu valor e deu a nós, repórteres, a oportunidade de vivenciar diferentes chefias e orientações. “Rainha” era só um apelido folclórico. Na universidade que foi o JT em sua época, o mais correto seria chamá-lo de “Magnífico Senhor Reitor”. Já estou vendo o movimento dos dedos de sua mão direita  ensaiando uma contestação, traída por um sorrissinho que retratava bem o que se passava em seu ego...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Júlio Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Repórter de Cidades” e Chefe-de-Reportagem de Economia do JT nas décadas de 70 e 80&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-7725401495699838158?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/7725401495699838158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=7725401495699838158&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/7725401495699838158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/7725401495699838158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/09/murilinho-o-magnfico.html' title='Murilinho, o Magnífico'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-5891944536834967831</id><published>2008-09-03T05:25:00.001-07:00</published><updated>2008-09-05T09:52:56.864-07:00</updated><title type='text'>A Aventura do Viver</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sergio Rondino&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do Murilo jornalista, qual de nós não se lembra? Para o Murilo publicitário, vale a mesma pergunta. Mas do Murilo dono de jornal, aposto que pouquíssimos se lembram, ou sabem. Por isso, vou contar.&lt;br /&gt;Foi lá pelos idos de 75 e 76 do século passado. Paralelamente ao trabalho como chefe de redação do Jornal da Tarde, Murilo tinha criado uma empresa de comunicação. Tratava-se da Mu Comunicação, nome que, evidentemente, gerava diálogos estranhíssimos para quem atendia ao telefone. E geralmente quem atendia era o nosso Guimarães, também Guima ou Guiminha, assistente administrativo, financeiro, RH, executivo gráfico, braço direito e faz-tudo na empresa.&lt;br /&gt;- Mu Comunicação, boa tarde.&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;- MU! Mu Comunicação...&lt;br /&gt;- Eme Uú?&lt;br /&gt;- Não! É MU mesmo! Quem fala?&lt;br /&gt;No início, a Mu cuidava das campanhas publicitárias do então nascente grupo Objetivo, do nosso amigo comum João Carlos Di Genio. Acho que o Murilo ganhou algum dinheiro com isso, pois logo em seguida se animou a lançar seu próprio jornal. Seria um semanário da cidade. É claro que, em se tratando do Murilo, não poderia ser só mais um semanário. Teria de ser especial, fruto de sua conhecida paixão por sofisticadas publicações do mundo todo.&lt;br /&gt;Ainda me lembro: logo que fui contratado para ser seu editor-assistente, Murilo me passou para analisar uma montanha de revistas, como a americana New Yorker. Era curioso como ele sempre comentava acontecimentos de redações estrangeiras, até mesmo troca de cargos, como se estivessem acontecendo ali na esquina.&lt;br /&gt;Sofisticado como as revistas que amava, Murilo era um perfeccionista nos conceitos, na definição do formato editorial, no visual gráfico, no estilo dos textos e dos títulos, em cada detalhe. E algumas histórias ligadas a esse perfeccionismo são as que mais ficaram nas lembranças que temos, eu e o Guiminha, daquele tempo tão bom. Hoje nos divertimos rememorando quanto tempo e esforços gastamos na busca pelo acerto de detalhes dos quais Murilo não abria mão.&lt;br /&gt;Uma delas tem a ver com o título do jornal, que Murilo tinha na cabeça há longo tempo: VIVER. Nascera do próprio conceito do produto, também muito claro para ele. Cada seção e cada texto do jornal teria de ajudar o leitor a conhecer mais a cidade, sua história e seus tipos, a usufruir melhor de tudo o que a metrópole oferecia.&lt;br /&gt;O problema foi sintetizar essa razão de ser do jornal num texto de apresentação que saísse como o Murilo queria. Acho que foram umas vinte tentativas, todas rechaçadas pelo Murilo com um "ainda não é bem isso". (Lembrai-vos de 75, que não tinha computadores e e-mails: aquele era o tempo das máquinas de escrever e das laudas que iam e vinham...) Até que, um dia, ele chegou com a frase síntese - e, para mim, salvadora: "Viver pretende ser uma espécie de manual de sobrevivência na cidade grande". Ufa! Acertado o texto, Murilo se vai e eu, aliviado, aviso a um Guiminha já agoniado com o deadline da gráfica:&lt;br /&gt;- Fechou a página 3!&lt;br /&gt;Guiminha rosna:&lt;br /&gt;- Vocês enrolam demais! Por isso é que eu me fodo...&lt;br /&gt;A reação dele era perfeitamente explicável por outra historinha exemplar: a da escolha do logotipo. Guiminha calcula que foram mais de 200 tentativas! Deve ser exagero, mas ele lembra que  Murilo passava dias e noites com catálogos gráficos embaixo do braço, "namorando a cada hora um tipo ou uma fonte diferente". Lembrai-vos de novo de 75: naquele tempo não havia essa moleza de hoje, em que até um simples programa de digitação como o Word tem dezenas de tipos diferentes à escolha do freguês. Compor e imprimir provas dos logotipos exigia muitas idas e vindas a um estúdio gráfico, e custava uma nota preta. Imaginem as tais 200 tentativas atormentando o Guiminha...&lt;br /&gt;Mas tem outra história do perfeccionismo - e essa deixou dores físicas ao pobre Guima. Chegara o grande dia de lançar o Viver. A impressão foi em um jornal de bairro de Pinheiros, e é claro que antes já perdêramos longas horas no paste up. (Lá vamos nós, outra vez, ao século passado: naquele tempo, a matriz de cada página era montada com estilete e cola sobre uma folha de cartolina, texto a texto, título a título, legenda a legenda. Texto maior tinha de ser cortado ali mesmo, título maior - dizíamos "estourado" - tinha de ser refeito, digitado de novo, colado outra vez. Era o tal paste up. Um sufoco.)&lt;br /&gt;Impresso o jornal, achamos todos que ficou uma beleza. Tablóide, colorido, diagramação sofisticada, belas fotos... parecia revista. Era noite, hora de mandar para as bancas! Não, não era: Murilo achou que aquelas bordas meio serrilhadas que as rotativas deixam no papel jornal não ficariam bem no sofisticado "Viver". Mandou refilar tudo.&lt;br /&gt;Não lembro mais a tiragem, mas era uma pequena montanha de jornais empacotados. Como refilar tudo aquilo, pacote por pacote, e àquela hora da noite? Sobrou para o Guiminha, claro. E lá se foi ele, acho que num caminhão, atrás de uma gráfica que o amigo Miguel Jorge arranjou. Passou a noite ao lado de uma guilhotina, desempacotando, refilando, empacotando de novo. Ficou com tanta dor nas costas que nem pôde trabalhar no dia seguinte.&lt;br /&gt;Mas o "Viver" saiu, refilado e elegante. Chegou às bancas para uma gloriosa, porém curtíssima carreira, que terminou poucos números depois num gesto tão sofisticado como seu criador. Certa tarde, Murilo entrou na pequena redação, distribuiu taças à turma, estourou uma garrafa do champanhe mais caro da época e anunciou, sorrindo, que a nossa aventura terminava ali. Um brinde ao "Viver"!&lt;br /&gt;Grande Murilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sergio Rondino começou a carreira jornalística no Jornal da Tarde, em 1967, como repórter, quando o Murilo era secretário de redação. Saiu de lá em 1988 para fazer televisão, quando Murilo já estava na área publicitária. Aprendeu muito com ele nesses anos, convivendo dentro e fora das redações. E a ele deve vários progressos e promoções profissionais. Foi um amigo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-5891944536834967831?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/5891944536834967831/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=5891944536834967831&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/5891944536834967831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/5891944536834967831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/09/aventurra-do-viver.html' title='A Aventura do Viver'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-7947104164373795325</id><published>2008-09-03T05:22:00.000-07:00</published><updated>2008-09-03T05:23:29.970-07:00</updated><title type='text'>Horizontes</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Alfredo Toledo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;"O Murilo, embora sempre tenha visto a vida de frente, viveu atrás da estética, acho para amanar o concretismo dela. O seu conceito de estética e harmonia foram o estudo para com a realidade da existência."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-7947104164373795325?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/7947104164373795325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=7947104164373795325&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/7947104164373795325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/7947104164373795325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/09/horizontes.html' title='Horizontes'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-1024024138691825195</id><published>2008-09-01T12:00:00.000-07:00</published><updated>2008-09-01T12:04:40.095-07:00</updated><title type='text'>“Ladrão é o Hiroito"</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sergio Oyama&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha convivência com o Murilo não foi longa e nosso relacionamento nunca extrapolou o limite das conversas sobre assuntos profissionais. No entanto, ele foi o responsável por uma mudança radical e decisiva em minha vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1959 eu era um jovem funcionário público (estava então com 20 anos) ainda à procura da minha vocação profissional. Foram incontáveis noites insones em que fiquei tentando decidir sobre que faculdade cursar. Entre as poucas opções que nunca haviam passado pela minha cabeça uma era o jornalismo. Mesmo porque, a única, e na época ainda desconhecida faculdade da área, era a Cásper Líbero. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, um grande amigo, o Emílio Matsumoto, que pouco tempo antes havia começado a trabalhar na Folha de S. Paulo como repórter, comunicou-me que o Murilo Felisberto estava procurando alguém que escrevesse bem para integrar a equipe de copy-desks da Local, editoria que ele comandava. Murilo estava empenhado em dar uma cara nova às suas páginas, e por isso procurava uma pessoa sem nenhuma experiência jornalística para poder treiná-lo sem ter que enfrentar o trabalho sacal de corrigir ou mudar estilos e vícios de linguagem para conseguir o texto que ele imaginava para as matérias. O Matsumoto achou que eu tinha o perfil requerido, já que toda a minha “experiência jornalística” se resumia em termos feito, eu e ele, um jornalzinho rodado em mimeógrafo e destinado aos jovens da igreja evangélica que freqüentávamos. Daí o Matsumoto conhecer também o meu texto, o que o fez recomendar-me ao Murilo. Como não havia nenhuma exigência quanto ao nível de escolaridade, lá fui eu para a Folha fazer um teste, no qual me saí razoavelmente bem, o suficiente para ser aprovado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me do Murilo dessa época como uma pessoa extremamente afável, sorriso maroto e com boa vontade para ensinar. Foi assim que me recebeu e me incentivou. Mas, acho que caí nas graças dele no dia em que preparei o texto de uma pequena nota sobre um furto cuja autoria, após descartados alguns suspeitos, a  polícia atribuiu a um tal de Hiroito. O título, que me veio imediatamente à mente, foi: “Ladrão é o Hiroito”. Murilo adorou e saiu pela redação me elogiando: “O Oyama é bom!”. Não preciso dizer que foi meu minuto de glória. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fiquei muito tempo na Folha, creio que dois ou três anos... Ainda achava que o jornalismo não era a minha praia. Como continuava com meu emprego no funcionalismo público, pedi minha demissão e voltei para a rotina tranqüila da repartição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reencontrei o Murilo em 1966, quando, acompanhado de alguns colegas da Folha de S. Paulo, ele se juntou ao Mino Carta para criar o Jornal da Tarde. O evento novo me permitiu retornar às redações, e novamente sob o comando do Murilo. Ali, finalmente, encontrei um rumo para meu futuro profissional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lidar com o Murilo não era difícil. Hoje percebo que o que ele não gostava era de ser contrariado. Não me lembro de tê-lo visto algum dia alterado, perdendo o controle. A imagem que mais se fixou em minha memória é a dele curvado sobre a mesa, desenhando as páginas do jornal e sempre assoviando. Impressionava-me a velocidade com que as rabiscava, indicando as fontes e o tamanho das letras sem hesitar um segundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1968, Mino Carta e parte de sua equipe no JT saíram para nova missão pioneira, fundar a revista Veja. Eu permaneci por mais algum tempo no jornal, mas meses depois acabei me juntando à turma do Mino. Depois disso perdi o contato com o Murilo.. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos anos depois, creio que já na década de 80, fui surpreendido por um telefonema dele. Murilo estava editando a recém-criada revista Vogue Homem e queria que eu escrevesse um artigo sobre uma experiência que fiz na redação de uma revista da Abril, ajudando um colega a zerar uma dívida financeira que se transformara em uma bola de neve. Fui vê-lo. Ele me recebeu com o sorriso de sempre, e mostrou-me com visível orgulho a última edição da Vogue Homem, pedindo minha opinião. Folheei a revista, realmente bem feita e bem a cara do Murilo. Elogiei o trabalho, e fiz uma observação, que nem me lembro qual foi, mas acho que dei uma de Jorge Horácio, o personagem do Minha nada mole vida, que se gaba de ser sincero, doa a quem doer. E parece que doeu no Murilo. Ele fechou a cara, e como já havíamos acertado o “frila” ele deu o encontro por encerrado. Dias depois entreguei o artigo e nunca mais nos encontramos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns anos atrás soube que ele havia retornado à direção do JT. A novidade chegou-me pelo meu filho, o Márcio, que me “sucedeu” no jornal e passou a trabalhar com o Murilo. Achei significativa essa coincidência...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo meu crescimento e aprimoramento como jornalista a pelo menos duas pessoas, com as quais compartilhei a maior parte dos meus mais de 40 anos de vida profissional: uma é o Emílio Matsumoto, já falecido, e o outro, o Ulysses Alves de Souza que, com o Matsumoto, foi também quem me indicou ao Murilo. E embora, como eu disse, minha convivência com o Murilo tenha sido relativamente pequena, eu sempre me lembro dele como a pessoa que, ao abrir a oportunidade para meu ingresso no jornalismo, livrou-me, sem o saber, da angustiante busca por uma profissão. Depois, conscientemente, me acolheu, orientou e incentivou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-1024024138691825195?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/1024024138691825195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=1024024138691825195&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/1024024138691825195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/1024024138691825195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/09/ladro-o-hiroito.html' title='“Ladrão é o Hiroito&quot;'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-7586165323913800193</id><published>2008-08-25T12:33:00.000-07:00</published><updated>2008-08-25T12:34:53.073-07:00</updated><title type='text'>Texto para ninguém ler</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt; Carlos Brickmann&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem, jornalismo é informação. Mas foi o Murilinho que me mostrou uma outra faceta do que deve ser a imprensa: além de mexer com a imagem dos outros, para o bem ou para o mal, precisa também cuidar da própria imagem.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eu era editor de Internacional do Jornal da Tarde. Fechávamos de madrugada, com uma esticada pela manhã; e o jornal ia às bancas por volta de meio-dia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Apareceu-me uma notícia interessante: com a alta do preço dos combustíveis, o Japão estava desenvolvendo um novo navio petroleiro, especialmente econômico - um veleiro. Era um veleiro supermoderno, com localização via satélite, velas controladas por computador, motores auxiliares - se a velocidade caísse abaixo de determinado limite, os motores entrariam em ação. A idéia é que mais da metade da viagem fosse realizada só com os ventos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mais de cem anos depois, a volta dos veleiros! Enchi meia página com uma foto do Cutty Sark, um veloz veleiro inglês que fazia a rota da China. E preparei uma matéria sobre o papel dos veleiros nas comunicações e na guerra.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Por volta das três da manhã, o Murilinho chegou à Redação. Olhou a página, gostou da idéia, não gostou da diagramação. Resolveu mudar tudo, até a posição do jornal: deixou a página na horizontal, com o veleiro ocupando todo o espaço. E a matéria corria em volta do navio, uma linha avançando até a ponta da vela, outra um pouco menor, outra pequenininha, aí uma enorme - e, naturalmente, sem hífens, que o Murilinho não gostava disso.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O diagramador ficou mais de duas horas calculando a matéria linha por linha, cada uma com um tamanho diferente. Eu peguei a matéria pronta e refiz tudo nas novas medidas - fui terminar lá pelas nove da manhã.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Saiu linda. Mesmo assim, fui procurar o Murilo e mostrar-lhe que a matéria era ilegível: ninguém teria paciência de virar o jornal de lado e ler uma linha de 142 toques, depois outra de três toques, depois outra com 27. Para minha surpresa, ele concordou.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"Ninguém vai ler, Carlinhos. Mas todo mundo vai dizer: veja só como este jornal é bem feito".&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Bingo: reforçava-se a idéia do mercado de que o Jornal da Tarde tinha um acabamento impecável, que era muito bem feito. E, cá entre nós, ninguém perdeu nada ao não ler a matéria sobre os veleiros. No fundo, não tinha importância nenhuma. E o tal veleiro japonês nunca mais apareceu no noticiário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-7586165323913800193?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/7586165323913800193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=7586165323913800193&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/7586165323913800193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/7586165323913800193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/08/texto-para-ningum-ler.html' title='Texto para ninguém ler'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-7066056645590311513</id><published>2008-08-21T08:25:00.001-07:00</published><updated>2008-08-21T15:27:52.681-07:00</updated><title type='text'>Triste</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Monja Coen&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico me lembrando de sua figura esbelta e pálida, sempre carregando um guarda-chuvas, mesmo nos dias de sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando fui pedir emprego no JT, isso nos idos de 1968, ele me recebeu em sua sala.  Fui poucas vezes a sua sala, talvez umas duas ou três vezes durante todo o pouco tempo (menos de três anos) em que trabalhei no JT.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aprendi a respeitá-lo e de certa forma temê-lo. Por que?  Eu não saberia dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois de meses como estagiária, éramos três meninas - Murilo se inspirara nas meninas do JB do Rio - um dia tomamos coragem e fomos falar com ele.  Eu estava muito nervosa, com vinte e um anos de idade, sem nenhuma experiência empregatícia, ter de ir falar com alguém se me contratava ou não pois estava chegando no pico do meu estresse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele ouviu, sorriu, levantou os olhos e disse : “Mas vocês estão sendo contratadas este mês.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns meses mais tarde tivemos censura no jornal. E quanto todos nós repórteres decidimos fazer greve contra a censura, Murilo ficou com Dr. Rui e talvez mais uma ou duas pessoas e fecharam juntos todo o jornal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Há alguns poucos anos, telefonei para ele.  Murilo estava no JT novamente. Talvez fosse no ano 2000? Não pude ir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fiquei na saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Havia em sua vida um piano.  Será que eu o ouvi tocar, que o vi tocar um piano de cauda, negro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou serão apenas fragmentos de memória perdidos nas histórias que me contavam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudades do seu sorriso, da pele clara, dos dedos longos e da inteligência brilhante que parecia ver através de cada um de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu caminho a passagem pela redação do JT, chefiada por ele, foi essenciall para a abertura de consicência da realidade e para minha transformação, hoje, em monja zen budista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Profundos agradecimentos. Murilo Feliz berto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Descanse em paz.  Missão cumprida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Formou jornalistas, formou pessoas, formou seres humanos integros e bons através de seu exemplo, de sua vida, manifesta em seu andar, seu olhar, sua fala mansa, baixa, firme, correta. Valeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre indo, indo, tendo ido e já tendo chegado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na Terra Pura dos seres iluminados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãos em prece&lt;br /&gt;Monja Coen&lt;br /&gt;(naqueles tempos Claudia Batista)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-7066056645590311513?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/7066056645590311513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=7066056645590311513&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/7066056645590311513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/7066056645590311513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/08/triste_21.html' title='Triste'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-39737062174305012</id><published>2008-08-20T05:10:00.001-07:00</published><updated>2008-08-20T05:12:46.213-07:00</updated><title type='text'>Minhas Histórias do Mu</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Toní Rodrigues&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- O RAFE MISTERIOSO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das histórias do Mu, ele morreu sem saber, ou pelo menos sem saber a parte engraçada. Aconteceu no 5º andar da DPZ mais ou menos em 1987. Eu, o Carlão, o Delba e a Margô éramos assistentes lá, junto com o Jairo. O Mú ainda fazia dupla com o Toledão, o único dos aqui citados que eu não sei se tomou parte na trama.&lt;br /&gt;Como todo mundo sabe, o Mu fazia uns rafinhos em papel manteiga bem pequenininhos, porém muito detalhados e cheios de informações, instruções e referências. Ia de tudo alí, desde o tipo a ser utilizado, com o tamanho, o corpo e a cor, até dicas do tipo “veja o livro do Lubalin”, tudo mais ou menos costurado por um desenho no traço tremidinho do Mu.&lt;br /&gt;Um dia ao voltar do almoço, encontro na minha mesa uma revista Idea com um página marcada e nela, presa com durex, um dos rafinhos do Mu como os descritos acima e uma folha de papel sulfite com um título (supostamente do Toledão) para ser marcado no anúncio. Até aí tudo bem, mas ao ler o “job” melhor fui vendo que o Mu estava me pedindo um layout extremamente trabalhoso (dias pré Macintosh, tudo tinha que ser feito artesanalmente) e num canto do rafinho tinha o aviso fatal: “urgente, para as 3 horas”.&lt;br /&gt;Entrei em pânico e fui falar com ele, perguntar se o prazo era aquele mesmo. A primeira coisa que ele me disse foi “Como assim, Toni? Eu não te passei trabalho nenhum...” voltei pra minha mesa, peguei tudo e mostrei pra ele, que imediatamente ficou pasmo.&lt;br /&gt;Eu ainda não tinha percebido, mas nessa altura todo mundo em volta já estava saindo de fininho. Ele olhou pra mim, olhou pro rafe, olhou pra mim, olhou pro rafe, tirou os óculos, esfregou os olhos, olhou de novo pro rafe e finalmente me disse pra desencanar daquilo. Disse que era algo que ele tinha feito num outro dia, mas que o anúncio tinha sido descartado e que alguém deve ter achado aquilo por alí e colocado na minha mesa.&lt;br /&gt;Abriu uma gaveta e fechou tudo lá dentro. Eu disse ok e voltei pra mesa. Passaram uns minutos e ouvi um sussurro: era o Delba (acho)  me chamando pro café, onde todos riam de rolar. O rafe era falso, obra do talento de falsário do Carlão. O plano era eu ter um chilique com o prazo, mas ninguém contava que eu fosse mostrar o rafe pro Mu. Quando mostrei, todos prenderam a respiração, achando que tudo tinha ido pro caralho, mas ao perceberem que tinham enganado até ele, só restou sair de cena pra poder rir. Ficamos em dúvida se contávamos pro Mu, ou não. Achamos melhor não, afinal éramos crianças e ficamos com mêdo. Mas acho que se a gente tivesse contado ele teria dado risada junto com a gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - O JEITO DE PRONUNCIAR O MEU NOME&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu nome, como já devem ter adivinhado, é Antonio, mas há muito tempo todo mundo que me conhece, fora do mundo da propaganda, me chama de Toní. No mundo da propaganda, por obra e graça do Mu, todos me chamam de Toní. Nem eu, nem ninguém nunca entendeu a razão disso, o Mu nunca explicou, mas de tanto insistir pegou. A tal ponto que quando minha mulher ligava pra mim e o telefone era atendido por outra pessoa, ela era frequentemente corrigida: “Você quer dizer Toní, né?”. Um dia, alguém perguntou pro Mu porque ele me tinha mudado meu nome de Toni para Toní e se isso não me incomodava, ao que o Mu teria respondido: “Se incomodar porquê? Por quê ele vai querer ser um Toni qualquer quando pode ser Toní?” Isso foi um cumprimento e tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - O DATILÓGRAFO MAIS RÁPIDO DO MUNDO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo que a gente abriu o 7º andar, o Mu e eu fomos brindados com uma estagiária, daquelas que ganhavam estágio por serem filhas de cliente. Ainda não tinha redator trabalhando com a gente, o Stalimir estava pra vir da DPZ Rio (ele acabou indo pra W e o Fernandinho Teperdjian foi contratado, mas isso é outra história), mas enquanto isso não acontecia o Mu tinha a ajuda do Rique Freire, do Ruizão ou do Toledão, que continuavam no 5º andar. Mas ele também fazia redação (claro, pô, era o Mu) e pra isso tinha lá uma maquininha Olivetti Lettera 32. A nossa estagiária trouxe de casa a última moda entre os redatores da época: a primeira máquina de escrever elétrica pequena da Olivetti, que não era um trombolhão como aquelas IBMs de esfera e era o sonho de consumo de 9 entre 10 redatores da era pré-Word. Então ela começou a encher o saco do Mu, dizendo que não tinha mais cabimento se usar numa agência charmosa e moderna como a DPZ uma máquina de escrever como a que ele estava usando, que ainda por cima era muuuuuuuito mais lenta. O Mu então abaixou os óculos para a ponta do nariz e me vendo, deu um sorrisinho sacana. A seguir atacou as pretinhas com uma velocidade de metralhadora, que eu nunca tinha visto até então e datilografando com 2 dedos, catando milho, em menos de 1 minuto escreveu um texto mais ou menos do tamanho deste aqui, não me lembro mais sobre o que. A estagiária nunca mais reclamou. E depois disso eu pedi várias vezes para o Mu que fizesse aquilo de novo para que outras pessoas vissem como ele era rápido. Ele nunca me atendeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 - NOSSO TIPO INESQUECÍVEL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mu era um grande conhecedor de tipografia, um verdadeiro expert nesta arte perdida.&lt;br /&gt;Toda vez que o Mu pegava um job ele exercia em primeiro lugar o seu pensamento tipográfico. Que tipo ele ia escolher para compor o anúncio? Na era pré-Mac, pedir variações tipográficas de um título e um texto significava um volume bem grande de trabalho. Invariavelmente eu e os outros assistentes penávamos com isso, tinhamos que pedir os tipos em fotocomposição e compor o texto simulado com cópias fotográficas, quase sempre tendo que montar e remontar tudo várias vezes na base da faca, tesoura e cola benzina, abrindo o entrelinhamento e o espaço entre letras à mão, até satisfazer o Mu. Isso usando sempre três ou quatro famílias previamente escolhidas e não raro com pesos diferentes em cada uma. Às vezes ele se apaixonava por uma determinada fonte e a gente tinha que fazer de tudo com ela pra ele ver, eu ainda me lembro bem da paixão dele pela Benbo e do desprezo que teve pela Copperplate, que achava deselegantérrima. O louco é que na maioria das vezes todo esse esforço acabava num “vamos usar Futura Bold mesmo...” e isso me levava ao desespero. Porque diabos ele tinha me feito ter tanto trabalho pra acabar compondo tudo em Futura Bold? Só muito tempo depois eu saquei que ele estava era nos ensinando.&lt;br /&gt;Eu e ele tinhamos uma brincadeira em comum, quando o job sobrava pra mim. Eu perguntava pra ele qual era o tipo inesquecível dele naquela semana, numa alusão à coluna “Meu tipo inesquecível” da antiga Seleções. Ele adorava. Da primeira vez que eu perguntei ele ficou surpreso e me perguntou como um garoto como eu conhecia aquela velharia, não lembro o que eu respondi, mas a bincadeira continuou. Até que teve um dia em que depois de uma dessas experimentações tipográficas com um tipo que parecia lindo no catálogo eu e ele chegamos a conclusão de que era melhor mesmo usar Futura Bold. Então eu disse assim: “É, Murilo, em certos tipos não se pode confiar...”. O Mu teve um ataque de riso e passou a repetir isso a torto e a direito, sempre que me via. Acho que ele gostou mesmo é porque eu não tinha dito aquilo sem pensar no óbvio duplo sentido da frase, que ele, sendo quem era, transformou numa coisa muito maior e melhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-39737062174305012?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/39737062174305012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=39737062174305012&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/39737062174305012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/39737062174305012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/08/minhas-histrias-do-mu_20.html' title='Minhas Histórias do Mu'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-1201431941958016250</id><published>2008-08-19T05:08:00.000-07:00</published><updated>2008-08-19T05:11:23.561-07:00</updated><title type='text'>Conduzindo Mr. Murilo</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Alexandre&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei muito feliz por para prestar homenagem a um grande amigo e pessoa muito querida que é Murilo Felisberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria das nossas viagens felizmente foram muito alegres e bonitas. Murilo sempre me perguntava das novidades. Por eu ser motorista, muitas pessoas contam os acontecidos e eu às vezes tinha coisas para contar de nossos amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando íamos para Lavras, os assuntos sempre começavam na divisa de São Paulo e Minas, com a mudança da cor do céu. Ele sempre ficava feliz com o azul de Minas Gerais e então falávamos dos nossos amigos Rafa, Luis, JP, Galináceo e etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Murilo sempre queria que eu observasse o Rafa, os seus anéis, o comercial que ele participou para um amigo, o corte de cabelo feito em Nova York, etc., para que eu comentasse o que achava. Ele também sempre falava do seu apartamento, do barulho do elevador, dos vazamentos que o deixavam irritadíssimo, do ar condicionado que sempre dava algum problema. Mas o que o deixava preocupado e sempre antecipava a sua viagem era qualquer evento na Avenida Paulista, pelo motivo de as pessoas acabarem com o silêncio que ele tanto gostava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alegria e o breve descanso na hora do almoço sempre aconteciam num restaurante em Três Corações chamado o Rei da Traira, onde ele era bem conhecido. Com sua delicadeza, mas muito exigente, sempre queria comparar e qualificar um concorrente que o restaurante tinha em Lavras, cujo dono era muito mal educado, mas o prato era melhor preparado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me deixou muito satisfeito foi uma viagem que fizemos para ver um piano em Sorocaba, onde ele achou a cidade muito bonita e limpa. Ele me contou que era uma pessoa realizada, desde os tempos do Jornal até a sua aposentaria, passando pela DPZ, no qual ele sempre falava com extrema alegria. Contou-me da felicidade que tinha em ter feito tudo o que ele gostava, tudo com amor e alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço o privilégio de ter conhecido e poder ter convivido com o Sr. Murilo Felisberto, mesmo que em breves viagens. Tenho por ele muito carinho e respeito. Tenho também a certeza de que ele estará sempre conosco, nos jantares de quinta, nas rodas de publicitários e jornalistas e em minhas viagens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-1201431941958016250?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/1201431941958016250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=1201431941958016250&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/1201431941958016250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/1201431941958016250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/08/conduzindo-mr-murilo.html' title='Conduzindo Mr. Murilo'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-1721853725966987635</id><published>2008-08-18T04:03:00.002-07:00</published><updated>2008-08-18T04:07:10.903-07:00</updated><title type='text'>Murilo, som e luz</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt; José Hamilton Ribeiro&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;(texto publicado na Folha de S. Paulo em 30/5/07)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Às 22h, num sábado, na Redação da Folha, não havia quase mais ninguém. Chega a notícia de que minha mãe tinha morrido. Naqueles tempos sem celular, quem é que poderia encontrar um repórter solteiro e com fama de boêmio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O Murilo. O Murilo sabe da vida dessa reportada toda.&lt;br /&gt;Localizaram o Murilo e, em menos de uma hora, ele me achou na casa de um tio da minha namorada. Eu saí às pressas para arranjar um jeito de ir para o interior. Murilo ficou lá mais um tempinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ventos sopraram para outro lado, aquele meu namoro veio ao fim e, algum tempo depois, Murilo estava casando com a moça que conhecera naquela noite triste (para mim).&lt;br /&gt;(Quando adolescente, Murilo, que era mineiro de Lavras, passou um tempo em Areado, também MG, onde sua tia - médica - clinicava. Ali andou peruando uma moreninha, mas os ventos sopraram de novo e quem casou com essa mineirinha fui eu...)&lt;br /&gt;Murilo Agostini Felisberto morreu no dia 11, em São Paulo, aos 67 anos. Ele mexeu com o jornalismo no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilo e eu começamos nesta mesma Folha, no fim dos anos 50, quando o Brasil, embalado por Juscelino, vivia tempos de otimismo, muita novidade e "bossa-nova". Isso afetou também o jornalismo. Coincidiu a chegada na Folha, nessa mesma época, de uma caipirada que, após "aprender" na casa, acabou indo para a frente na profissão: Sérgio Pompeu veio a ser redator-chefe na "Veja", Woyle Guimarães, diretor da Central Globo de Jornalismo, Sérgio de Souza, edtor de texto da "Realidade", Jósé Carlos Maranhão, diretor da "Quatro Rodas", Flávio Barros, diretor na editora Globo, Washington Novais, chefe do "Globo Repórter", Aloísio Biondi, diretor de vários jornais, com Joelmir Betting correndo por fora e fazendo a modernização do jornalismo econômico com o extermínio do economês, além de uns outros que preferiram ir ganhar a vida em campo diferente: Neil Ferreira na publicidade, Mauricio de Sousa nos quadrinhos, Renato Mazzei como embaixador. &lt;br /&gt;Mais uns tantos que agora esqueci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Redação da Folha sempre foi nervosa, efervescente, mas aquela foi de fato uma fase assinalada. Murilo era uma referência no meio da turma. Andava com um maço de revistas americanas embaixo do braço, sabia de cor as "leis do jornalismo" (a maioria vinda dos EUA, mas naquele momento foram importantes para nós) e, dizia-se, também o expediente de qualquer jornal ou revista (que valesse a pena) do Brasil e do exterior. Além de ter sempre à mão o restaurante para a gente ir comer e conversar sem garçom chato por perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 50, o jornalismo nosso era atrasadão. Os títulos, padronizados, burocráticos; o texto, repetitivo e maltratado; a "mancha" (espaço da página usado para informação), quadrada, sempre igual, "fechada na oficina", como se dizia. Murilo ajudou a implodir isso, primeiro na Folha, depois nas empresas do "Estadão", no "Jornal do Brasil", na Editora Abril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda Redação tem a turma dos "exibidos" (os que aparecem para o público) e o pessoal da criação, da edição. Murilo era dos que apareciam pouco. Mesmo no tempo curtíssimo em que foi repórter, publicava raramente. Com excesso de autocrítica, não ficava satisfeito com o que fazia, jogava fora, sofria... Mas, quando entregava o texto, era coisa fina. Designado uma vez para cobrir o Dia da Aeromoça (num tempo em que aviões eram de luxo, saíam e chegavam na hora, e as comissárias eram "um avião" de beleza eterna), enquanto os outros jornais saíram com títulos como "Comemora-se amanhã o Dia da Aeromoça", o texto do Murilo tinha na cabeça: "Problema de aeromoça é que ela vai ser aerovelha...".&lt;br /&gt;Hoje isso parece uma firula; na época, era pura subversão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo artista plástico (desenhava com facilidade incrível, até em guardanapo), gostando de música (tocava piano) e curtidor de som (a exigência na escolha da aparelhagem de som era quase uma excentricidade), via o jornal, a revista, a página em branco com um potencial artístico de tal forma que ficaram famosas pela beleza algumas das páginas e das capas que ajudou a fazer no "JT".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Robson Alves, diretor de arte da DPZ, agência onde Murilo trabalhou muito tempo, em seus intervalos jornalísticos, diz que a principal qualidade dele, para compor e dirigir equipes tão complicadas quanto as de reportagem ou de publicitários, era "combinar pessoas", juntar talentos, apesar de eventuais diferenças, para fazer um trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilo Felisberto era jornalista e artista. Deixa uma filha, Carlota, e um neto, Antônio. E um aperto no peito de um velho repórter.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-1721853725966987635?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/1721853725966987635/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=1721853725966987635&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/1721853725966987635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/1721853725966987635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/08/murilo-som-e-luz_315.html' title='Murilo, som e luz'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-5429839423846298832</id><published>2008-08-15T12:22:00.000-07:00</published><updated>2008-08-15T12:29:22.812-07:00</updated><title type='text'>O jornal mais bonito do mundo</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Magy Imoberdorf&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SKXYIm46azI/AAAAAAAAAEU/JueFWwxzV1w/s1600-h/catalogo3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SKXYIm46azI/AAAAAAAAAEU/JueFWwxzV1w/s400/catalogo3.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234827784277879602" /&gt;&lt;/a&gt;Formada em design gráfico na Suíça, cheguei a São Paulo em 1969. Desde minha primeira semana no Brasil, o que mais me chamou atenção foi um jornal, o Jornal da Tarde. Ele era diagramado como uma revista de arte. Era lindo. Tinha espaços em branco, coisa que não existia em nenhum jornal - aliás, não existe até hoje. Comecei a colecionar as páginas e me lembro de um caderno inteiro sobre Napoleão (mais tarde fiquei sabendo que era diagramado pelo Flávio Marco).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Logo em meu primeiro ano de Brasil, fui trabalhar com Neil Ferreira na Norton, e a gente pendurava nas paredes as páginas do Jornal da Tarde como exemplo de layout criativo e de bom gosto. Eu queria muito conhecer quem fazia o JT, um tal de Murilo Felisberto (que era chamado de Rainha pelos amigos). Acho que o chamavam assim porque ele reinava mesmo. De cabelos brancos desde sempre, falava baixíssimo e tinha as mãos muito delicadas, para virar páginas de livros com muito respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Comecei a mandar bilhetes de fã para ele, falando que o JT era o jornal mais lindo do mundo, e que eu gostaria muito de conhecê-lo. Eu e a Helga, que na época era minha chefe, fomos convidadas para um jantar na casa do Murilo, que tinha acabado de se mudar para um apartamento na Cristiano Viana. Lá havia um enorme piano, uma mesa branca de um metro por um e quatro cadeiras. As louças nas quais o jantar foi servido tinham sido compradas no supermercado naquela tarde pela empregada. A Helga percebeu esse detalhe logo que chegamos, e disse: “Como é que um homem com tamanho bom gosto tem estes pratos em casa?”. Ele nunca perdoou a Helga por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais tarde fiquei sabendo que no andar de baixo do apartamento havia um quarto, um banheiro e uma enorme sala com um tapete branco forrado de revistas de arte e livro de propaganda, de design, enfim, de tudo que havia de mais moderno em editorial no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Comecei a freqüentar a turma do Murilo, composta por Fernando B., Mitri, Ivan Ângelo, Flavinho (que morreu por causa de uma operação de amídala), Waldinho (o preferido do Murilo, que morreu aos 27 anos de aneurisma), Telmo, Martinho, Sandrinha Abdalla, José Carlos etc...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A gente jantava tardíssimo no Giovanni Bruno, e depois todos eles voltavam para o Estadão para fechar o Jornal da Tarde. Também íamos muito ao bar do Jaraguá que ficava ao lado do prédio do Estadão/Jornal da Tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando entrava o presidente Juscelino Kubitschek, todos se levantavam para cumprimentá-lo. Ele era amigo do Murilo, aliás, o Murilo era amigo das pessoas certas, da verdadeira elite do Brasil. Ele sempre sabia tudo antes de todo mundo e ria quando alguém descobria algo que ele já sabia fazia tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acabei namorando o Murilo, mas não sei direito se era o Murilo ou se era o JT.  Eles se confundiam e eu também me confundia. Fomos juntos uma vez à Inglaterra e ele foi recebido pelo editor-chefe do Financial Times com todas as honras que ele merecia por fazer o jornal mais bonito do mundo (nas palavras também desse editor-chefe do Financial Times).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Murilo protegia a turma dele, ele amava todos, aceitava cada um do jeito que era e sabia tirar o máximo de cada um, estimulando, incentivando e motivando do jeito dele.&lt;br /&gt;Ele levantava às 14h, tomava café sem falar uma palavra e lia uns oito jornais do Brasil e do mundo, que ninguém podia abrir antes dele – ele tinha ódio de jornal já lido. Às 18h ia para o Jornal, às 22h saía para jantar, meia-noite ele voltava para o jornal e só saia ninguém sabia quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nosso namoro não durou mais de um ano, pois só nos víamos no jantar das 22h à meia-noite, no Giovanni Bruno. Mas o que ficou foi um grande carinho e uma admiração por um homem que adorava o design gráfico, o jornalismo e a sua turma.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-5429839423846298832?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/5429839423846298832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=5429839423846298832&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/5429839423846298832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/5429839423846298832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/08/o-jornal-mais-bonito-do-mundo.html' title='O jornal mais bonito do mundo'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SKXYIm46azI/AAAAAAAAAEU/JueFWwxzV1w/s72-c/catalogo3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-5196993531543992585</id><published>2008-08-13T07:06:00.000-07:00</published><updated>2008-08-13T07:11:28.268-07:00</updated><title type='text'>Murilo, eterno Murilo</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;José Maria Mayrink&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi amizade à primeira vista. Eu tinha dois anos de jornalismo, muito mais foca do que hoje, quatro décadas depois, quando cheguei à redação do Jornal do Brasil, em agosto de 1964, a convite não sei de quem, mas sem dúvida com o aval de Murilo Felisberto. Não o conhecia, mas ele sabia de minhas primeiras reportagens em Belo Horizonte - Correio de Minas, revista Alterosa e Diário de Minas - pois era um sujeito atento às novidades, sempre em busca do que chamava de revelações. Tínhamos amigos comuns, entre os quais Roberto Drummond, que por indicação dele foi ser copydesk no JB, um supercopy que, embora tivesse um belo salário, não se adaptou no Rio. &lt;br /&gt;Murilo também não. Contratado por Alberto Dines para montar o Departamento de Pesquisa, surpreendeu os amigos, pois ninguém acreditava que ele saísse de São Paulo. Mineiros exilados - ele de Lavras, eu de Jequeri - logo nos entendemos nas poucas horas vagas que o trabalho nos dava. Como chegávamos cedo à redação, tirávamos um tempinho para tomar um café numa leiteria do Edifício Avenida Central, a dois quarteirões da Avenida Rio Branco, 110, antiga sede do JB. Café com pão e manteiga, pois ainda não havia pão de queijo no cardápio, era só pretexto para um bate-papo. Nenhuma pauta definida, mas sempre falando de reportagem. &lt;br /&gt;Jornalismo, bons textos e boas fotos, comentários sobre a edição do dia, em meio a intermináveis silêncios, se intercalavam na conversa mineiríssima que a gente, de segunda a sexta-feira, naqueles meses de 1964 e no primeiro semestre de 1965, enquanto Murilo morou no Rio. Ele me pedia informações sobre quem estava se projetando em Minas, os novos talentos que pretendia incorporar à sua equipe, ali no JB ou em futuros projetos. As longas pausas da conversa me desconsertavam, pois quase nunca eu tinha respostas para o que me perguntava. Acho que esperava isso, porque na verdade só queria consolidar os conceitos já quase definitivos que fazia dos profissionais de sua admiração. &lt;br /&gt;Noivo em São Paulo, Murilo passava a semana no Rio e tomava um avião da ponte aérea, toda tarde de sábado, para só voltar na segunda-feira. Costumava acompanhá-lo até o Aeroporto Santos Dumont, sempre a pé, para esticar a conversa e os silêncios da leiteria do Avenida Central. Num desses passeios, paramos na Cinelândia para comer pipoca. &lt;br /&gt;- Como vai? - perguntou Murilo na hora de pagar. &lt;br /&gt;- Tudo bem, mas são 50 cruzeiros - respondeu o pipoqueiro. &lt;br /&gt;Apesar de nossa proximidade, nunca trabalhei com Murilo no Departamento de Pesquisa, que já em sua primeira fase reunia uma equipe extraordinária. Antônio Beluco Marra, Adauto Novaes, Luiz Carlos Lisboa, Luiz Paulo Horta, Luiz Tapias, Estela Lachter, João Máximo, Ana Maria Andrade, Moacyr Japiassu e Clotilde Hasselman foram os pioneiros de uma turma brilhante, à qual se juntariam em seguida Samuel Dirceu, Luiz Adolfo Pinheiro, José Nicodemus Pessoa, Roberto Pereira e Talvani Guedes Fonseca. &lt;br /&gt;Outros vieram depois, mas, salvo traição da memória, chegaram após a volta de Murilo para São Paulo, onde ele participaria, peça-chave, da criação do Jornal da Tarde. Continuei no Rio por mais algum tempo, até que em junho de 1968 ele me telefonou para perguntar se não toparia sair do Rio. Mandou-me uma passagem de avião e, ao saber que Mino Carta também queria conversar comigo, aconselhou-me a ouvir a proposta de Veja, então em fase de lançamento. &lt;br /&gt;- Vá para a Veja, pois a proposta do Mino é melhor; se não der certo, você vem pra cá - , disse Murilo, fazendo uma promessa que cumpriria seis meses depois. Luiz Orlando Carneiro, chefe de reportagem, tentou me segurar no JB e Alberto Dines, editor-chefe, também interveio. Não gostou de minha saída, tive a sensação de rompimento definitivo quando mantive a decisão de me demitir. &lt;br /&gt;- Aquilo foi briga de amor, o Dines só não queria perder um bom repórter - comentou Murilo alguns meses depois, quando eu já estava no quinto andar da Rua Major Quedinho, trabalhando com ele em São Paulo. Um elogio que me deixou orgulhoso e uma interpretação que se confirmaria correta mais tarde, pois o Dines esqueceu o episódio e continuou meu amigo.&lt;br /&gt;Murilo foi um dos meus mestres na profissão. Entusiasta da reportagem e, principalmente, de um bom texto, manteve-se fiel à sua mania de garimpar talentos promissores onde pudesse encontrá-los. Sobretudo em Minas, sua referência maior. &lt;br /&gt;O JT e o Estado de S. Paulo devem a ele a descoberta ou a contratação de profissionais como Ivan Ângelo, Flávio Márcio, Marcos Faerman, Guilherme Duncan de Miranda, Fernando Mitre, Samuel Dirceu, Waldo Paolielo, Gabriel Manzano, Fernando e Toinho Portela, Valdir Sanches, Cláudia Batista, Valéria Wally, Anélio Barreto, Gilberto Mansur, Luiz Carlos Lisboa - e de mais uma dezena de talentos que se incorporaram à equipe pelas mãos dele ou de Mino Carta. &lt;br /&gt;Ewaldo Dantas Ferreira, Fernando Morais, Ricardo Gontijo, Rolf Kuntz, Carlos Brickmann, Demócrito Moura, Inajar de Souza, Randáu Marques, Percival de Souza, Humberto Werneck, Moisés Rabinovici, Kleber de Almeida, Sérgio Rondino, Sandro Vaia, José Eduardo (Castor) Borgonovi, Antônio Carlos Fon, Marco Antônio Rezende, Marco Antônio de Menezes, Mário Lima, Décio Pedroso, Alberto Morelli, Ouhydes Fonseca, para citar mais alguns exemplos, também estavam no JT.&lt;br /&gt;Luiz Carlos Lisboa, o Doutor Lisboa, como ele o tratava, foi braço direito do Murilo na redação. Sujeito de trato britânico, Lisboa foi encarregado de comunicar a um repórter que ele seria demitido, numa dessas fases de contenção de despesas. &lt;br /&gt;- Acabo de ficar noivo, vou casar em janeiro, não posso ficar sem esse emprego - reagiu a vítima, deixando Lisboa sem reação. Também atônito, Murilo esperou  passar um mês para mandar Lisboa voltar à carga. &lt;br /&gt;- Já falei que vou casar em janeiro e que não posso sair. Quer me deixar irritado, é só tocar nesse assunto - insistiu o repórter que, é claro, acabou sendo mesmo dispensado.&lt;br /&gt;Era esse o jeito de Murilo administrar pessoal. De fala mansa, sorriso constante e raras mostras de irritação, disfarçava com o silêncio, muitas vezes interpretado como indiferença, suas fases  de mau-humor. Nunca me senti alvo de tais reações, mas ouvi sentidas queixas de alguns de seus melhores amigos. &lt;br /&gt;Murilo adorava uma boa fofoca ou uma maldade até certo ponto inocente. Contava, repetia e, principalmente, ouvia com gosto o que corria pelas redações. Sabia também reconhecer o mérito e talento de seus colaboradores. Elogiava a boa apuração de uma reportagem, a excelência de um texto, a criatividade de uma diagramação. O JT deve a ele a qualidade e a beleza dwe sua melhor fase. &lt;br /&gt;Em sua última passagem pela Avenida Marginal - ele mais uma vez editor-chefe do JT, eu na reportagem do Estado - tivemos rápidas conversas, quase só de pergunta e resposta, quando a gente se cruzava pelos corredores. &lt;br /&gt;- Como vai a sua Igreja? - costumava me provocar, ao comentar posições oficiais do Vaticano ou manifestações de teólogos (referia-se aos da Libertação), quando queria falar de religião. Não importando o que eu pensasse, ele escutava e sorria. &lt;br /&gt;Foi amizade até o fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-5196993531543992585?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/5196993531543992585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=5196993531543992585&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/5196993531543992585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/5196993531543992585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/08/murilo-eterno-murilo.html' title='Murilo, eterno Murilo'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-5177904849765260633</id><published>2008-08-12T08:12:00.000-07:00</published><updated>2008-08-12T08:13:42.058-07:00</updated><title type='text'>link</title><content type='html'>Maria Ignez Whitaker&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aos 28 conheci Murilo. &lt;br /&gt;Atravessamos marés &lt;br /&gt;e mares diversos. &lt;br /&gt;A corrente energética &lt;br /&gt;nunca foi interrompida”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-5177904849765260633?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/5177904849765260633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=5177904849765260633&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/5177904849765260633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/5177904849765260633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/08/link.html' title='link'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-238127603628345576</id><published>2008-08-11T06:23:00.000-07:00</published><updated>2008-08-11T06:25:50.990-07:00</updated><title type='text'>Mikka</title><content type='html'>&lt;div&gt;Michaela Pivetti&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SKA9juA3H8I/AAAAAAAAAEM/6K3wv_BxYZY/s1600-h/michaella_retrato+murilofelisberto.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SKA9juA3H8I/AAAAAAAAAEM/6K3wv_BxYZY/s400/michaella_retrato+murilofelisberto.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233250450860875714" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-238127603628345576?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/238127603628345576/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=238127603628345576&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/238127603628345576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/238127603628345576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/08/mikka.html' title='Mikka'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SKA9juA3H8I/AAAAAAAAAEM/6K3wv_BxYZY/s72-c/michaella_retrato+murilofelisberto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-3868815543251928583</id><published>2008-08-09T15:23:00.000-07:00</published><updated>2008-08-09T15:30:52.226-07:00</updated><title type='text'>O Murilo NUNCA ERRA</title><content type='html'>&lt;div&gt;Marc Tawil&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SJ4aOid_NLI/AAAAAAAAAEE/J_lAuKq6eeg/s1600-h/marc+tawil.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SJ4aOid_NLI/AAAAAAAAAEE/J_lAuKq6eeg/s400/marc+tawil.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232648654124168370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Pouca coisa afligiu mais o Murilo durante sua última passagem pelo Jornal da Tarde do que a minha latente heterossexualidade. Uma causa que começou cedo, assim que dei os primeiros passos na redação, em abril de 2000. “Esse é, viu? Pode apostar”, murmurou ele ao Waltinho, o manager. “Você é sim! O Murilo NUNCA ERRA”, fazia (e faz até hoje) questão martelar na minha cabeça o Waltinho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;Recém-chegado do rádio, eu não tinha muita noção da importância da grife Murilo para o jornalismo e a publicidade. Ele, com certeza, tinha da minha.&lt;br /&gt;Gostávamos de travar diálogos improváveis, para alguns, inexplicáveis. Divertíamos-nos. Talvez por isso – o que me enche de orgulho –, eu não tenha sequer uma linha para escrever sobre o Murilo chefe, o Murilo publicitário, o Murilo redator, o Murilo repórter. O Murilo que guardo na memória é o amigo, o wise guy.&lt;br /&gt;A última vez que nos vimos foi no Spot, no ano passado. Jantamos com o Ricardo Freire, amigo dele de longa data. Rimos bastante, falamos bem e mal do mundo (especialmente mal), ele com canetas no bolso da camisa azul e óculos de tartaruga, eu com um cachecol que o fazia sorrir.&lt;br /&gt;Uns meses depois, combinamos um almoço.&lt;br /&gt;- Marc Tawil, vou te levar a um lugar charmosim, onde tenho certeza de que você vai se sentir à vontade&lt;br /&gt;- Numa sauna?&lt;br /&gt;- Não, num bistrozin novo aqui na Melo Alves&lt;br /&gt;Era uma terça. Como prometido, fui até a Melo Alves. Mas o elevador do prédio dele, nesse dia, quebrou.&lt;br /&gt;- Desculpe... Se eu descesse, não subiria mais. Tenho aquele probleminha, você sabe...&lt;br /&gt;Me lembro de ter almoçado só nesse dia. E me lembro também que estive à vontade, como ele sugeriu que eu ficaria. Estava certo. Óbvio, afinal, o Murilo NUNCA ERRA.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-3868815543251928583?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/3868815543251928583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=3868815543251928583&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/3868815543251928583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/3868815543251928583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/08/o-murilo-nunca-erra.html' title='O Murilo NUNCA ERRA'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SJ4aOid_NLI/AAAAAAAAAEE/J_lAuKq6eeg/s72-c/marc+tawil.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-5666459654364030567</id><published>2008-08-08T12:12:00.000-07:00</published><updated>2008-08-08T12:20:04.232-07:00</updated><title type='text'>E=m.c2</title><content type='html'>Cecília Vicente de Azevedo&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SJycLL219NI/AAAAAAAAAD0/nN4tvb99Gn0/s1600-h/15.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SJycLL219NI/AAAAAAAAAD0/nN4tvb99Gn0/s400/15.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232228583072986322" /&gt;&lt;/a&gt;Tenho sentido falta do Mu. Desde 1984 quando iniciamos o seu apartamento na Rua Piauí nunca mais nos deixamos.&lt;br /&gt;Tenho saudades de vê-lo chegando com seus livros e revistas em baixo do braço, dos seus desenhos e caricaturas que fui colecionando durante as reuniões semanais.&lt;br /&gt;Saudades do café e dos docinhos que mandava buscar. Do seu humor as vezes bom, outras nem tanto, que reconhecia apenas pela sua maneira de cumprimentar.&lt;br /&gt;Com Murilo a tarde nunca era monótona; econômico em suas palavras bem colocadas, suas dicas sutis, a frase afiada.&lt;br /&gt;Depois que acabamos a obra na Rua Piauí, continuamos a nos ver com freqüência, até que alguns anos depois resolveu sair do bairro e comprou uma cobertura na Rua Haddock Lobo.&lt;br /&gt;Quando iniciamos o projeto, sugeri fazermos o feng shui. Dias depois Martine telefonou para o escritório e disse: Cecília estou surpresa, pois o seu cliente não tem matéria - é energia pura. E ele adorou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-5666459654364030567?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/5666459654364030567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=5666459654364030567&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/5666459654364030567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/5666459654364030567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/08/emc2.html' title='E=m.c2'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SJycLL219NI/AAAAAAAAAD0/nN4tvb99Gn0/s72-c/15.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-8388451427712190775</id><published>2008-08-07T14:32:00.000-07:00</published><updated>2008-08-07T14:48:42.754-07:00</updated><title type='text'>Por que eu?</title><content type='html'>Marino Maradei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SJtqobTXA-I/AAAAAAAAADc/Xc4w26DELjY/s1600-h/foto+capa+viver.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SJtqobTXA-I/AAAAAAAAADc/Xc4w26DELjY/s400/foto+capa+viver.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5231892634877232098" /&gt;&lt;/a&gt;Naquele tempo – 1976 – redator no Jornal da Tarde  era chamado de copy desk. Havia pela redação do JT dezenas de copies, distribuídos em numerosas editoriais. Política, Internacional, Geral, Esporte, Variedades. Em 76, eu era copy de geral. Escondia-me, assustado, atrás de “minha Olivetti”. Não me sentia à altura daquele timaço de jornalistas que trabalhavam e circulavam no mesmo espaço em que eu – glória e calvário! – “fechava” matérias até alta madrugada. Registro: o secretário de redação era Ivan Ângelo, o escritor. Que fazia eu ali? A cada final de edição, convencido de que não era digno de ocupar aquele espaço, prometia-me não voltar mais no dia seguinte; desistir de tudo, sumir. Só que não desistia. E nada mudava. Certo dia...porém (era um começo de expediente), o Rabino aproximou-se de mim e anunciou: “O Murilo vai fazer um jornal. Um jornal dele, dono, editor e diretor; e quer que você vá trabalhar com ele.” Fui, sei lá se por um ato de coragem ou de desespero. Perguntei a Murilinho, algumas vezes: “Por que eu?” Jamais me respondeu. Apenas passava a mão em meu ombro, olhando para o nada. E ia embora, um monte de revistas debaixo dos braços.&lt;br /&gt; Atônito, ao lado de  Murilinho vi nascer o Viver, tablóide paulistano semanal, guiado pelo subtítulo: Programa completo dos prazeres da cidade.&lt;br /&gt; A sede do Viver ocupava um pequeno conjunto de quatro salas num altíssimo edifício da rua Augusta, muito próximo à região dos Jardins. Questionava-me, sem acreditar – em meio a muito trabalho: –  “Sou eu mesmo quem está aqui? Murilinho, diretor de redação do JT é também um empreendedor, como vai tocar esse Viver?”&lt;br /&gt; Levou-o por cinco números. O zero (foto  de capa de Chico Guerissi, direção de arte de Hélio de Almeida) saiu em abril de 1976. Eu não tinha, então, a mínima percepção de que, em1976, Murilinho estava criando no Viver um Time Out paulistano perfeito (e necessário) para 2007.&lt;br /&gt; Quando o Viver fechou as portas, Murilinho reuniu os colaboradores mais próximos para brindar, com terna alegria, o final de uma aventura que não cabia em nenhum adjetivo. Brindou-nos com duas garrafas de champanhe. A primeira, uma Veuve Clicquot, de origem controlada; a segunda, uma Georges Aubert, nacional. Com aquele sorrizinho enigmático que sempre o marcou, Murilinho levantou copos de vidro (não havia taças disponíveis) e brincou: “Foram as últimas que sobraram de minha adega”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-8388451427712190775?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/8388451427712190775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=8388451427712190775&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/8388451427712190775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/8388451427712190775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/08/por-que-eu.html' title='Por que eu?'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SJtqobTXA-I/AAAAAAAAADc/Xc4w26DELjY/s72-c/foto+capa+viver.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-6721061471565233549</id><published>2008-08-07T05:53:00.001-07:00</published><updated>2008-08-07T05:56:15.870-07:00</updated><title type='text'>Murilo Agostini Felisberto</title><content type='html'>Alfredo Alves de Lima&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei muito alegre em saber desta iniciativa de montarmos um breve compêndio sobre nossas lembranças individuais com nosso querido Murilo, a quem chamarei daqui em diante da mesma maneira como sempre me referi a ele: “Mú”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive o grande privilégio de conhecê-lo aos doze anos, quando me mudei para seu apartamento na Rua Cristiano Viana com minha mãe, Ignez Whitaker, e minhas duas irmãs, Nina e Meméia. Foi durante esta época que conheci minha terceira “irmã”, a Carlota, filha única do Mú.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde então, ele foi sempre um grande pai para mim – de certa maneira muito mais presente e ativo do que meu próprio pai biológico. Sempre me incentivou, me apoiou, me fez rir, me deu dicas, me surpreendeu e me amou – claro, à sua maneira absolutamente única e especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adorava acordar de manhã e tomar café com ele, saborear um suco de laranja sempre super fresco, um pão com manteiga crocante com um boa dose de manteiga e um cafezinho bem escuro – sempre acompanhado de seus jornais e revistas. Adorava também ouví-lo tocar piano, o qual ficava no segundo andar de seu charmoso duplex. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Após algum tempo, nos mudamos para uma lindíssima casa na Rua Santo Antonio, no bairo do Bixiga, que minha mãe acabara de comprar e restaurar. Esta fase também foi marcada por muitos momentos alegres, dentre os quais sobresai a mudança de meu irmão Antonio Manoel, que havia deixado a casa de meu pai no Morumbi para vir morar conosco. Para melhorar, nossa família expandida contava agora também com as frequentes visitas de nossa querida Carlota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na casa da Rua Santo Antonio, tenho dois grandes momentos dos quais me recordo com especial carinho: O primeiro eram as nossas refeições, sempre populosas e muito animadas, que o Mú oportunamente enriquecia com seus comentários breves porém altamente perspicazes e contundentes. O segundo, quando Mú e eu, apenas nós, nos dirigíamos para a sala de TV para assitir filmes de faroeste. Costumávamos conversar sobre tudo ao mesmo tempo em que ele assitia ao filme, lia seus jornais e fazia caricaturas, arte esta que ele dominava com especial primor e requinte, mesmo que feitas em uma mera folha de guardanapo ou no próprio jornal. (Que pena que nunca guardei nenhuma delas!!!)  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, quando fui estudar em Nova York, minha amizade pelo Mú se estreitou ainda mais. Saíamos sempre juntos, acompanhados de minha mãe e minha então namorada e atual mulher Patricia. Nosso principal programa era visitar lojas de som, das mais simples às mais sofisticadas. Apesar de sua total fluência, ele não costumava se expor ao idioma, fazendo com que eu desempenhasse o papel de intérprete. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a época em que trabalhava no Republic National Bank, ao lado da biblioteca na 5a avenida, o Mú vinha sempre almoçar comigo. Ele adorava também ir à loja Barneys para procurar por sapatos e gravatas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muitos anos, quando voltei ao Brasil, continuei muito próximo ao Mú. Sempre nos falávamos por telefone ou íamos visitá-lo em seu apartamento na Rua Piauí antes de sairmos para jantar – muitas vezes no restaurante Arábia. Ele adorava minha mulher Patricia e achava profunda graça em meus três filhos, Julita, Pedro e Lucas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me recordo de um episódio um tanto “Murilesco”, quando eu e minhas irmãs havíamos combinado de sair com ele para jantar. Subimos ao seu apartamento, conversamos um pouco e enfim descemos. Quando já estávamos no ponto de taxi na Praça Buenos Ayres prestes a adentrar o carro, o Mú nos olhou e disse que não estava mais com vontade de sair. Simplesmente nos deu um carinhoso beijo e começou a caminhar de volta rumo ao seu prédio. Mesmo que de certa forma surpresos como o repentino “abandono”, rimos muito, pois sempre compreendemos e de fato admirávamos a sinceridade e a legitimidade de seus atos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, são estas algumas das inúmeras lembranças alegres que tenho do nosso querido Mú. A última da qual me recordo com particular prazer ocorreu num domingo recente, pouco antes de seu falecimento, quando fomos tomar um brunch no Café Suplicy. Estava confidenciando a ele uma experência ruim e triste que havia tido com meu pai. Logo que acabei de “descarregar” toda minha indignação sobre o comportamento de meu pai, o Mú me olhou sobre a folha do jornal e disse” “Tá certo, Alfredo, seu pai fez a coisa certa!”. Ele, mais uma vez, com seu jeito único, sereno e sobretudo enfático, me fez rir, me surpreendeu e, acima de tudo, me desarmou por completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mú – obrigado por tudo, por seu carinho, por sua sabedoria, por sua sempre deliciosa companhia. Sinto muitas saudades de você, de nossas risadas, de suas fofocas, de seu talento, de seu senso de humor, de escutar música com você e, sobretudo, de sua torcida. I will miss you forever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Much love….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alfredo (vulgo “Anjo”)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-6721061471565233549?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/6721061471565233549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=6721061471565233549&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/6721061471565233549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/6721061471565233549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/08/murilo-agostini-felisberto.html' title='Murilo Agostini Felisberto'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-9180695722159835947</id><published>2008-08-06T06:56:00.001-07:00</published><updated>2008-08-06T06:57:26.729-07:00</updated><title type='text'>Murilinho por Rodolfo Vanni</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SJmtwTiWoiI/AAAAAAAAADU/xBcyIdnWL5g/s1600-h/murilinho.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SJmtwTiWoiI/AAAAAAAAADU/xBcyIdnWL5g/s400/murilinho.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5231403487557231138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-9180695722159835947?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/9180695722159835947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=9180695722159835947&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/9180695722159835947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/9180695722159835947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/08/murilinho-por-rodolfo-vanni.html' title='Murilinho por Rodolfo Vanni'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SJmtwTiWoiI/AAAAAAAAADU/xBcyIdnWL5g/s72-c/murilinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-1009601006990631795</id><published>2008-08-06T05:44:00.001-07:00</published><updated>2008-08-21T05:20:19.612-07:00</updated><title type='text'>Murilo Felisberto por Márcio Pinheiro</title><content type='html'>Márcio Pinheiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o melhor chefe que eu tive. Foi o pior chefe que eu tive. Trabalhar (conviver) com Murilo Felisberto era viver nessa gangorra. Foi alguém que acreditou em mim desde o primeiro momento. Sem motivo algum. Eu, aqui em Porto Alegre, fui chamado por ele, que tinha algumas (poucas) referências minhas, quase todas elas passadas pela Cacaia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sabia do talento gregário, da capacidade de aglutinar talentos, primeiro na gênese do Jornal da Tarde, depois na DPZ. Tive a a alegria de trabalhar com alguns desses discípulos - Ilan, Daniel, Felipe, Riq - e tive a felicidade de receber do Murilo algumas lições preciosas de jornalismo e de vida - quase todas elas involuntárias, bem no estilo dele, um mestre que desprezava os didatismos. Foi uma convivência curta (pouco mais de um ano), intensa e, às vezes, traumática. O humor ferino era um dos faróis de sua inteligência. Gostava de piadas rápidas, de chistes, de observações agudas. E posso me orgulhar de ter deixado para ele uma pequena pérola do meu repertório. Sei que ele gostou porque, bem ao seu estilo, foi divulgando para conhecidos o achado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o primeiro momento, ele me tratou como se fôssemos velhos amigos. A empatia foi imediata. Primeiro por telefone, depois quando fui recebido ao vivo na caótica sala que (raramente) ocupava durante uma das diversas reformas da redação do Jornal da Tarde. Exato um ano depois, comigo já contratado e morando em São Paulo, recordei a ele esse primeiro encontro e ouvi. "Viu, azar o teu".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi azar. Foi uma das maiores sortes da minha vida ter convivido com Murilo Felisberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Márcio Pinheiro, gaúcho de Porto Alegre, colorado, 41 anos, jornalista profissional há 19. Trabalha atualmente na Zero Hora e trabalhou com Murilo Felisberto no Jornal da Tarde entre dezembro de 2001 e fevereiro de 2003.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-1009601006990631795?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/1009601006990631795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=1009601006990631795&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/1009601006990631795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/1009601006990631795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/08/murilo-felisberto-por-mrcio-pinheiro_06.html' title='Murilo Felisberto por Márcio Pinheiro'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-2028035577037921482</id><published>2008-08-05T14:28:00.000-07:00</published><updated>2008-08-05T15:04:03.895-07:00</updated><title type='text'>Miss Abacaxi</title><content type='html'>Michelle Alves de Lima&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SJjMAFYCdgI/AAAAAAAAADM/BjbNYLr5zLg/s1600-h/michelle008.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SJjMAFYCdgI/AAAAAAAAADM/BjbNYLr5zLg/s400/michelle008.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5231155269005899266" /&gt;&lt;/a&gt;Minha mãe disse que conheci o Mu antes, mas a verdade é que só me lembro dele a partir de algum dia de dezembro de 1989, quando tinha seis anos. Foi o dia em que virei a “miss abacaxi”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ia viajar com ele e a Carlota para os Estados Unidos, onde encontraria minha avó, Ignez. Era minha primeira viagem para fora do País, e provavelmente era também a primeira vez que o Mu levava uma criança para o exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lembro-me que cheguei ao aeroporto com minha mãe, meu avô e meus tios, no horário certinho (um pouco antes das três horas de praxe para vôos internacionais), mas havia esquecido algo bem importante: a autorização dos meus pais para eu viajar (minha mãe não sabia que precisava de um documento por escrito também assinado por meu pai, com firma reconhecida etc). Imagina como o Mu deve ter 'adorado' essa história...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi uma confusão só. Fomos à sala da Polícia Federal no aeroporto, e até convencermos o agente de plantão que não tinha como meu pai assinar o papel (naquela época ele já morava no exterior), tampouco como falar com ele pelo telefone (ele é surdo), foi um trabalhão. Se antes eu estava aos prantos por ficar um mês longe da minha mãe, naquela hora eu fiquei aos prantos com a possibilidade de não viajar com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Problema resolvido, embarquei com o Mu – que naquele dia virou meu tio, pois o agente federal colocou no meu passaporte ‘a menor viajará acompanhada de seu tio’. E ganhei um apelido, pois o Mu descobriu que era mais que uma mala que ele estava levando para Nova York. Era a Miss abacaxi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;‘Para’ o Mu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mu dizia que a gente (o Ilan, meu editor) dava muita importância para essa história de gastronomia. “Imagina, lançar um caderno só com esse assunto”, ele falava. Mas o Mu bem que lia o Paladar. E o pior é que ele não comentava nada, então eu não sabia se ele tinha gostado ou não (só depois, lendo previamente os textos deste livro, descobri que essa era uma característica do Mu-jornalista, versão dele que eu quase não conheci).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A última matéria que fiz que ele leu, sobre comida de avião, parece que ele gostou. No dia em que ela foi publicada, liguei para minha avó para contar e ela disse que o Mu já tinha ligado e até elogiado (do jeito dele, claro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Feliz, fui ligar para ele para “colher os louros” e também combinar de almoçar no dia seguinte. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O almoço não deu certo, pois ele estava se sentindo mal, já tinha até cancelado o programa dele no Spot (que era sagrado, diga-se de passagem), e no dia seguinte não estaria disposto (quatro dias depois do meu telefonema, ele foi internado). Perguntei se ele tinha lido a matéria, apesar de já saber a resposta. Quando estava com o ouvido pronto para ouvir os elogios e receber uma massagem no ego, ele disse: “Li, sim. Mas ‘pra’, Mi? Que história é essa? Ta desistindo?”.&lt;br /&gt;O Ilan já tinha ligado para o Mu *.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Eu nunca tinha usado ‘pra’ em uma matéria. Justo esta vez, que fiz uma matéria de três páginas, inventei de usar ‘pra’ no lugar de ‘para’ ‘pra’ dar uma ‘descontraída’ no texto. Já tinha visto em outros textos – ok, não no Paladar – e achei que não teria problemas. Quando o Ilan, meu editor, viu os ‘pras’, me chamou a atenção por cada um deles. Substituiu por para, claro, e depois contou para o Mu, que ficou decepcionadíssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nem tive tempo de contar para ele que eu não estava mais usando ‘pra’. Duas semanas depois, o Mu nos deixou...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-2028035577037921482?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/2028035577037921482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=2028035577037921482&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/2028035577037921482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/2028035577037921482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/08/miss-abacaxi.html' title='Miss Abacaxi'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SJjMAFYCdgI/AAAAAAAAADM/BjbNYLr5zLg/s72-c/michelle008.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-3598730632902649607</id><published>2008-08-04T13:25:00.000-07:00</published><updated>2008-08-04T14:30:43.381-07:00</updated><title type='text'>Murilo, como você me faz uma dessa?</title><content type='html'>Luiz Américo Camargo&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SJdl6ASGagI/AAAAAAAAADE/a511Mqf1TUI/s1600-h/AMERICO.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SJdl6ASGagI/AAAAAAAAADE/a511Mqf1TUI/s400/AMERICO.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5230761539396856322" /&gt;&lt;/a&gt;   Ele chegava aos domingos quase sempre num mau humor épico. Nunca entendi por que, ele não me parecia do tipo que se queixasse de trabalhar até tarde, ou no fim de semana. Entrava com seu passinho miúdo, ia até a mesa ler os jornais. Lá do meu canto, eu via a figura franzina despontando, e prosseguia as tarefas. Voltava os olhos para minha tela do computador, e começava a contar, mentalmente: um, dois, três... Quando chegava no dez, ou pouco depois disso, era fatal. O contínuo já estava atrás de mim, avisando: "O Murilo quer falar com você". Eu já sabia, e sofria por tudo. A chegada dele, os dez segundos contados, os vinte passos até sua mesa, e ia ensaiando mentalmente uma fala para que a voz não falhasse, respirando fundo para manter a calma, moldando um rosto levemente sorridente.&lt;br /&gt;“Tudo bem, Murilo?” Ele folheava os jornais, a expressão de tédio. Abria uma página do JT, claro que da minha editoria, dava um tapinha no papel com as costas da mão e me dizia: “Luiz Américo, como é que você me faz uma dessa?”. E eu não entendia o que tinha feito de errado, e sabia que ficaria pior se perguntasse. Terminado o econômico e enviesado diálogo, eu retornava ao meu canto, tentando entender onde tinha falhado ou que raio de incongruência havia entre o que tinha sido publicado e o que estava na cabeça dele.&lt;br /&gt;O diretor de redação que eu conheci era um sujeito difícil. No nosso primeiro contato, eu na sala dele, minha impressão inicial foi a de que ele tinha muita idade, mas não sabia precisar quantos anos. E no entanto tinha os olhos faiscantemente juvenis. Falava manso e tinha um dandismo já tão bem incorporado que não soava como afetação. "Não trouxe nada seu para eu ler?". Eu tinha numa pasta um texto de quatro páginas, um perfil de Malcolm Forbes. Ele leu, e perguntou, com um riso irônico: "Não falou nada de homossexualismo? Aquelas motos, aquelas roupas de couro...". Não disse que gostou mas foi logo explicando qual era o salário. O homem que criou o Jornal da Tarde havia me contratado. E eu saí da sala sem saber se ele era velho, ou se era jovem, e se era possível alguém com tanta história dar a impressão de que tudo aquilo - o JB, o JT, a DPZ - não tinha sido com ele.&lt;br /&gt;Ele me achava triste, sério. Era quase um bordão. "Luiz Américo... sorria." E eu, que não sou nem tão sério e nem tão triste, me intimidava porque ele ia fundo naquilo que eu mais detestava em mim nos tempos de criança. O garoto calado, sério, triste. A construção feita ao longo dos anos, do homem seguro, tranqüilo, tinha uma fenda. E era por ali que ele olhava.&lt;br /&gt;Murilo foi marcante pelo que disse, mas eu lamento, de verdade, pelo que ele não disse. Gostaria de ter sido interlocutor em mais conversas, de ter compartilhado mais opiniões. De ter levado mais broncas diretas, e não carraspanas indiretas, do tipo “Fulano, avisa o Luiz Américo que não é mais para fazer assim ou assado”- estando eu a um metro dele. Um dia, ele sentou do meu lado, tirou a Montblanc do bolso, apanhou uma folha de papel e explicou: “Luiz Américo, quando você for desenhar um abre com sub-retranca, faz assim...”. E rabiscou duas ou três soluções que me abriram um mundo de possibilidades de diagramação. Outras vezes eu quis outras lições, mas ele não dava. Regulava, sem dó. Só quando ele queria, e mantinha o controle absoluto dessa relação, creio que com todos.&lt;br /&gt;Num outro dia, me vendo com um CD da Gran Partita, de Mozart, pegou o disco, leu os créditos atentamente, me devolveu com um sorriso sutil. Dias depois, apareceu do nada, eu no meio do fechamento, bateu no meu ombro e disse: “Sabe o que a Audio Review (ou outra revista, não lembro qual) escreveu sobre essa versão que você tem? Fuja!”. Deu as costas e se afastou dando risada. Era assim.&lt;br /&gt;Deixamos de trabalhar juntos e eu raramente falava com o Murilo. Mas sabia das notícias pelos amigos. Precisei me afastar dele para que lembranças de maus humores, mágoas e birras se dissipassem. Viraram histórias. Foi quando eu entendi que havia convivido com um gênio, que não podia ser julgado pelos padrões normais de sociabilidade.&lt;br /&gt;Depois nos encontramos algumas vezes, por acaso: na rua, na livraria, no restaurante. E foi sempre muito bom. Gosto de pensar que ele falava bem de mim pelas costas (para usar uma de suas frases), mas não deu tempo de tirar a limpo. Murilo, como é que você me faz uma dessa?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-3598730632902649607?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/3598730632902649607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=3598730632902649607&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/3598730632902649607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/3598730632902649607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/08/murilo-como-voc-me-faz-uma-dessa.html' title='Murilo, como você me faz uma dessa?'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SJdl6ASGagI/AAAAAAAAADE/a511Mqf1TUI/s72-c/AMERICO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-1468991456164663738</id><published>2008-08-04T04:21:00.000-07:00</published><updated>2008-08-04T04:26:36.075-07:00</updated><title type='text'>•</title><content type='html'>Yolanda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querida Carlota e amado Antônio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Se eu quisesse representar o homem “tal como ele é” precisaria de uma mescla de linhas tão desconcertantes para sua configuração que... o resultado seria uma confusão a tocar todos os limites das desconfigurações. Paul Klee.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pensando Murilo, apoiada em Klee, acrescentaria espaços atemporais para transitarem o germe do homem que renasce, a razão do homem que permanece e a sabedoria do homem que semeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“Les yeux fertiles” – descobridor de talentos, impulsiona-os a descobrirem suas forças destinais;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;“Tout a la coleur de aurora!” – ícone lendário sustenta a novidade a solidez, permitindo que imagens e linguagens se encontrem na simplicidade, para serem belas e verdadeiras;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;“Avec le feu d’um chanson sans fausse note” – o mito rege os afortunados jornalistas daquele tempo e lugar, ali abrem-se vias renovadas que nos provocam e inspiram à renovação para admirar o novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Murilo feito dos “possíveis”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vivemos sempre num clima de bondade, amor, criação, respeito, à procura de inovação: você na linguagem escrita e visual; eu na linguagem pictórica. Madrugadas a dentro, com nossa casa sempre cheia de amigos, discutindo jornal, manchetes, fatos, cinema, arte, teatro etc..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Murilo jornal/ Murilo revista, era uma composição harmoniosa tão forte, que indagaram a ele no Jornal do Brasil se eu era uma revista ou um jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O Diurno     -    carismático, poeta, músico, escritor, narrador, leitor [com seu jornal sempre debaixo do braço] caricaturista, pai, avô, amigo, companheiro, mestre; capaz de ver no outro, encurralado num inferno,  pontos fracos e fortes, de onde tirava e criava histórias, caricaturas, frases, feitas com uma inteligência fina cheias de humor, simbolismo e dignidade, isuspeitáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O Noturno    -     o construtor e autor de idéias ímpares originais, apaixonado pelo que fazia. Catalisa com competência o grupo de jovens jornalistas, fantasticamente criativos, sensíveis, de muita garra, responsáveis por uma imprensa aniquiladora da mediocridade, da mecanicidade. Voila! o marco da nova era no jornalismo brasileiro, o JT [Jornal da Tarde]. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mu, o sempre lembrado, o grade paradoxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tive o privilégio de ser seu “Guia de Passagem” na sua derradeira hora. Seu corpo na entrega sem medo passou para um mundo mais longínquo, adormeceu suavemente e seus restos mortais foram entregues ao Fogo Sagrado. Partiu mas deixou gravada impressões indeléveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seu neto “ Mandarim”  olha para o céu e diz para sua avó: - “ o Murilo está naquela estrela!”, apontando com o dedinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mu, abraço da Yo.                                                                                        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-1468991456164663738?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/1468991456164663738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=1468991456164663738&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/1468991456164663738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/1468991456164663738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/08/blog-post.html' title='•'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-8649105732251571548</id><published>2008-08-01T04:13:00.000-07:00</published><updated>2008-08-01T04:14:21.676-07:00</updated><title type='text'>Será...?</title><content type='html'>Fernão Mesquita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho um amigo que, toda vez que lê um jornal, balança a cabeça e sai dizendo: “O mundo não está para os exigentes; só vão sobrar os ratos e as baratas”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilinho era dos mais exigentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não escolhia caminhos fáceis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra ser exato, escolheu um dos mais difíceis: fazer uma obra nova todos os dias, das fundações ao acabamento, com o concurso de um bando enorme de pessoas – incontrolável como os humores humanos – e lutando exasperadamente para que cada uma delas saísse perfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sísifo perde...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem gente que pensa que ele era apenas o portador de um dom. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não foi tão fácil assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ele recebeu “de graça” não foi mais que uma inequívoca vocação e o aguçado senso estético que deus lhe deu e ele tratou de cultivar. O resto, aquela incrível capacidade de identificar e reunir todos os diferentes talentos necessários para produzir o jornalismo-arte que fez dele uma figura central da história da profissão em nossa geração, foi arduamente construído. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela sua ânsia de perfeição, Murilinho não economizava esforço. Aquela pilha de jornais e revistas do mundo inteiro que ele carregava tão constantemente que se tornou indissociável da memória da sua figura, e que incluía sempre recém nascidos desconhecidos até nas vizinhanças de onde tinham sido gerados, era a ganga no meio da qual ele garimpava incansavelmente as pequenas jóias da profissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde -- diabos! -- ele ficava sabendo da existência delas em plena era do papel, quando a informação ainda era transmitida quase manualmente, num país totalmente fechado às importações, ninguém sabe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas era indisfarçável que era essa busca que punha em funcionamento a fabrica de endorfina dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilinho escarafunchava o mundo das publicações à procura de novas formas, novos conteúdos ou novas maneiras de combinar os dois, com a sofreguidão e a meticulosidade dos viciados. Acho que gastava mais do que ganhava para se dar esse luxo. Em compensação, nada do que se experimentava na arte de contar histórias ou na forma de apresentá-las escapava do seu crivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como todo homem com esse nível de intensidade de atividade interior, tinha pouca paciência para as formas ritualísticas de representação do ser humano. Política, instituições, abstrações em geral – descartadas as suas manifestações mais elevadas, como a música, cujas entranhas ele destrinchava até à minúcia da vibração sonora – não faziam mais que irritá-lo e aborrecê-lo. &lt;br /&gt;Não é pra menos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que lhe interessava mesmo eram as pessoas e as relações entre elas. E, mais que tudo, as emoções que umas despertavam nas outras. Algo que o fascinava tão completamente que não resistia à tentação de provocar essas emoções só para poder vê-las se manifestando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa indulgência tinha o seu lado fértil: se, muito antes do mundo em rede, Murilinho sabia quem era quem – e o que sabia fazer -- nas mais longínquas redações do planeta, que dirá nas do Brasil!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que ele foi pinçando, um a um, em todos os quadrantes, os talentos dispersos por este eterno gigante adormecido, para juntá-los, todos, numa mesma sala, iniciá-los nas artes que dominava, e espicaçá-los para que uns multiplicassem a força criadora dos outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que ele mudou o jornalismo brasileiro. Foi assim que ele trouxe as pessoas, os indivíduos, para o centro da praça publica que é o jornal, inventou uma nova maneira de servi-las e criou um jeito novo da imprensa se relacionar com o publico. Foi assim que ele fez do Jornal da Tarde a fonte de inspiração e o plantel que abasteceu de talentos todas as redações da imprensa e da televisão brasileiras que, depois, foram surgindo ao longo do caminho que ele desbravou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A dor dói como dói, e não em função da causa que a produziu”, diz o poeta. As do Murilinho, portanto, não foram maiores que as dos outros. As minúcias da sua saga pessoal – a glória, o exílio, o resgate e o proverbial “assassínio” do criador pelas mais reles entre as suas criaturas – se dissolverão rapidamente no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ele fez é o que vai ficar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que nós assistimos juntos, com a curiosidade e o interesse pelo processo que nos envolvia que convém aos jornalistas, foi a realização do vaticínio que um dos grandes gênios da nacionalidade ditara, três ou quatro décadas antes, através das páginas do próprio JT do Murilinho. Em meio à generalizada conflagração ideológica que chacoalhava o século XX – mais acirrada do que em qualquer outra parte, dentro das redações – Nelson Rodrigues previu “A Ascensão dos Idiotas” que, tendo começado a desconfiar de que eram maioria, vinham perdendo a humildade e a vontade de aprender e alimentando um arrogante orgulho de sua ignorância que acabaria por levá-los a subjugar o mundo pela força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deu outra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, para alem da saudade das divertidas conversas em torno de nossas indignações comuns pelo que vai pelo mundo nos almoços em cantos especiais da cidade que ele descobria e revelava com a mesma volúpia de surpreender com que apresentava a beleza de uma nova tipologia, um detalhe de arquitetura ou o refinamento de um autor ainda desconhecido, sinto uma vaga sensação de logro. Tem uma pulgazinha atrás da minha orelha que insiste em me cochichar a idéia de que, no fundo, no fundo, o Murilinho foi embora de propósito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não se conformava com esse triunfo da boçalidade!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-8649105732251571548?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/8649105732251571548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=8649105732251571548&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/8649105732251571548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/8649105732251571548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/08/ser.html' title='Será...?'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-709794214994632637</id><published>2008-07-31T05:53:00.002-07:00</published><updated>2008-07-31T10:40:01.045-07:00</updated><title type='text'>Mal Entendido</title><content type='html'>Rondon Fernandes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia na DPZ, o Murilo desliga o telefone, abaixa a cabeça, põe a mão na testa, olha para o lado sem tirar a mão, e diz, meio aflito, meio quase rindo.&lt;br /&gt;— Não acredito! Eu não acredito!! Me ajuda achar aquela pasta com uns anúncios horrorosos . Uma pasta que eu tinha guardado em um desses armários. &lt;br /&gt;— Essa aqui?&lt;br /&gt;— Essa mesmo. Você acredita que esse cara andou dizendo para todo mundo que eu falei que ele inventou um novo estilo de propaganda? E as pessoas estão acreditando…&lt;br /&gt;Parênteses importantes.&lt;br /&gt;Essa pasta era normal. Simples, pequena, com folhas de plástico transparente recheadas de anúncios em página simples cujo layout eram título informativo+imagem de fábrica+complemento de texto. O que a pasta tinha de mais marcante era o fato de que todos os anúncios, maioria para mineradoras, eram de uma caretice fora da média.&lt;br /&gt;Um dos anúncios dizia algo do tipo “50 anos de competência, confiança e tradição na exploração do minério de ferro”&lt;br /&gt;Na verdade, eram anúncios criados por um jornalista conhecido sem muito trejeito ainda para a linguagem publicitária e que queria saber se na avaliação do Murilo Felisberto— no caso, mais que respeitada inclusive porque ele migrou com sucesso do jornalismo para a propaganda — ele tinha jeito para a coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entreguei a pasta e perguntei: — Mas você disse isso, Murilo?&lt;br /&gt;— Não!!!!! (risos) Quando um outro amigo jornalista perguntou o que eu tinha achado dos anúncios dele, eu só falei “só se ele tá inventando um novo tipo de propaganda”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-709794214994632637?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/709794214994632637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=709794214994632637&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/709794214994632637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/709794214994632637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/07/mal-intendido_31.html' title='Mal Entendido'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-7024273207231444691</id><published>2008-07-30T11:47:00.000-07:00</published><updated>2008-07-30T11:48:37.064-07:00</updated><title type='text'>Eh! Cambada!</title><content type='html'>Roberto Duailibi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Murilo era tão discreto que, devo confessar agora, não me lembro de muitas coisas dele. Apesar de haver trabalhado ao seu lado durante sete anos, lembro-me apenas que, bem humorado, referia-se a seus colegas fofoqueiros dizendo “Eh, Cambada!”  Lembro-me apenas que, quando eu vinha com o nome de um prospect para o qual queríamos fazer uma campanha vencedora, ele desenhava vários layouts num pedacinho de papel que, depois, se transformavam numa campanha memorável.  &lt;br /&gt; Lembro-me da admiração que ele tinha por Tom Waits e por suas duas pequenas obras, “No One Knows I’m Gone” e “I’m Still Here”, dois títulos que parecem, hoje, se referir ao próprio Murilo. E como ele apreciava John Caples, o New York Times e o The Economist e seus títulos. E ainda como conhecia o Brasil. &lt;br /&gt; Lembro apenas, tão discreto era o Murilo, que ele estava sempre rodeado de alguns jovens redatores e jovens diretores de arte, ilustradores e tipógrafos, que, sob sua liderança, criavam grandes campanhas. Lembro-me do Aron Sutton, do André Laurentino do Ilan Kow, do Robson, da Corina Crawford, do Daniel Kondo, do Tião Bernardes, do Fernando Tepedjian, do Luciano Zuffo, da Rita Corradi, do Raul Orfão, da Karen Sá Rego,  − gente que hoje ganha prêmios por seu talento. Tão discreto era o Murilo, tão mineiro, que, lembro-me apenas, nunca falava quão importante era na definição do novo jornalismo brasileiro. O Murilo Felisberto era realmente uma pessoa discreta.  Tão discreta, mas tão talentosa, que causava ciúmes em alguns outros profissionais. Lembro-me como fiquei escandalizado  quando, na DPZ, pegando um elevador com ele, vi entrar um  diretor de arte de um outro andar e virar as costas para o Murilo. Até hoje esse gesto está atravessado em meu coração. Justo com o Murilo! O Murilo era tão maravilhosamente discreto que, cada vez que eu estava angustiado, ia até a mesa dele (e trabalhámos no mesmo andar por sete anos!) e, no meio de dezenas de jornais e revistas, em sua mesa, via-o levar-me até a salinha do café e descobrir o que me deixava puto!  E do papo com Murilo lembro-me sair sempre com um sorriso, pois a convivência com ele era um privilégio tão grande, um momento tão especial em nossas vidas, que sua simples presença era, em si mesmo,um prêmio que o destino nos dava. Há pessoas assim, cuja proximidade devemos olhar como um prêmio. Poder conversar com o Olavo Setubal, com o Mauro Santayana, com o Tancredo Neves,  Said Farah,  Sylvia,  Keith Reinhard, Zaragoza, com gente que viveu aventuras incríveis, momentos tão especiais, como as que Murilo viveu.  O simples fato de estar perto deles faz com que você sinta  quão privilegiados somos como criaturas humanas. Outra coisa que me lembro do Murilo é que ele fazia questão de atribuir a criação aos verdadeiros criadores, recusando-se, algumas vezes, até de aparecer como Diretor de Criação. Dizia que era horrorosa essa história de algumas pessoas enfiarem o seu nome na criação dos outros, e criticava particularmente aqueles publicitários que já eram donos de agências e faziam questão que seu nome aparecesse em primeiro lugar nas fichas técnicas. “É o pior patrão”, dizia ele, “o que rouba a criação do empregado”.  O Murilo era tão discreto que escolheu viver sózinho a partir de um certo momento. E a solidão deliberada, apenas o encontro casual de uns bons amigos, é a escolha definitiva, o cosmopolitanismo mais radical, o prazer supremo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-7024273207231444691?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/7024273207231444691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=7024273207231444691&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/7024273207231444691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/7024273207231444691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/07/eh-cambada.html' title='Eh! Cambada!'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-6718072942495831710</id><published>2008-07-30T06:48:00.000-07:00</published><updated>2008-07-30T06:50:43.751-07:00</updated><title type='text'>Meu mestre faixa preta</title><content type='html'>Theo Rocha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca me esqueço do projeto gráfico do jornal da tarde.&lt;br /&gt;Todos os finais de semana durante seis meses.&lt;br /&gt;Só nós dois no 7º andar. &lt;br /&gt;Frequentemente o silêncio durava a manhã inteira.&lt;br /&gt;Nenhuma palavra. &lt;br /&gt;As poucas vezes em que ele se pronunciava era quando eu ficava ali do seu lado com o layout em mãos esperando o melhor momento para interrompe-lo.&lt;br /&gt;De trás do jornal ele esticava sua mãozinha branca e delicada, puxava o layout para dentro do seu mundo e devolvia, sem sair dele, com as seguintes palavras: “é theo, é theo…” e eu já sabia. Isso significava que ainda não estava bom. &lt;br /&gt;Voltava pra minha mesa num certo nervosismo porque na maioria das vezes não tinha a menor idéia do que não estava bom. &lt;br /&gt;Mais tarde, na hora em que saíamos para almoçar, entre um comentário e outro sobre pessoas que eu não fazia a menor idéia de quem eram, ele me explicava seu descontentamento com o “t” da tipografia que estávamos usando, comentava suas dúvidas sobre usar a entre-letra menos 0.4 ou 0.5 e reclamava dos constantes ajustes que ele tinha que fazer em seu som. &lt;br /&gt;Foi assim entre um silêncio e outro que o Murilo me ensinou. Foi assim que viramos amigos. E foi assim que aprendi quase tudo que sei sobre direção de arte, muito sobre a vida e um pouco sobre a diferença entre a entre-letra 0.4 e 0.5.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-6718072942495831710?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/6718072942495831710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=6718072942495831710&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/6718072942495831710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/6718072942495831710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/07/meu-mestre-faixa-preta.html' title='Meu mestre faixa preta'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-4640319488698338514</id><published>2008-07-29T12:54:00.000-07:00</published><updated>2008-07-29T12:58:16.989-07:00</updated><title type='text'>Citizen Mu</title><content type='html'>Neil Ferreira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos dois Sidneys que mais gosto no cinema, o Pollack e o Lumet, escolheram o Lumet para este trabalho. Suo frio, tenho medo dele, é um perfeccionista. A primeira coisa que faz é uma reunião com a equipe para definir “o que estamos fazendo aqui”. Quer o ponto de vista de cada um. “Será um depoimento, the subject (eu) sentado ali, aqui câmera  fixa, luz rebatida lateral, tentaremos som direto sem dublagem posterior”, resuniu e decidiu. Respirei aliviado, “piece of cake”, vai ser moleza, pensei. Gelei de novo quando acrescentou “Nessas tomadas  geralmente the subject (eu de novo) atrapalha-se todo, vamos tentar ter mais paciência desta vez”. “Desta vez”, poxa, já perderam a paciência uma vez..&lt;br /&gt;Para mm: “Relaxe, seja natural, se quiser se mexer pode, deixe a história fluir, se gaguejar não tem importância, você não é um boneco”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“... roll camera ... aaand... Action !”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Encaro a câmera, começo a falar. Não paro mais.)&lt;br /&gt;Como é mesmo o nome daquele italiano do “Assim é se lhe parece”, esqueci. Estou na mira do “serial killer” islâmico especializado em explodir indefesos  quadros sobreviventes da terceira  idade. Vocês devem ter ouvido falar, é o Al Zheimer, obriga-me a esquecer quase tudo. (Árabe sempre começa com al,  al-fabeto, al-ameda, al-cool, al-zheimer).&lt;br /&gt;Minha filha Ju me chama de “Baronesa”, personagem de uma novela que tinha uma vilã deliciosa  (jogava os desafetos escada abaixo) e um bicheiro gordo engraçadíssimo. A “Baronesa” curtia pegar um colar de brilhantes, o último restinho da sua fortuna, colocar no pescoço, olhar-se no espelho e depois esquecia onde o tinha deixado. Sou eu. Se tivesse um colar de brilhantes, já teria perdido. Ou, irresponsável, passado nos cobres para gastar em Paris.&lt;br /&gt;Eu queria lembrar o italiano para mudar a frase dele, que quase todo mundo já ouviu ou leu, para “Assim é se me parece”.&lt;br /&gt;O Mu não é o que vou falar. O Mu me parece o que vou falar. Tenho sorte de não submeter isto a ele. Mandaria cortar os dois ou três minutos iniciais por ser uma forma antiga de fazer jornalismo. Não me permitiria dizer que não sou jornalista e esta é a forma que escolhi para contar uma história, não para fazer uma reportagem. Talvez por isso, lamento nunca ter submetido nada a ele. Ambos perdemos as chispas que voariam.&lt;br /&gt;Quando ele for assassinado, tenho uma centena de suspeitos que de bom grado acertariam contas com ele por textos, idéias, fotos, ilustrações recusados apenas com o olhar, sem um som, uma explicação, um gesto, um suspiro que fosse.&lt;br /&gt;É para ser como se estivessemos na mesma mesa do mesmo bar, todas as noites das quinta-feiras, jogando conversa fora, salvando a imprensa e a propaganda da burrice coletiva, ou puxando angústia porque aquela menina que acabou de chegar a bordo de um fotógrafo famoso e com cara de sujinho, nunca deu para mim, nem vai dar.&lt;br /&gt;Como o Mu, sou um animal de hábitos sistemáticos, o Mu e a minha Gata Velha e Gorda. Não frequento bares, quanto mais na mesma mesa e na mesma noite da semana. Não fumo, não suporto fumaça de cigarros e bares são ambientes cheios de fumaça desagradável. Na minha anti-lei, a fumaça sempre acha o nariz de quem não fuma, o meu nariz.  Fico em casa, escolho o som, a marca do uísque que gosto está lá, embora não experimente uma gota há anos. Quem quiser fumar que vá para a varanda. Lá fora pode. Não teria como contar esta história a ele. Ainda bem.&lt;br /&gt;Uma coisa sei que o Mu ouviria com prazer. Conheço-o desde os anos 60, mais de 40 anos. Não o conheço. Mu mostra-se aos poucos, um pouco para cada um, como se fosse o Jack “The Ripper” dele mesmo. Estou familiarizado só com algumas partes. Um pedaço do rosto aqui, meio sorriso ali, uma nesga de ironia mais à frente, seriedade fúnebre numa balangada inesperada para trás, uma ex-mulher anos depois.&lt;br /&gt;Um diabólico esfregar das mãos finas, frágeis, daqui a pouco quebram, com um sorrisinho (hã-hã-hã) carregado de veneno quando a fofoca, se espalhada, resultaria em demissão, quebra-pratos de casais, junção de namorados, desjunção de amantes. A primeira menina do meio que comia outra, fiquei sabendo pela boca do Mu. Até hoje não sei se era a sério ou a brinca, ele não foi claro, foi reticente. Cool. Mineiro.&lt;br /&gt;Nosferatu redivivo. Rei da fofóca.  “Rainha” da redação.  Torquemada da forma, condenava os pecadores aos infernos e quem por milagre sobrevivesse à inquisição, ia direto para o céu. Traço beat, como Feiffer. Sovaco Mais Bem Informado do Mundo, com revistas e jornais o tempo todo. Artista.&lt;br /&gt;Apenas partes incompletas de uma imagem pública cuidadosamente construida e a identidade real cuidadosamente escondida, pelo menos dos meus olhos. Nunca vi o Mu nu, nem conheço quem tenha visto. Mas sei que ele é como os Beatles. O todo é maior do que a soma das partes. Ninguém que eu conheço conhece o todo. Tento iluminar as partes que acho que vi e penso que entendi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Vinte anos esta noite.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só soube a idade do Mu um dia destes, 67 anos. Pego a calculadora e faço um “flash-back” de 45 anos. Ao meu lado um menino magrinho, olhos e cabelos claros já então parecendo ralos, ligeiramente encurvado, jornais e revistas sob o braço, ele vinte e pouquíssimos anos eu vinte amanhã. Andamos na rua 7 de Abril vazia, quase meia noite, ouviamos os sons dos nossos passos.&lt;br /&gt;Convoco o viciado em livros e amante de cinema que mora dentro mim para testemunhar sobre aquela noite.&lt;br /&gt;Cavoco num canto da memória “Le Feu Follet”, de Drieu de la Rochelle, e uma lata com o filme que Louis Malle tirou do livro. “Le Feu Follet” é mais ou menos “fogo fátuo”, que brilha intensamente, ilumina tudo e apaga-se em segundos. O livro é nada menos do que genial. O filme é melhor ainda.&lt;br /&gt;Drieu foi colaboracionista durante a ocupação da França na segunda guerra. A Resistência marcou-o como traidor.  Suicidou-se na derrocada do nazismo.&lt;br /&gt;Malle foi resistente. Brilhante cineasta de esquerda. Fez um filme apaixonado.&lt;br /&gt;O livro e o filme vieram ao Brasil com o nome  “30 anos esta noite”. Não perca se tiver chance. É a história da noite em que o personagem completa 30 anos. A advertência hippie “Nunca confie em ninguém com mais de 30 anos” ainda não tinha sido escrita, mas parece que já valia. Não conto mais.&lt;br /&gt;A partir dessa noite, percebi que Mu brilharia intensamente. Iluminou tudo por 45 anos em pouquíssimos segundos. Fogo fátuo, “Le feu follet”. Não há nada  no jornalismo e depois na propaganda que não tenha recebido sua luz.&lt;br /&gt;A conversa dessa noite durou até amanhecer e espichou-se pelos dois anos seguintes, quando trabalhamos na redação da Folha de S. Paulo.&lt;br /&gt;Se os federais nos grampeassem com a desenvoltura com que grampeiam hoje, seriamos pegos e internados separados, um em cada manicômio. Era uma conversa atropelada, um falando em cima da fala do outro, sem pausa para respiração, eu maníaco por saber como escrever bem e quem escrevia bem. Mu, visão mais ampla, para quem o texto era apenas um detalhe (muito mais tarde o Parreira definiu o gol como apenas um detalhe), queria saber como juntar o texto, as fotos, os tipos, o tom, o jeitão, para chegar a um todo original, único, fora do comum, supreendente.&lt;br /&gt;Eu recitava textos de Tom Wolfe, Jimmy Breslin, Gay Talese, Truman Capote, Norman Mailer, Brendan Gill e sua equipe da revista New Yorker e quase tudo o que passou a se chamar “New Jounalism”.&lt;br /&gt;Mu recitava nomes e o trabalho de editores de arte, fotógrafos, ilustradores, chargistas, diretores de tipos, designers de jornais e revistas norte-americanos e europeus. Dos francêses e inglêses, aprendia a inteligência, beleza, elegância. Dos norte-americanos, sugava a emoção, a busca da velocidade na informação, a briga para chegar e sair antes da cena da ação e de chegar antes na redação. Mas sobretudo a busca de um jornal que desse um susto no leitor e levasse  o concorrente à beira do suícidio.&lt;br /&gt;No dia seguinte na Folha nós é que beiravamos o suicídio. A análise diária, a discussão interminável do que haviamos feitos ontem era de matar. A gente na hora “largava esta merda de emprego”, reclamava o que podia, desabafava. Os caras do copy e da diagramação eram agentes infiltrados do inimigo, queriam nos ferrar. “Aquele cara fodeu a minha matéria !” era o que se ouvia. “Aquele cara”, quem quer que fosse, corria o risco de levar um cacete quando “largava” (o trabalho) nas madrugadas frias, silenciosas, solitárias e ainda serenas.&lt;br /&gt;A nossa “Mesa no Algonquin” era no boteco pé sujo da esquina. Tinha um H. L. Mencken das frases tortas, mal humoradas e engraçadas, o repórter José Hamilton Ribeiro, o melhor dos melhores, que mais tarde perderia um pé num mau passo dado sobre uma mina terrestre, ao cobrir a guerra do Vietnã. Não havia menina tão bela e maledicente como Dorothy Parker, a “Big Loira”. Pena.&lt;br /&gt;Mu, guru, jogava gasolina e tocava fogo na insatisfação quase em silêncio, só com olhares de desaprovação ou aprovação. Quanto mais indignados nos via, mais aprovava. “Não é profissão de conformistas” sentenciava. “Conformistas vão ser bancários, ver novela da Globo”, desprezava.&lt;br /&gt;A liderança exercida mansamente, diria silenciosamente, sem imposição, vinha da luz. Já emanava luz, não percebíamos.&lt;br /&gt;E começava tudo de novo. Hoje é outro dia, uma nova oportunidade, as coisas não param de acontecer, quem sabe estoura mais um escândalo de corrupção no governo ou cai um avião lotado em algum lugar do mundo, um Tsunami dos bons, um belo Katrina. Filhotinhos de urubus crocitando como adultos.&lt;br /&gt;Em 1964, no dia 1º. de abril, as ruas congestionadas por tanques de guerra, eu tinha deixado a Folha. Havia trocado o jornalismo pela publicidade. Estava na janela da Standard Propaganda, na Praça Roosevelt, na lateral da Igreja da Consolação, vendo a tropa passar. Meu primeiro dia de trabalho. Não fiz nada.&lt;br /&gt;Mu tinha nada menos do que um golpe de Estado para fazer o jornal brilhar. Fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“Rainha” da redação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Época de ouro do Jornal da Tarde, vespertino que durante anos foi o melhor jornal que se fez no Brasil. Atrevido, irreverente, inovador. O Diretor de Redação era uma lenda do jornalismo. Mu e sua quadrilha de mineiros, cada um melhor do que o outro, conferia realismo ao dia-a-dia da lenda. Leitor e torcedor, ficava hoje com o JT na mão imaginando o que esses caras vão fazer amanhã. Tinham que parir a cada dia, 9 meses em algumas horas, o novo filho, bonito e saudável a ser entregue nas bancas daqui a pouco.&lt;br /&gt;Via as capas e me emocionava, algumas pregava na parede, como obras de arte que eram. A do comício das “Diretas Já”, na página inteira a multidão que foi às ruas exigir democracia. Virou um poster hoje amassado, rasgado e semi-desmanchando que ainda tenho em casa. A que anunciou a derrota da emenda das “Diretas Já”, tudo negro, escancarando o luto nacional. Quando perdemos a Copa do Mundo da Espanha com o divino time do Telê, o garotinho com a camisa amarela da seleção, uma lágrima escorrendo pelo rosto em página inteira, a mesma lágrima que escorreu nos nossos rostos depois dqueles 3 gols fatídicos do Paolo Rossi.&lt;br /&gt;Sentia que tinha visto de pertinho e nem percebido a cabeça do Mu engravidar desse tipo de pensar, de criar, de fazer, de cobrar, de cobrar-se.&lt;br /&gt;Mu aprendeu com o Mu. Não havia escola e nem quem ensinasse o que ele ia aprendendo, como o comandante Mao mandou: “uma revolução se aprende fazendo”. Colocou inteligência e beleza no trabalho. Cultura também. Nesse tempo, os culturatti escreviam para  jornal, não faziam jornal.&lt;br /&gt;Um dia o JT apareceu com uma reportagem de página inteira e meteu o dedo na ferida, que então começava a incomodar a cidade. Hoje incomoda mais ainda. A foto, uma obra-prima, tinha carros estacionados na rua e à frente um menino quase andrajoso, em atitude de desafio encara a câmera com olhar duro. No ombro, uma flanelinha como símbolo da sua autoridade sobre o mundo. Um guerrilheiro.  O título “A Nova Classe”, um resumo preciso e cirúrgico do livro “A 25ª. Hora”, do romeno C. Virgil Gheorghiu , que desvendou o poder da burocracia soviética segundo a visão de um camponês quase analfabeto. São chamados de “flanelinhas”. Ninguém sabe o que fazer com eles. Sabemos que os tememos. Pagamos proteção a eles.&lt;br /&gt;Quando os anos chumbo pesaram demais da conta, a censura foi enganada, denunciada e ridicularizada  com a publicação de receitas de bolos no lugar das notícias censuradas. Mu nunca deixou escapar qual o seu pensamento político. “Minas está onde sempre esteve e daqui não arredará pé por nada deste mundo”. Ele escreveu este texto antes mesmo de nascer. “Este texto”, registro. Puro medo do Mu. Ele dizia  “A quem pede para ser redator, faço o teste do “este” e do “esse”. Se não souber usar um ou outro, está morto e sepultado”.&lt;br /&gt;As receitas eram a cara dele. Fingindo de sérias na maior ironia, dizendo uma coisa e significando outra. Compatriota do Tostão, dribla tão bem quanto Tostão driblava. Pedalou na cara dos censores. Claro que pode ter sido idéia de outro. Mas é coisa do Mu. Se não for, Mu criou o clima para esta flor florescer. Criador de climas, vi profissionais mais que maduros de olhos marejados quando se referem “ao clima”.&lt;br /&gt;“Rainha”, nunca entendi. Talvez pelo poder absolutista, discricionário que exercia. Talvez pela corte de súditos que então o cercava. “Sans cullotes” de vez em quando almejavam uma guilhotinazinha ali naquele Versailles cinzento, às margens do Tietê. “Rainha” da redação, ouvi tantas vezes a lenda urbana que admito que pode ser verdadeira. “Repetition reputation”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Veja ilustre passageiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho anotações, mas alguma coisa me diz que foi há vinte anos, em 1987, que pela primeira vez vi o Mu na DPZ, onde eu trabalhava com o Z. O grande jornalista buscou o caminho que eu havia percorrido, entrou numa agência de propaganda. Ele criou o grupo do D, que não existia. Trabalhar na DPZ, o que fiz com enorme prazer em duas vezes que somam quase vinte anos, é andar numa interminável montanha russa sem cinto de segurança, entre uma letra e as outras, subindo com tremenda dificuldade e despencando com extrema facilidade e em desabalada carreira na estrada do sucesso. Isso para o comum dos mortais, como eu e você. Mu nunca teve esse problema.&lt;br /&gt;Mu é um joalheiro da palavra, como o D sempre foi. Um artista das Artes, como o P e o Z sempre foram.  Mu é tão bom quanto cada um deles nos seus respectivos “pontos de Força”, diria o bruxo D. Juan, do Castañeda. Mu tem a Força, tem a luz. Se necessário, mostra. Mostrou na DPZ.&lt;br /&gt;No nosso primeiro dia de trabalho em agências diferentes mas vizinhas, eu era da Z e ele da D, quem sabe até aliadas, disso nunca tive muita certeza, cruzamos num corredor, ele olhou-me nos olhos e falou “Tem alguma coisa para me dizer sobre como isto (a vinda dele para a agência) pode dar certo? ” Simples, eu disse. Faça a mesma coisa que fazia no JT. Ele fez. Durou todo o tempo que quis.&lt;br /&gt;Fez mais. Trabalho inspirado, especialidade do Mu, não era exceção na DPZ. Ela foi criada para sempre fazer o melhor possivel. Ruim também tinha, era da vida. O que o Mu fez de mais impressionante foi descobrir talentos, criar equipes. Os ovinhos da Serpente estão espalhados pelos jornais, revistas e agências de propaganda. Tocados pela luz, iluminavam-se. Espalham a luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Xanadu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mu fez o seu castelo, que só conheço de ouvir dizer. Nem sei se é tudo verdade comprovável, ou se é mais um ilusionismo, “F for Fake”, a mão é mais rápida dos que os olhos, “now you see, now you don´t”. É um apartamento que foi reformado por uns 8 anos conforme o narrador, se discreto,  ou por uns 10, se o narrador for chegado a um superfaturamento temporal. Nunca fui convidado para visitar a obra, nem o endereço fiquei sabendo, seria alguma coisa vaga como “praça Buenos Aires”. A única pessoa viva que conheço ao vivo que entrou naquele apartamento é o Tião Cannabis, detto Bernardi, que disfarçava sua vocação de empreiteiro com a falsa profissão de redator de propaganda.&lt;br /&gt;Tião Cannabis, geralmente sob o efeito, contou-me que reunia-se com o Mu três vezes por semana para discutir o capolavoro deles, a Obra Prima, mas a discussão não chegava nem ao começo quanto mais ao fim. Mu, o Arquiteto, enfrentava Mu, o Cliente, no saloon do velho Oeste, olho no olho, mão no coldre. Como sempre o Cliente, dono da grana, sacava mais rápido e acertava o Arquiteto com um balaço certeiro no peito. Igualzinho na propaganda. Nesse pedaço, Tião desaparecia numa nuvem de fumaça (efeito especial) e viajava à Cloud Nine para encontrar o George Harrison e eu ficava sem saber o fim. Uma coisa ou outra eu entendia. A sala de som, separada do mundo real da rua e da vida real do resto da casa por isolamento especial, é perfeita para receber o piano, o equipamento e a coleção de raridades. Os pisos vieram de Milão, você precisaria entrar plantando bananeiras apoiando-se nas mãos, é proibido pisar neles. Não sei mais.&lt;br /&gt;Xanadu ficou pronto. Não deveria ter ficado, deveria ser como catedral, uma Obra em Obra Permanente. Tião Cannabis foi emparedado vivo num dos cômodos e cessaram os vazamentos dos segredos do palácio do Faraó.&lt;br /&gt;Conversei seriamente certa vez com os dois juntos, Mu e Tião, sobre essa diversificação profissional para o mercado das reformas, que faziam nos esconsos. Levei-os a um apartamento que eu tinha nos Jardins, um Lindenbergh super simpático de 180m2, um por andar, alameda Casa Branca 1012, bem em frente a rua Oscar Freire, um prédio de tijolos aparentes e janelas brancas. Você já deve ter passado em frente e dado uma namoradinha nele.&lt;br /&gt;Os dois olharam por fora e por dentro, quase cuspiram em mim, fingi que não tinha reparado. Comadres-beatas, cochicharam em voz baixa. Dispensaram-me como cliente. As reformas a que se acostumaram custavam mais que meu apartamento valia. Sinto-me pobre até hoje quando escuto falar neles.&lt;br /&gt;No dia em que uma ex-mulher separou-se dele, minha grande amiga até hoje, passou a tarde na minha casa. Fazia muito frio, a lareira acesa, ela chupou dúzias de mexericas, tomou quase uma garrafa de conhaque francês. O que contou está sob privilégio que protege as conversas entre paciente e terepeuta.&lt;br /&gt;Nem mandado judicial consegue abrir esse segredo. Adianto que nunca estive tão perto de uma relação tão estranha, delicada, incompreensível. Artistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A carteira do Mu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca vi a carteira do Mu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“... and Cut !”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lumet encerra a tomada. Talvez para me agradar, chama-a de “Principal Photography”. Faz cara de impaciência. Tremo nas bases de novo. “Dispensem the subject (eu), vamos dar jeito nisso na sala de montagem, todos os filmes se fazem na sala de montagem. Tudo aqui é pure crap (puro lixo), mas há uma coisa que dá para aproveitar e tem o tempo certinho que the subject (eu) merece, 5 valiosos segundinhos. É aquela fala “Nunca vi a carteira do Mu”. O resto a gente joga. Pegamos os depoimentos daquelas pessoas interessantes que estão todas aqui em volta, damos uma olhada no roteiro do Herman Mankiewicz e do Orson Welles, que ganhou Oscar em 1941,ah sim, “Citizen Kane”. Montamos como Robert Wise montou “Citizen Kane”, pronto. Temos o Mu que ninguém ficará sabendo quem realmente é. Ninguém soube quem era Kane. Pensam até hoje  que “Rosebud” era o trenó, parece que não sabem que “Rosebud” na verdade  é o clitóris da Marion Davis, a amante dele”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-4640319488698338514?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/4640319488698338514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=4640319488698338514&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/4640319488698338514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/4640319488698338514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/07/citizen-mu.html' title='Citizen Mu'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-3196965394633190862</id><published>2008-07-29T06:10:00.001-07:00</published><updated>2008-07-29T06:11:21.495-07:00</updated><title type='text'>Ritinha e Delba na Young</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SI8W7-wzEdI/AAAAAAAAAC0/MCfQtAsrbyA/s1600-h/Fax.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SI8W7-wzEdI/AAAAAAAAAC0/MCfQtAsrbyA/s400/Fax.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5228422912116199890" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-3196965394633190862?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/3196965394633190862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=3196965394633190862&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/3196965394633190862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/3196965394633190862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/07/ritinha-e-delba-na-young.html' title='Ritinha e Delba na Young'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SI8W7-wzEdI/AAAAAAAAAC0/MCfQtAsrbyA/s72-c/Fax.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-3210998701547733302</id><published>2008-07-29T06:06:00.000-07:00</published><updated>2008-07-29T06:09:37.405-07:00</updated><title type='text'>Delba</title><content type='html'>&lt;div&gt;Jose D' Elboux&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SI8VHERKFWI/AAAAAAAAACs/7E7wnAJQ1Go/s1600-h/G%C3%AAmeos.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SI8VHERKFWI/AAAAAAAAACs/7E7wnAJQ1Go/s400/G%C3%AAmeos.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5228420903549408610" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os "Gêmeos Arquitetos de Sacanagens" foi uma série de várias ilustrações. Deve ser do fina dos anos 80. O Murilo dizia que tinha conseguido me sublimar finalmente em desenho, e todas as caricaturas que ele fazia minha eram cópias dessa, onde ele só alterava a posição do olhar. Como sou arquiteto de formação as sacanagens vinham sempre com referências arquitetônicas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-3210998701547733302?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/3210998701547733302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=3210998701547733302&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/3210998701547733302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/3210998701547733302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/07/delboux-por-murilo.html' title='Delba'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SI8VHERKFWI/AAAAAAAAACs/7E7wnAJQ1Go/s72-c/G%C3%AAmeos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-2668772311722561680</id><published>2008-07-28T11:52:00.000-07:00</published><updated>2008-07-28T12:05:16.718-07:00</updated><title type='text'>murilofelisbertiano</title><content type='html'>&lt;div&gt;Luiz Fleury&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Não vá dar cano, Luiz Antonio. Hoje é quinta-feira, quase meia-noite, um pouco mais tarde do que o seu horário, Mu. Mas se você estivesse num dia animado, ficaria até mais tarde com “os meninos”. Principalmente se a noite estivesse agitada e o Spot cheio de mulheres bonitas. Aí eu pediria mais uma caipirinha. Toda vez que eu pedia uma caipirinha, repetia a mesma frase, que uma vez eu disse e que você se divertiu ao ouvir: “De pinga. Gelo, limão e açúcar, sem frescura.” Aí a garçonete perguntava qual cachaça e você mesmo respondia por mim: “Espírito de Minas”. E abria um sorriso murilofelisbertiano (isso quando o cara do bar não fazia a caipirinha antes mesmo de eu pedir e estragava tudo).&lt;br /&gt;Mais um cafezinho, por favor. E uma água sem gás. Você reclamava muito dos meus furos na nossa mesa. E me ligava para almoçar, para compensar. Acho que ultimamente a gente estava mais almoçando e se falando pelo telefone do que se encontrando no lugar de sempre.&lt;br /&gt;Putz, hoje nem sinal da praga da Corina. Quem será que teria nos atendido hoje? Se fosse um homem, estaríamos de péssimo humor. A não ser que ele trouxesse sua bola de sorvete num prato raso, sem errar. Sem você ter que pedir duas vezes.&lt;br /&gt;Me conta uma novidade, Luiz Antonio. Mu, hoje eu tenho novidades, sim. Pediram para eu escrever um texto sobre você. Para eu contar alguma coisa interessante que tenha vivido ao seu lado, sabe? Não, não é bobagem. Você estava de saco cheio do mundo, mas o mundo não estava nem um pouco de saco cheio de você. Acho que precisava da sua lucidez mais do que nunca. E, por isso, aqueles que o conheceram querem deixar esse registro. Acho que, no fundo,  você gostaria. Principalmente se o Danielzinho fizer o livro como frila e não como job. Seu Murilo, você não me engana: você também dizia odiar aniversários mas ficava feliz quando as pessoas ligavam para dar os parabéns.&lt;br /&gt;Quer me irritar? Mu, não é nada fácil escrever sobre você. Aposto que essa conclusão está em vários outros textos do livro. No mínimo, ela passou pela cabeça da maioria das pessoas que colaboraram aqui. Porque, se fica difícil resumir qualquer pessoa em poucas linhas, no seu caso isso fica quase impossível (desculpe o lugar-comum, sei que se fosse usado por outra pessoa você até xingaria).&lt;br /&gt;Não me venha com subliteratura. É, seu Murilo, escrever pede o uso da razão, um certo afastamento da emoção. Até quando queremos emocionar alguém com um texto, temos que ser racionais na ordem das letrinhas, na escolha das palavras, no encadeamento das sentenças. E isso dá muito trabalho. Um trabalho exaustivo, já que é extremamente difícil afastar essa tal de emoção quando a gente perde um grande amigo.&lt;br /&gt;Luiz Antonio, vamos ver se você é um bom repórter. Decidi o seguinte, Mu: não vou dizer como você era, nem falar da sua complexidade, da sua genialidade, seu conhecimento, seu humor. A gente conversou quase todas as semanas nesses 10 anos de convívio. Nos primeiros anos, você como Diretor de Criação e eu como um moleque que achava que era redator. Depois, como amigos. O “board” original (Tião e Lu) e provavelmente o Ilan eram as pessoas mais próximas a você, mas chegamos a ter uma boa amizade, a ponto de eu conhecer bem suas idiossincrasias. Por isso, não se preocupe, não vou ser indiscreto e contar aqui alguma história confiada a mim em segredo. E muito menos alguma que exponha amigos. Vou escrever, no máximo, algumas historinhas divertidas que eu acompanhei de perto.&lt;br /&gt;Tô puto. Pois é, Mu, eu também ando meio puto, só que comigo. Queria ilustrar meu textinho com algumas das caricaturas que você desenhou. Você não vai acreditar, tenho várias delas guardadas até hoje. Só não sei onde. Estão em alguma caixa, junto com recordações, recortes de jornais, revistas, livros. Você acompanhou de perto minhas três mudanças de emprego e três mudanças de casa, Mu- sabe que não é fácil achar as coisas no meio de tanta tranqueira. Quem estiver lendo isso aqui pode não entender. Mas, conhecendo suas caixas e sua bagunça, sei que você entenderia.&lt;br /&gt;Tenho andado meio triste, Luiz Antonio. Eu também, Mu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Companhia Teatral Murilo Felisberto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo no começo, ainda na DPZ, me caiu uma ficha: éramos todos personagens de uma peça escrita e dirigida pelo Murilo. Ele escolhia os atores e, depois, o personagem de cada um.&lt;br /&gt;Com o tempo, pude ver que não fazia parte de apenas uma peça. O Murilo montou um Grupo Teatral, uma Companhia, que ao longo dos anos montou vários textos. Que Royal Shakespeare Company, TBC, Oficina, Living Theater, CPT, que nada. Os textos do Mu buscavam uma simplicidade absurda, suas montagens não tinham frescura. Eram peças cheias das pequenas coisas que importam à alma humana. Qualquer peça de Moliére é uma peça de iniciante se comparada a “O Galináceo”. “Santa Joana dos matadouros” não chega aos pés de “Ritinha, seu cão e o Santo”. “A Morte do Caixeiro Viajante”? Ridícula perto de “Nosso Lu”. E o que é “Vestido Noiva” perto de “As roupas de Rafael”?&lt;br /&gt;Rafael, Ilan, Tião (Galináceo), Luciano Zuffo, Ritinha, Robson, Corina, Heitor, Danielzinho, Denis Kakazu (“contemplando o Monte Fuji”), Karin, Fabião, Toni e muitos outros tiveram o privilégio de atuar na CTMF na sua fase de atores-publicitários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- Reunião da revista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Danielzinho, pega a última edição da revista Carolina* e escaneia para mim.&lt;br /&gt;Murilo Felisberto estava de péssimo humor naquele dia. Ele já não agüentava mais os constantes pedidos de refações feitos por um cliente. Na verdade, uma cliente (editora de uma revista). Eram sempre modificações sem sentido, alterações de lay-out que davam trabalho e não levavam a nada.&lt;br /&gt;Ele aparentava uma idade muito maior que a real. Curvado, a cabeça calva e com manchas, os fios restantes completamente brancos. Sua aparente fragilidade escondia uma personalidade forte, que todas as equipes com a qual trabalhou conheciam bem. Ajeitou seus pequenos óculos redondos de armações grossas e arregaçou as mangas, literalmente. Dobrou até os cotovelos cada braço de sua camisa azul clara com listras escuras bem finas e caminhou no seu passo curto e rápido até a mesa de Daniel Kondo.  O hoje ilustrador, na época, não sabia exatamente o que fazer. Mas o chefe sentou-se ao lado do pequeno japonês e começou a pedir algumas coisas. Em pouquíssimo tempo, Murilo Felisberto tinha refeito toda a capa da revista. De uma capa bagunçada e cheia de informações desnecessárias ela tinha se transformado em uma que não devia em nada para as revistas que são referências mundiais em lay-out. O autor da façanha abriu um sorriso sacana e não conteve um auto-elogio:&lt;br /&gt;- Ficou bonitinho, né?&lt;br /&gt;Uma reunião tinha sido marcada para o dia seguinte na editora. Assim que Murilo e sua dupla mais júnior chegaram à reunião, a cliente foi recebê-los. Uma senhora elegante, mas que por vários motivos não agradava em nada ao Murilo. Ele carregava, como sempre, suas revistas, um livrinho e um envelope pardo.&lt;br /&gt;Adélia*, como você adora mudar os lay-outs e títulos dos nossos anúncios, a gente resolveu fazer umas coisinhas na sua capa também. De presente, para você!&lt;br /&gt;Murilo colocou sua mão levemente manchada dentro do envelope e de lá retirou a capa criada por ele usando os braços do Danielzinho. A cliente espumou de raiva por dentro, a dupla júnior não sabia onde se enfiar e Murilo ficou esperando uma reação. A cliente, entendendo onde Murilo queria chegar, se mostrou mais inteligente do que o esperado. Acalmou-se, se recompôs e fingiu aceitar o presente, dizendo que ia mostrar a sugestão para o pessoal responsável pela direção de arte.&lt;br /&gt;Murilo nunca foi a pessoa mais interessada do mundo em reuniões. Mais de noventa por cento de uma reunião é falação dispensável, não passa de tempo perdido e de teatro de segunda. O senhor Felisberto fazia questão de mostrar isso para as pessoas. Em todas as reuniões ele passava a maior parte do tempo de cabeça baixa, usando sua lapiseira sobre o papel. Dava rápidas olhadas para as pessoas na sala, mas somente para “pegar” seus melhores ângulos e momentos e registrá-los em caricaturas. Isso acontecia sempre. E estava acontecendo também naquela reunião, só que ainda mais ostensivamente. Enquanto a cliente contava seus “importantes” projetos para o próximo ano, ele interrompeu sem cerimônia a fala da mulher, mostrando com orgulho uma de suas caricaturas para a dupla.&lt;br /&gt;Os jovens publicitários não sabiam o que fazer. Mas ainda assim Adélia conseguiu manter a compostura. Continuou falando, agora mais rápido e mais alto, tentando não acusar o golpe. Até que Murilo fez algo sensacional. Virou sua cadeira quase que de costas para a cliente e abriu seu livro. Em plena reunião, ele começou a ler tranqüilamente, como se estivesse na sala de sua casa ouvindo música. A cliente começou a mudar de cor, como em um desenho animado. Falava muito e alto, desesperadamente. Até que desistiu e encerrou a reunião por ali.&lt;br /&gt;Na saída, enquanto esperava o elevador, Murilo tirou sua arma do bolso e falou baixo e calmamente, satisfeito:&lt;br /&gt;Muito bom esse livrinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Para preservar pessoas, os nomes foram trocados por outros que são completa, absurda e totalmente diferente. Datas também não são verdadeiras, nem locais. Na verdade, essa história nem foi bem assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3- Este, esse, neste, nesse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucas pessoas sabem usar essas quatro palavrinhas do jeito certo. O Murilo, além de jornalista, redator, diretor de arte e diretor de criação, era também um grande revisor.&lt;br /&gt;Então, quando apresentei algumas vezes títulos ou textos com ESTE e ele mudou para ESSE, sempre  fazendo uma careta por baixo dos seus óculos na ponta do nariz, achei normal.&lt;br /&gt;Até que, numa dessas correções, tive certeza de que ele estava errado. Fui até o Ilan e perguntei o que ele achava. O Ilan, que estava mais acostumado com as canetadas do Murilo nos títulos do que eu (antes que me interpretem mal, aviso já: ele sempre foi o que melhor escreveu no sétimo andar, mas estava lá há bem mais tempo), na hora, respondeu:&lt;br /&gt;Não adianta, eu não consigo entender essa porra de ESTE, ESSE do Murilo. Ele não segue regra.&lt;br /&gt;Com o tempo, aprendi a não colocar essas palavras nos meus textos, por via das dúvidas. Mas observava ele corrigindo, às vezes, algumas pessoas. E descobri que o Ilan estava errado. O Murilo tinha, sim, uma regra. E ela era bem simples: se o senhor Murilo Felisberto estivesse de bom humor e de bem com você, ele deixava passar até os ESTES, ESSES, NESTES, NESSES que estivessem visivelmente mal empregados. Agora, se tivesse dentista marcado ou simplesmente querendo foder a sua vida por algum motivo, essa era mais uma das armas do bonzinho Murilo para te atormentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4- Festa junina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um espetáculo fantástico acontecia todos os anos na DPZ: a festa junina. Mas não a da agência, que eu nem me lembro se existia. A festa junina da Escola Morumbi.&lt;br /&gt;A Escola Morumbi ficava (e ainda fica) do outro lado da Avenida Cidade Jardim, quase em frente à DPZ. E, por algum motivo, nessa data, as criancinhas da escola visitavam a agência levando alguns docinhos.&lt;br /&gt;Elas invadiam os andares, cheias de felicidade e barulho. Derrubando coisas, rindo, olhando com curiosidade para todos.&lt;br /&gt;O Murilo tinha alergia àquelas crianças. Era automático: era só um daqueles pequenos seres entrar por uma porta que o Murilo saía por outra, não sem antes pegar sua revista ou jornal e enrolar debaixo do braço. Ele saía no mesmo passo que elas, apressado e irritado como uma criança mimada. E, como não podia deixar de ser, justificava isso com uma frase murilística: “adoro crianças, mas só em fotos”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-2668772311722561680?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/2668772311722561680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=2668772311722561680&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/2668772311722561680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/2668772311722561680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/07/murilofelisbertiano.html' title='murilofelisbertiano'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-8455537499163203722</id><published>2008-07-28T06:41:00.001-07:00</published><updated>2008-08-04T04:10:49.037-07:00</updated><title type='text'>'aM/pM'</title><content type='html'>&lt;div&gt;Rafael Urenha&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SJbjYNMSzmI/AAAAAAAAAC8/QwihaUBXxyE/s1600-h/RafabyMu.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SJbjYNMSzmI/AAAAAAAAAC8/QwihaUBXxyE/s400/RafabyMu.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5230618022235000418" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo, quando pára um minuto e olha para trás no tempo, consegue identificar um momento, um acontecimento que mudou sua vida para sempre. Um ponto na trajetória de cada um em que uma fração de tempo, um encontro, uma conversa, uma ligação mudou de vez o curso dos fatos, da história. Tenho certeza que para a maioria das pessoas que escrevem este livro, senão todas, o primeiro encontro ou a primeira conversa com o Murilo foi um desses pontos fundamentais. Tudo a partir dali seria diferente. Ou seja, aM/pM: antes do Murilo e pós Murilo. &lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;A minha história começou com uma ligação. Não minha, mas da minha namorada na época. Além de namorada, ela também era redatora e fazia dupla comigo na primeira agência em que eu trabalhei, recém saído da faculdade. Ela ligou para a DPZ e, por um desses caprichos dodestino, foi atendida diretamente pelo Murilo. Ele era então um dos diretores de criação da agência. Todas as ligações passavam pela Andréa, sua secretária. E apenas parte delas o Murilo escolhia atender. Esta ele atendeu, e numa conversa rápida, descobriu que quem estava ali querendo marcar uma entrevista era a neta de uma antiga colega de jornal. Murilo adorou a coincidência e a entrevista foi marcada. Raramente ele via portfólios sem que alguém lhe tivesse indicado. Chegou o tal dia e ele adorou mais ainda quando uma jovem bonita, loira, toda arrumada entrou no sétimo andar. Afinal, ele estava "pontuando". Durante a entrevista, analisou a pasta com curiosidade. De quem é esse lay-out? É do Rafa. E esse aqui? É do Rafa. E esse outro? Também é do Rafa. Mas quem é esse Rafa? Meu namorado, ela disse. Uma vaia enorme ecoou pelo andar. Pronto, para ele, a visita tinha sido um sucesso. Só um pedido antes que ela fosse embora: peça para o Rafa dar um pulo aqui. Ganhei um emprego, perdi a namorada.&lt;br /&gt;Desse dia até hoje, passaram-se dez anos. Durante muito tempo fui apenas o personagem desta história. Ele adorava contar pra todo mundo que aparecia no andar e apontar pra mim.&lt;br /&gt;Depois, muitas outras histórias vieram. Muitos cafés ele me convidou a pagar na copinha do sétimo andar. Muitas noites de quinta no Spot vieram. Ele sempre querendo saber qual era a última fofoca da DPZ, qual era a marca da última camisa que eu tinha comprado (se ela tinha "se pagado"), qual era a última mulher com quem eu tinha saído, qual era o último cd que eu tinha comprado, qual era o último corte de cabelo, qual era o último show que eu tinha viajado pra ver. Ele queria sempre uma história nova. E eu me esforçava para não decepcioná-lo. Assim, como ele mesmo dizia, ele foi me inventando. Esse era era seu maior talento. Ele transformava pessoas. Ele inventava pessoas melhores.&lt;br /&gt;Como no jornalismo e na publicidade, ele era um exímio editor. Sabia separar o bom do ruim, o bonito do feio, o engraçado do sem graça, o inteligente do medíocre, o importante do supérfluo.&lt;br /&gt;Fazia isso com as pessoas com quem ele convivia. Fez isso comigo. Foi meu chefe, meu amigo, mestre, conselheiro, confidente, figura paterna. É um orgulho enorme ser um dos pupilos do Murilo. É um privilégio olhar pra trás e perceber que um dos personagens principais da minha história foi ele.&lt;br /&gt;Obrigado, Mu. Que falta que você faz. Um beijo.&lt;br /&gt;Rafa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-8455537499163203722?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/8455537499163203722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=8455537499163203722&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/8455537499163203722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/8455537499163203722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/07/mu-por-rafa_28.html' title='&apos;aM/pM&apos;'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SJbjYNMSzmI/AAAAAAAAAC8/QwihaUBXxyE/s72-c/RafabyMu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-7141050795935177589</id><published>2008-07-25T11:36:00.000-07:00</published><updated>2008-07-25T11:43:14.680-07:00</updated><title type='text'>Murilo por Robsinho</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SIod7IAElpI/AAAAAAAAACk/PeH11haS6YU/s1600-h/Robson+e+Gato.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SIod7IAElpI/AAAAAAAAACk/PeH11haS6YU/s400/Robson+e+Gato.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5227023219114153618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Robson Alves de Oliveira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou começar a minha história no ponto em que começo a trabalhar com o Murilo. Mesmo tendo iniciado na DPZ no 5º andar onde o Mu era “apenas” diretor de arte, duplando com o Ricardo Freire, o trabalho tomou formato de escola quando ele assume a direção de criação do 7º andar e eu sou convidado a ser seu assistente. Eu nem fazia idéia da pessoa brilhante que, já naquela época, era Murilo Felisberto. Fui, aos poucos, aprendendo não só a trabalhar, mas a ver a vida de forma diferente. Vendo como ele lidava com as mais diferentes temáticas, como a reforma do seu apartamento (que, aliás, levou quase 10 anos), os melhores selos de música clássica, as mais completas revistas de audiófilos, e principalmente se eu sabia o que tinha acontecido na noite anterior com o Arminio Albuquerque Mendes de Caldeira ou outro nome qualquer.&lt;br /&gt;Mas em todos esses quase 11 anos em que eu tive o privilégio de trabalhar diretamente com o Murilinho, o que vai permanecer gravado em minha mente era o que realmente importava para ele: as pessoas. E muitas pessoas tiveram a sorte de perceber isso e orbitaram em torno dele como mariposas em volta de uma lâmpada. Talvez em busca do calor da sua aprovação, talvez pela luz da sabedoria ou simplesmente porque as mariposas combinavam. Sim, isso era impressionante, a capacidade do Mucas misturar as pessoas mais diferentes e conseguir tirar delas o que elas tinham de melhor.&lt;br /&gt;Hoje ele já não mais está aqui, mas quero levar comigo essa convicção de que o que realmente importa são  pessoas e os relacionamentos que são construidos, independente de cargos, funções ou habilidades. Quero instigar as pessoas a viajarem, lerem, se divertirem, serem autênticos e críticos assim como ele fez por mim, porque assim estarei mantendo ele vivo e poderei continuar escrevendo a minha história.&lt;br /&gt;História essa, que venho escrevendo ao longo destes anos com 4 letras, DPZ e M.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado Murilinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria bom tomar um café da manhã ali no Maksoud mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudades&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Robson&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-7141050795935177589?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/7141050795935177589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=7141050795935177589&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/7141050795935177589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/7141050795935177589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/07/murilo-por-robsinho.html' title='Murilo por Robsinho'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SIod7IAElpI/AAAAAAAAACk/PeH11haS6YU/s72-c/Robson+e+Gato.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-8947135639308364378</id><published>2008-07-24T12:02:00.000-07:00</published><updated>2008-07-25T11:20:43.371-07:00</updated><title type='text'>Meus  Murilos</title><content type='html'>Moisés Rabinovici&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SIjS7h3ACmI/AAAAAAAAACM/UyAwTTNn1Lw/s400/01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226659287706634850" border="0" /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SInciGfKZXI/AAAAAAAAACc/MoIOEvPZWek/s1600-h/rabino_image.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SInciGfKZXI/AAAAAAAAACc/MoIOEvPZWek/s400/rabino_image.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226951320955151730" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tipo que marcou o nosso reencontro, na última fase da vida do Murilinho, foi o Gulliver, do holandês Gerard Unger, que também fez o Coranto, usado pelo jornal Valor. Pena que não o tenha agora para vestir este tributo. Então, vamos adiante mesmo com o Georgia, que é um dos meus preferidos atualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia tempo que não trabalhávamos juntos. Separamo-nos quando Mu passou para a publicidade, e eu continuei no JT/ Estadão/Eldorado, correspondente oito anos em Israel, seis em Washington e mais dois anos em Paris, então para a Época – quase 20 anos sem nos ver, falar ou escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o Murilo quem me tirou de Belo Horizonte, no final de 1965, para formar a equipe que fundaria o JT no começo de 1966, e  também do Brasil, para o Oriente Médio, em 1977, quando o presidente egípcio Anuar Sadat visitou Jerusalém, iniciando o processo de paz com Israel, ainda hoje muito longe de ser concluído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai e espera a paz – ele me pediu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora estávamos de volta ao JT para recriá-lo, sob a direção de Fernão Mesquita. Reencontrei Murilinho excitado com o trabalho, como nos primeiros tempos. Mas sua saúde estava fragilizada, desde um escorregão feio na neve, em Nova York. Quebrou uma perna. Ficou um tempo hospitalizado, até voltar a São Paulo. Já não carregava mais jornais e revistas debaixo do braço, a sua antiga marca registrada. E mancava. Saía da redação para sessões de fisioterapia. E parecia ainda mais encurvado que antes. Tomava uma cápsula dissolvida em água, e alguns outros comprimidos, mas não os apresentava nem os explicava a ninguém. Já não ria da hipocondria que costumava projetar nos amigos. Nem se vangloriava de sua terapia ortodoxa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O Samuel anda de farmácia em farmácia perguntando: chegou alguma novidade da Bayer? – era um de seus casos preferidos. Ele próprio tinha se revelado um hipocondríaco sofisticado ao perguntar ao “Dr. Lisboa”, na verdade apenas um jornalista: “Existe câncer no coração?” Uma vez, a bordo de seu Opala branco, todo branco por dentro, como as paredes e os sofás de sua sala na redação, atravessou a Rebouças distraído. Um carro o pegou. Perdeu a memória por quase um mês. E recomeçou a viver com muito medo da morte. Tornou-o público, em conversas com amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudou de assunto – não mais a morbidez que o perseguia. Quando não falava de jornalismo, contava da interminável reforma em seu apartamento. Interessava-se por qualquer obra em andamento. Queria saber de pisos, maçanetas, pias, azulejos. E dava palpites, tão informado quanto em sua outra incontestável especialidade, os aparelhos de som. Pedia-me para entrar em sites suecos, ele que ainda não sabia navegar na internet, para ficar apreciando válvulas. E se deleitava.  Prometia que logo compraria um computador, só que antes queria ter certeza: Mac ou PC? Não tinha email. Ele gostava é de bilhetes em laudas, quanto mais comprometedores melhor. Colecionava-os. Uma vez me surpreendeu trazendo todos os meus pedidos de demissão, alguns amarelecidos pelo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira missão que recebi no nosso reencontro foi a de descobrir qual era, afinal, aquele tipo usado no USA Today. A reforma do Murilo já estava andando quando voltei ao JT. Eu recuperava os anos de separação rapidamente. Muita coisa continuava igual. Redatores paparicados ontem, hoje desprezados. Tensão nas relações, nas reuniões e pelos corredores. Reclamações zangadas. Novo layout na redação para afastar quem tinha se tornado vizinho inconveniente da chefia. E a musa. Numa redação de Murilo havia que ter uma. Assim foi no Departamento de Pesquisa do JB. E no JT. Tudo temperado por muita fofoca, venenos inventados que criavam um clima no qual ele se sentia bem à vontade. Assédio moral? Não, isso não existia, mesmo que não o tratassem mais como um déspota, a “Rainha”, o célebre apelido que acabou ao se colorir a fase do puro branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi facílimo me desincumbir da primeira missão. Bastou um rápido telefonema para o Departamento de Arte do USA Today. “Gulliver”, respondeu quem atendeu. Nem nos apresentamos. Pus o nome do tipo no Google e cheguei a Gerard Unger, em Amsterdã. O negócio foi fechado alguns dias depois – e, se não me engano, por 25 mil dólares. Para se ter uma idéia, comprei uma fonte nova para o jornal que hoje dirijo – esta, Palatino Linotype, por apenas 90 dólares. A outra que ainda comprarei, Miller, está orçada abaixo de 500 dólares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que não se pense que o Murilo, ao ter o Gulliver em todos os computadores da redação, adotou-o assim, sem mais nem menos. Colocou-o em testes. Combinou inúmeras variações. Casamentos entre tipos diferentes. Encomendou centenas de provas. Queria estabelecer o espaçamento ideal entre as letras. E regras de uso. E eis que um dia, enfim, quando estávamos todos exaustos do laboratório gráfico, o Gulliver apareceu para os caros leitores do JT. O jornal se vestia de primeiro mundo numa roça que pouco ou nada o percebeu. Não houve cartas de leitores emocionados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Importante é que o Murilo estava contente. Agora vai, todos torcíamos. Nem mesmo o sumiço da lapiseira com que sempre desenhava a capa do jornal arrefeceu o seu ânimo. Substituiu-a por uma das comuns, amarelas, uma daquelas que a gente descobre ter sido clonada na China. Ficou de ótimo humor por alguns dias. Assobiava Mozart, e não porque estivesse morrendo de ódio, como antigamente, na primeira fase do JT. Era só ouvir Mozart, e todos saíamos de perto. Vivaldi também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilo era um tipo de manias. Seria assim como a fonte Kristen, associada à instabilidade, mas também à criatividade, ao feminino, à rebeldia e à excitação, como concluiu um estudo de percepção de fontes divulgado recentemente nos principais blogs de designers nos Estados Unidos. Sempre foi também ritualista, metódico. Repetia os restaurantes de que gostava, se possível sentando na mesma mesa, atendido pelo mesmo garçom, comendo o mesmo prato. Nos primórdios do JT, era o Gigeto. Depois, o Giovani Bruno, onde nem precisava pedir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa época, ele bebia vinho, e vinho importado, para desespero dos repórteres que o acompanhavam e com quem ele dividia a conta. Para nós, bastaria um chope, ou uma caipirinha. Nos últimos tempos freqüentava o Spot. Comigo gostava de comer bacalhau no La Bourse, na Bolsa de Valores, no velho centrão, onde nos reencontrávamos as sextas-feiras, depois que ambos deixamos o JT. Quando ainda havia pregão, encontrávamos os corretores jogando numa mesa de fundo do restaurante. Ele ficava fascinado, vendo-os. Tinha muito de sua economia pessoal em jogo ali naquele prédio, movimentado talvez por aqueles jogadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra mania notável do Murilinho o levou a conhecer os expedientes dos jornais internacionais. Guardava como um tesouro a coleção completa da revista alemã Twen, do revolucionário Willy Fleckhaus, que idolatrava.  Falava com desenvoltura de mudanças em redações em Nova York e Londres. Sabia das últimas do mundo editorial. Do redesenho no Financial Times, que ele aplaudiu. Do nascimento do Sun NY, pró-israelense, que achava apenas correto, “todo certinho”. (Nunca vi ninguém querer tanto ser judeu... Sabia o significado das principais festas judaicas. E perguntava quando estourava mais uma crise no Oriente Médio: “Como é que estamos?” – por nós, entenda-se, os israelenses. Pensei em escolher para este texto fontes hebraicas - Aharoni, David, Miriam, Guisha, Levenim... Mas nem todas têm caracteres ocidentais. Seria uma forma de homenagear essa faceta dele que remetia a Woody Allen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilo e Mino Carta deram uma lição única ao jornalismo brasileiro com o JT. Na maioria dos jornais, até hoje, repórter e redator preenchem módulos pré-moldados pela diagramação. A realidade que se adapte aos formatos, ou se limite aos tamanhos disponíveis. No JT, não: cada página era uma. O editor a desenhava depois de ler o texto e ver as fotos, muitas vezes já tendo um título pronto. Eu aprendi a desenhar páginas como se escrevesse um texto. Mas dei muitas rabinadas, como eram chamados os meus erros. E fugia constantemente do padrão: ai já era um neilismo, em homenagem a Neil Ferreira, com quem eu almoçava às vezes num restaurante macrobiótico, no Largo do Arouche. Os dois trabalharam juntos na Folha e depois na DPZ, um com o D e o outro com o Z. Também fui rabininho, nos acertos. E rabinóia, se baixasse em mim a paranóia de que estava sendo perseguido, aliás normal em judeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mino não cultuava tanto o formalismo como o Murilo. Desenhava páginas também, e boas, mas era mais conteúdo. Sentava-se ao lado de repórteres com que topava travados em textos, pela madrugada, quando já ia embora, e ficava um pouquinho mais para  socorrê-los. Um dia me pegou, procurando sem achar uma abertura, e me perguntou: “Mas qual foi a última coisa que aconteceu nesta sua matéria?” Depois, emendou: “Comece com ela...” Simples! Usei a ‘técnica’ para escrever num telex em Beirute que podia usar só por meia-hora por dia. Com uma agravante: telex não tem retorno, arrependimento. Escreveu, está escrito. Depois da primeira palavra, digita-se a segunda, então a terceira e assim até o final. Sem correções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilo dava idéias ótimas de pauta, títulos certeiros e criava capas excepcionais. Mas pouco ou nada escrevia, além de legendas e olhinhos durante o fechamento. Ditava para o redator, na maioria das vezes. Na verdade, só li um texto dele, ótimo, publicado na revista Senhor: “A História das Histórias em Quadrinhos”. Vi em seu apartamento um belo piano de cauda. Também nunca o flagrei tocando. Amigos me disseram que tocava, sim, e até bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois mestres brigaram uma noite no Gigeto, quando não trabalhavam mais juntos. Murilo levantou-se de sua mesa e foi cochichar em outra uma maldade sobre o Mino, e para – é claro! – o próprio Mino. Fofoca era irresistível para ele. Sucumbia à tentação sem medir conseqüências. Mesmo que o preço fosse alto. Acho que os dois nunca se reconciliaram. Nem na morte. Nós também brigamos uma única vez, neste reencontro no JT. Mas fizemos as pazes em seguida numa conversa no corredor, quando eu já ia embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Armava-se um vendaval no Grupo Estado. E nos separamos assim que ele desabou. Murilo foi o primeiro a ser abatido, por gente praticamente trazida, formada e mantida por ele desde os áureos tempos do JT. Nada profissional, apenas sórdida perseguição. Eu o vi saindo, encurvado e humilhado, e senti uma imensa tristeza. Lá ia o homem que tentava recriar o jornal de sucesso que criou décadas atrás. Partia sem volta. Para sempre. Quanta dor não terá sentido! Eu me antecipei, avisando que iria embora para dirigir o Diário do Comércio, publicado pela Associação Comercial de São Paulo. Era um novo desafio para mim. Não tinha aceitado o convite antes a pedido do Murilo. Agora sem ele, e indignado com o que lhe fizeram, era a única escolha. Mas me pediram que ficasse um pouco mais, tocando o jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilo virou um poço de amargura. Escandalizava-se com o rumo popularesco dado ao JT, na contramão de tudo o que recomendava uma pesquisa feita ainda ao seu tempo. Numa sexta-feira de bacalhoada, que agora nos unia, paramos numa banca de jornal. Estava lá o jornal exposto. Não nos identificamos nenhum milímetro com o que vimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Assim, o JT vai acabar – ele prognosticava. Mas agora eu acho que era ele, Murilo, que já estava morrendo. Suas visitas ao Diário do Comércio rareavam. Ele gostava de rever algumas das vítimas do vendaval no Estadão incorporados à minha equipe, ouvia meus impasses tipográficos sem opinar e nunca criticou o jornal, embora o recebesse toda manhã. Sumiu. Amigos comuns contavam: “ele comprou um Mac, finalmente”; “acabou a reforma infindável em seu apartamento”; “viajou para Lavras” (a sua cidade, em Minas); “o irmão morreu...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui atrás do Murilo. Marcamos um bacalhau. Ele pediu: “convida a Tatiana”. Em cima da hora, nós já caminhando para o La Bourse, tocou meu celular: não estava bem, não viria. “Tudo que engulo embrulha meu estômago”. Na quinta-feira seguinte, voltou a chamar: “Não estou bem ainda. Acho que é um remédio que está me fazendo mal. Vamos tentar a próxima sexta”. E na próxima sexta eu é que liguei. Atendeu a filha, Carlota: - Papai acabou de morrer!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-8947135639308364378?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/8947135639308364378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=8947135639308364378&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/8947135639308364378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/8947135639308364378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/07/meus-murilos.html' title='Meus  Murilos'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SIjS7h3ACmI/AAAAAAAAACM/UyAwTTNn1Lw/s72-c/01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-2131236125199662666</id><published>2008-07-24T11:57:00.001-07:00</published><updated>2008-07-25T11:46:57.663-07:00</updated><title type='text'>Rabininho - Moises Rabinovici</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SIjQxFMMY5I/AAAAAAAAACE/UX_z67I-tV0/s1600-h/05.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 392px; height: 470px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SIjQxFMMY5I/AAAAAAAAACE/UX_z67I-tV0/s400/05.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226656909188948882" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-2131236125199662666?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/2131236125199662666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=2131236125199662666&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/2131236125199662666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/2131236125199662666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/07/rabininho-moyses-rabinovich.html' title='Rabininho - Moises Rabinovici'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SIjQxFMMY5I/AAAAAAAAACE/UX_z67I-tV0/s72-c/05.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-524109659543964085</id><published>2008-07-23T13:50:00.000-07:00</published><updated>2008-07-23T14:01:15.884-07:00</updated><title type='text'>Washington por Murilo Felisberto</title><content type='html'>Washington Olivetto&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SIearu2btGI/AAAAAAAAAB0/W36Y7CjVY1k/s1600-h/Washington+por+Murilo+Felisberto.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SIearu2btGI/AAAAAAAAAB0/W36Y7CjVY1k/s400/Washington+por+Murilo+Felisberto.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226315968688141410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=" font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Sou péssimo fotografado (a culpa é minha) e raramente gosto das fotos em que apareço. Esta é uma exceção que eu adoro. Foi criada e produzida por Murilo Felisberto, parodiando a clássica foto do compositor Igor Stravinsky feita por Arnold Newman em 1946.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mil novecentos e oitenta e pouco.&lt;br /&gt;A gente trabalhava na DPZ e todo início de noite saíamos para beber.&lt;br /&gt;Os bares eram invariavelmente dois: ou o Plano's, na Oscar Freire, ou O Anexo, no prédio da Dacon, bem ao lado da agência.&lt;br /&gt;Murilo e eu éramos os mais assíduos nessas very happy hours.&lt;br /&gt;Murilo estava sempre com sua inseparável pilha de jornais e revistas debaixo do braço.&lt;br /&gt;Naquela época, nós bebíamos whisky em grande quantidade e, por isso mesmo, preferíamos os mais leves, ou “de meninas”, como a gente costumava dizer.&lt;br /&gt;Nossas preferências eram o Cutty Sark, o Black &amp;amp; White e o JB.&lt;br /&gt;Pentelho que só eu, no mínimo três vezes por semana, no início dessas incursões alcoólicas, eu fazia o mesmo comentário, e o Murilo sorria satisfeito, como se estivesse ouvindo aquela bobagem pela primeira vez: "Murilo. Ainda bem que a gente só vai a bares onde te conhecem, porque, com esse teu layout e esse monte de jornais e revistas debaixo do braço, se você for a qualquer bar em que você não é conhecido e pedir um JB, o garçom vai te trazer um jornal."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-524109659543964085?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/524109659543964085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=524109659543964085&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/524109659543964085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/524109659543964085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/07/washington-olivetto-mil-novecentos-e.html' title='Washington por Murilo Felisberto'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SIearu2btGI/AAAAAAAAAB0/W36Y7CjVY1k/s72-c/Washington+por+Murilo+Felisberto.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-6660802473371641251</id><published>2008-07-23T11:51:00.001-07:00</published><updated>2008-07-23T13:42:47.639-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zuffo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dpz'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='murilo'/><title type='text'>Pequena estória de uma grande amizade</title><content type='html'>&lt;div&gt;Luciano Zuffo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SId-3IrwkGI/AAAAAAAAABs/BDrUR2OLteg/s1600-h/Murilo+auto+retrato.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SId-3IrwkGI/AAAAAAAAABs/BDrUR2OLteg/s400/Murilo+auto+retrato.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226285378275676258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um belo dia recebi uma ligação para mostrar a pasta na DPZ. Ligaram em nome de Murilo Felisberto. Confesso que foi a primeira vez que escutei aquele nome. Eu nunca poderia imaginar que trabalharia lá por 4 anos e que faria uma amizade de quase 20. Como chefe, me ensinou muito sobre a profissão. Como amigo, me ensinou muito sobre a vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-6660802473371641251?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/6660802473371641251/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=6660802473371641251&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/6660802473371641251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/6660802473371641251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/07/pequena-estria-de-uma-grande-amizade.html' title='Pequena estória de uma grande amizade'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SId-3IrwkGI/AAAAAAAAABs/BDrUR2OLteg/s72-c/Murilo+auto+retrato.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-8443802603887356520</id><published>2008-07-23T11:00:00.000-07:00</published><updated>2008-07-24T11:26:03.681-07:00</updated><title type='text'>Obrigado por tudo, Murilo</title><content type='html'>Felipe Machado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SId4AJ180EI/AAAAAAAAAA4/4fI4kTr0wFU/s1600-h/murilo002.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SId4AJ180EI/AAAAAAAAAA4/4fI4kTr0wFU/s320/murilo002.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226277836624285762" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;No último domingo, 11 de maio, fez um ano que morreu Murilo Felisberto, um profissional a quem devo toda minha vida profissional. Se você está lendo esse texto agora, pode ter certeza de que a 'culpa' é dele. Murilo não me deu apenas um emprego: ele me deu uma carreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu tanta coisa nesse ano que passou, tanta coisa que eu gostaria de ter contado a ele, de poder ouvir sua opinião... Aqui está, em homenagem ao mestre que se foi, o post que escrevi sob grande emoção no dia de sua morte, em 11 de maio de 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilo, que com muito orgulho eu tinha intimidade para chamar de Mu, foi a pessoa mais interessante que já conheci. Primeiro, na DPZ, como Diretor de Criação, em 1997. Fui mostrar minha pasta (horrível) de redator, e não sei por que nem como, mas ele me convidou para ficar. Ele deve ter visto alguma coisa ali; não sei dizer o que era, porque o Murilo tinha isso de ser meio misterioso. Ou tímido, dizem alguns. Algumas vezes eu mostrava uma série com dezenas de títulos para anúncios; ele lia, olhava para mim e me devolvia o papel sem dizer nada. Era frustrante? Muito. Mas aí eu percebia que tinha que adivinhar o que era bom e o que era um lixo. Acredite, isso ensina muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensinar, aliás, é o que ele fazia de melhor. Por linhas tortas, mas ainda assim eram grandes aulas. Não no sentido professoral da palavra - ele não tinha paciência para isso -, mas no modo de contar uma história qualquer e ressaltar o que era importante e o que não era. Um detalhe pequeno, que você nem dava bola, podia ser a coisa mais interessante do mundo; bastava saber olhar. E isso foi uma coisa que o Murilo ensinou não apenas a mim, mas às dezenas de profissionais que choraram como eu na última sexta-feira: é preciso prestar atenção nas coisas importantes. Mesmo que elas estejam no pé da página.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na DPZ, mais precisamente no 7º andar, o Murilo criou uma turma que mantém pouco contato mas muito carinho até hoje: Ilan, Dani, Rafa, Luiz Antonio, Fabião, Theo, Robson, Corina, Karin, Andréa, eu e vários outros. A gente se fala de vez em quando; gostaria que fosse mais frequente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudades dói pra burro (ele ia odiar ler 'pra' em vez de 'para')... já estou com saudades de ver o Murilo olhando por cima dos óculos redondos de aro de tartaruga; das lapiseiras e canetas amontoadas no bolso da camisa; das revistas e jornais debaixo do braço ou se acumulando em pilhas e pilhas na sua mesa; do jeito com que ele conversava com você e, sem mais nem menos, sacava a lapiseira do bolso e rabiscava seu rosto num pedaço de papel em 15 segundos. E ficava genial. Ainda bem que guardei os meus desenhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada, no entanto, dava mais prazer ao Mu do que uma bela fofoca. E isso não tem nada de pejorativo. Murilo transformou a fofoca em forma de arte superior. Hoje vejo que aquilo não era fofoca: era uma base de informações pessoais sobre gente conhecida. E é o que move o mundo, acredite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última vez que falei com o Murilo foi no dia 28 de abril de 2007, dois dias antes de ele ser internado. Liguei para contar algumas novidades profissionais, mas nem precisava: ele já sabia de tudo. E com detalhes. Ele queria outros detalhes, outras histórias de amigos em comum, outros detalhes de histórias de amigos em comum. "Ando meio caseiro", contei.&lt;br /&gt;Hoje eu me arrependo: eu deveria ter contado mais histórias, eu deveria ter ligado mais para ele, eu deveria ter frequentado mais a tradicional mesa do Spot das quintas-feiras. Eu deveria ter ficado mais próximo do meu querido amigo e mestre Murilo Felisberto. Mas a vida é assim, a gente nunca sabe o que nos espera na manhã seguinte. Nunca dá tempo para nada, tudo que realmente importa é deixado para amanhã. Ou para a semana que vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2000, o Murilo voltou ao Jornal da Tarde, inventado por ele, e me contratou como repórter. A cada texto, a cada frase que eu escrevia, eu imaginava o Murilo lendo e comentando. Às vezes, vinham broncas reais, sempre com razão. A culpa era sempre minha, mas eu só percebia os erros depois que ele me apontava onde eles estavam. E lá ia eu para o próximo texto, tentando imaginar o que eu poderia fazer para impressioná-lo, para que ele me chamasse na sala e dissesse: 'aí, Felipão, gostei da matéria', ou algo do tipo. Mas isso também não acontecia com frequência. Às vezes ele me chamava e dizia: "leia bem isso que você escreveu". E só. Eu tinha que adivinhar o que era. Nem sempre adivinhava, mas a vida é assim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou um pouco perdido em um mundo onde gente como o Murilo é cada vez mais rara. Sei que temos a obrigação de sermos os Murilos de amanhã, mas a responsabilidade é muito grande. Assusta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora só resta fechar os olhos, continuar a trabalhar e parar de vez em quando para se perguntar: "o que será que o Murilo acharia deste texto?" Ele abaixaria os óculos, olharia de volta para mim e não diria nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://blog.estadao.com.br/blog/palavra/"&gt;http://blog.estadao.com.br/blog/palavra/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-8443802603887356520?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/8443802603887356520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=8443802603887356520&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/8443802603887356520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/8443802603887356520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/07/obrigado-por-tudo-murilo.html' title='Obrigado por tudo, Murilo'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SId4AJ180EI/AAAAAAAAAA4/4fI4kTr0wFU/s72-c/murilo002.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-5859422942133775710</id><published>2008-07-23T10:53:00.000-07:00</published><updated>2008-07-23T13:40:04.835-07:00</updated><title type='text'>Sobre Mu</title><content type='html'>Dedé Laurentino&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Não é preciso aqui descrever quem, ou como, era o Murilo. Todos sabemos. E sabemos bem. Um dos segredos para a gente gostar dele era o prazer em ir aprendendo, devagarinho, cada uma das manias dele.&lt;br /&gt;Por exemplo: no restaurante, o Murilo pedia sopa de capeletti sem o capeletti. O mais curioso é que ele achava que não precisava explicar. O garçom é que devia entender que, quando o Murilo pede capeletti, na verdade ele não quer o capeletti. Para quem estava na mesa com ele, só restava torcer para o garçom não errar. Ou se divertir se ele errasse. Porque o Murilo de mau humor era ainda mais Murilo.&lt;br /&gt;Aliás, um dos grandes prazeres dele era passar seu mau humor para alguém. Geralmente quando descobria o alto salário de um amigo. A primeira coisa que fazia era ligar para os outros amigos e contar a novidade. Quanto mais triste a gente ficasse, maior era sua alegria.&lt;br /&gt;E de todas as paixões do Murilo, uma era definitivamente a maior. Não era a reforma do apartamento, não era o exemplar da StereoSound, nem um romance de pulp fiction. Era a fofoca. Viesse de onde viesse. Desde o namoro da vizinha, até os bastidores do alto escalão.&lt;br /&gt;Os amigos mais diligentes chegavam a anotar num papelzinho a lista de fofocas para divertir o Murilo. E os amigos mais escolados fingiam sempre saber de quem ele estava falando, quando contava os segredos.&lt;br /&gt;Uma das histórias que ele adorava terminou virando um bordão que ele volta e meia repetia. Era a história de um rapaz do jornal. Um dia, o chefe chamou e o demitiu. Mesmo assim, ele continuou indo trabalhar normalmente. Toda a redação achou aquilo estranhíssimo. Mas o rapaz ia trabalhar de segunda a sexta, apesar da demissão. Até que o Murilo foi lá perguntar: “ô fulano, você não foi demitido?” E o rapaz: “quer me irritar, é tocar neste assunto”.&lt;br /&gt;Esta é uma boa resposta que o Murilo nos ensinou. Quando alguém vier nos perguntar se estamos sentindo muito a falta dele, respondamos: quer me irritar, é falar neste assunto.&lt;br /&gt;Porque ele vai estar sempre com a gente, nas nossas melhores lembranças. Mesmo que elas possam estar encharcadas de saudade.&lt;br /&gt;Vamos desejar que o Murilo descanse em paz, junto com os nossos mais sinceros agradecimentos por tanta coisa boa que ele representa para cada um de nós.&lt;br /&gt;Muito obrigado, Murilo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-5859422942133775710?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/5859422942133775710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=5859422942133775710&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/5859422942133775710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/5859422942133775710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/07/sobre-mu.html' title='Sobre Mu'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4363452644286245457.post-8840003206710730067</id><published>2008-07-23T04:38:00.000-07:00</published><updated>2008-07-23T10:51:13.116-07:00</updated><title type='text'>blog dos amigos do Murilo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SIcZcX3X3oI/AAAAAAAAAAU/EUVGEF7Joe8/s1600-h/murilo.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SIcZcX3X3oI/AAAAAAAAAAU/EUVGEF7Joe8/s320/murilo.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226173867820048002" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esse blog é  para que os amigos do Murilinho se encontrem, se esbarrem, e, principalmente, escrevam. O primeiro post é o do Dedé. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A ilustração, é minha, no estilo 'elwood smith', que o Murilo mais gostava. &lt;div&gt;Irei publicando aos poucos as mensagens que os amigos escreveram nesses tempos de saudade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Simbora cambada!!!!&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4363452644286245457-8840003206710730067?l=blogdosamigosdomurilo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/feeds/8840003206710730067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4363452644286245457&amp;postID=8840003206710730067&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/8840003206710730067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4363452644286245457/posts/default/8840003206710730067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdosamigosdomurilo.blogspot.com/2008/07/blog-dos-amigos-do-murilo.html' title='blog dos amigos do Murilo'/><author><name>Daniel Zim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12870816950949672109</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_EngLZSZ_GA8/SIcZcX3X3oI/AAAAAAAAAAU/EUVGEF7Joe8/s72-c/murilo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
